O tempo passou rápido enquanto jogávamos, logo anoiteceu e a sala ficou escura, iluminada apenas pelas frestas da pouca luz que vinha de um poste externo distante.
Hyelim conseguiu bater o recorde do meu irmão depois de Seth ficar a apenas dois pulos de ultrapassá-lo. Digamos que foi a adrenalinazinha que ela precisava.
Não podíamos falar alto e sabíamos disso, mas Dener não tirava os olhos de nós, pronto para nos repreender a qualquer momento. De cabeça para baixo, ele fica engraçado, e eu agradeço por não conseguir olhá-lo de outra forma, já que em nenhum momento levantei do chão. Eu continuei deitada embaixo da janela que eu me coloquei para fora há horas atrás, a mesma janela que me permitiu assistir a cena mais terrível da minha curta vida.
— É melhor descansarmos — Hyelim aconselha, devolvendo meu celular.
São 18:34 e eu não tenho sono, como vou conseguir fazer isso?
— Quem dorme às 18:30? — Seth reclama encarando o teto.
— Quem vai acordar às 5 da manhã! — Dener o responde. — Mexo com vocês assim que eu ver o sol!
Ótimo, eu vou virar comida facinho! Às 5 da manhã meus olhos nem abertos ficam!
Hyelim se deita do meu lado, a fim de olhar o céu também que, estranhamente, está bem estrelado.
— O céu de Carter Hill nunca ficou assim... — ela observa. — Tenta dormir, tá?
Acenei com a cabeça, concordando. Eu ia me esforçar. Hyelim se virou de costas para mim, encolheu as pernas e colocou o antebraço na cabeça para usar de travesseiro, se mexendo um pouco para achar a posição mais confortável.
— Boa noite! — Ava educadamente desejou, também deitando no chão, em meio aos alunos que não deram um pio durante todo esse tempo. Devem estar apavorados o suficiente para não abrir a boca nem para palpitar sobre o próprio futuro e, talvez, eu entenda. Não, na verdade, eu não entendo nada.
Ligo a tela do celular. 45%, sem sinal. Droga.
— Você está bem? — Seth me olha preguiçoso, com a cabeça encostada na parede e apenas metade do rosto iluminado, ainda assim, é totalmente possível ficar perdida na profundidade de apenas um dos seus olhos azuis brilhantes.
Impossível é não pensar que, em outra situação, em uma que não estivéssemos prestes a morrer, Seth Cohen jamais faria uma pergunta assim, mesmo que só por educação, talvez pelos polos, e eu o responderia que sim, por educação, mas nós estamos prestes a morrer e essa é uma pergunta extremamente idiota.
— Você está? — rebati.
— Pergunta retórica?
— Pergunta óbvia — digo. Ninguém está, é um sentimento como se... — Você acha que o mundo morreu?
Seth pareceu surpreso com a pergunta. Realmente, é uma bem estranha!
— Pergunta difícil, mas nós estamos vivos, não estamos? Eles também podem.
Concordo. É, pode ser. É uma possibilidade, como tantas outras.
— Mas tudo mudou, não é? — Olhei o céu aliviada, finalmente um azul diferente dos olhos dele, isso assombra mais do que fantasma! É como ficar olhando para uma lâmpada por muito tempo e depois ver sua silhueta ao piscar.
— Eu estou falando com Josephine Long! — ele franze a testa fingido e sorri. — Com certeza!
Como se fosse eu que tivesse um polo próprio por aqui! Não mesmo!
— Até parece! — Neguei e acabei rindo também.
Mas os risos não duraram muito, murcharam. O meu murchou.
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DEVIR
Fiksi RemajaDE.VIR [S.M] 1. Constante mudança. Vir a ser. Tornar-se. 2. Lei geral do universo, que cria, destrói, reconstrói e ensina. Eu li uma vez que o ser humano é desadaptado do mundo. E talvez seja mesmo, por isso está sempre no topo da cadeia. Vida ou m...
