Capítulo 6

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O tempo passou rápido enquanto jogávamos, logo anoiteceu e a sala ficou escura, iluminada apenas pelas frestas da pouca luz que vinha de um poste externo distante.

Hyelim conseguiu bater o recorde do meu irmão depois de Seth ficar a apenas dois pulos de ultrapassá-lo. Digamos que foi a adrenalinazinha que ela precisava.

Não podíamos falar alto e sabíamos disso, mas Dener não tirava os olhos de nós, pronto para nos repreender a qualquer momento. De cabeça para baixo, ele fica engraçado, e eu agradeço por não conseguir olhá-lo de outra forma, já que em nenhum momento levantei do chão. Eu continuei deitada embaixo da janela que eu me coloquei para fora há horas atrás, a mesma janela que me permitiu assistir a cena mais terrível da minha curta vida.

— É melhor descansarmos — Hyelim aconselha, devolvendo meu celular.

São 18:34 e eu não tenho sono, como vou conseguir fazer isso?

— Quem dorme às 18:30? — Seth reclama encarando o teto.

— Quem vai acordar às 5 da manhã! — Dener o responde. — Mexo com vocês assim que eu ver o sol!

Ótimo, eu vou virar comida facinho! Às 5 da manhã meus olhos nem abertos ficam!

Hyelim se deita do meu lado, a fim de olhar o céu também que, estranhamente, está bem estrelado.

— O céu de Carter Hill nunca ficou assim... — ela observa. — Tenta dormir, tá?

Acenei com a cabeça, concordando. Eu ia me esforçar. Hyelim se virou de costas para mim, encolheu as pernas e colocou o antebraço na cabeça para usar de travesseiro, se mexendo um pouco para achar a posição mais confortável.

— Boa noite! — Ava educadamente desejou, também deitando no chão, em meio aos alunos que não deram um pio durante todo esse tempo. Devem estar apavorados o suficiente para não abrir a boca nem para palpitar sobre o próprio futuro e, talvez, eu entenda. Não, na verdade, eu não entendo nada.

Ligo a tela do celular. 45%, sem sinal. Droga.

— Você está bem? — Seth me olha preguiçoso, com a cabeça encostada na parede e apenas metade do rosto iluminado, ainda assim, é totalmente possível ficar perdida na profundidade de apenas um dos seus olhos azuis brilhantes.

Impossível é não pensar que, em outra situação, em uma que não estivéssemos prestes a morrer, Seth Cohen jamais faria uma pergunta assim, mesmo que só por educação, talvez pelos polos, e eu o responderia que sim, por educação, mas nós estamos prestes a morrer e essa é uma pergunta extremamente idiota.

— Você está? — rebati.

— Pergunta retórica?

— Pergunta óbvia — digo. Ninguém está, é um sentimento como se... — Você acha que o mundo morreu?

Seth pareceu surpreso com a pergunta. Realmente, é uma bem estranha!

— Pergunta difícil, mas nós estamos vivos, não estamos? Eles também podem.

Concordo. É, pode ser. É uma possibilidade, como tantas outras.

— Mas tudo mudou, não é? — Olhei o céu aliviada, finalmente um azul diferente dos olhos dele, isso assombra mais do que fantasma! É como ficar olhando para uma lâmpada por muito tempo e depois ver sua silhueta ao piscar.

— Eu estou falando com Josephine Long! — ele franze a testa fingido e sorri. — Com certeza!

Como se fosse eu que tivesse um polo próprio por aqui! Não mesmo!

— Até parece! — Neguei e acabei rindo também.

Mas os risos não duraram muito, murcharam. O meu murchou.

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