Capítulo 26

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Dormir como uma pedra? Que piada!

Eu não preguei o olho desde que nós entramos na sala. Depois de contar centenas de carneirinhos, deitar e levantar, dar voltas e voltas entre essas paredes, iluminada apenas por uma baixa luz vinda da janela, eu parei olhando para o lado de fora. Há algumas horas.

Yan e Josh, sim, dormiam como pedras. Os dois mal se mexeram depois de deitados.

Meus pensamentos, presos nesse cubículo mal iluminado, em imaginação, já voaram em todas as direções possíveis, mas sempre paravam no; eu preciso dormir.

Talvez eu ainda tenha alguma energia a gastar. Talvez andar em círculos não seja o suficiente.

Eu olhei mais uma vez para os dois dorminhocos no canto da sala, tranquilos, em sono profundo e abri a porta para sair.

O corredor em breu total me tirou o fôlego, confesso, mas eu, cuidadosamente, fechei a porta em minhas costas. Não voltaria por medo do escuro. É apenas uma caminhada e eu conheço esta escola como a palma da minha mão! Apesar do silêncio absoluto, eu sei exatamente onde estão as paredes, portas e entradas para outros corredores, como se tudo estivesse devidamente iluminado.

Respirei parada por alguns segundos, imaginei o caminho até as portas do refeitório e, só então, eu comecei a andar

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Respirei parada por alguns segundos, imaginei o caminho até as portas do refeitório e, só então, eu comecei a andar. Grudada à parede, a usando de guia, eu andei por todo o corredor, adentrando o principal.

Eu estava pronta para continuar andando, mas meus pés congelaram quando o vácuo de som foi substituído por um gemido arrastado que, infelizmente, eu conheço bem.

Merda! Merda! Merda!

Tem um deles aqui dentro?

Não! Isso é possível?

Eu congelei, instantaneamente, fui tomada pelo medo. Estava sozinha, no escuro e ouvindo uma daquelas coisas se aproximando.

Agora, as batidas apressadas e fortes do meu coração também podiam ser escutadas, assim como minha respiração desregulada.

Só pode ser um deles. Os gemidos e grunhidos arrastados, as pisadas descompassadas e sem equilíbrio, o ranger e bater dos dentes são inconfundíveis!

Tremendo, eu encostei na parede fria, estava hiperventilando. A respiração alta e desesperada escapava descontrolada pela minha boca, quase gritando minha localização e, num ato bruto de puro desespero, eu tampei os dois. Boca e nariz.

Sem ruído, sem respiração, mas eu ainda sentia meu coração subindo pela garganta e as lágrimas escalando meus olhos.

Quantas vezes eu vou sentir a morte se aproximar? Até quando eu vou sentir que é a última vez? Quanto falta para esse medo, finalmente, me devorar?

Nove segundos. Nove segundos distraída tentando me acalmar. Nove segundos tampando minha própria boca para, no segundo seguinte, gritar assustada ao sentir as mãos geladas nos meus braços.

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