DE.VIR [S.M]
1. Constante mudança. Vir a ser. Tornar-se.
2. Lei geral do universo, que cria, destrói, reconstrói e ensina.
Eu li uma vez que o ser humano é desadaptado do mundo. E talvez seja mesmo, por isso está sempre no topo da cadeia.
Vida ou m...
Achamos pratos na dispensa e eu ajudei Yan a distribuir a comida, não demorou muito e não sobrou nada.
Parecíamos um grupo de apoio na hora do lanche, tentando passar uma esperança e segurança que nem nós temos, apenas mentiras.
Tão rápido quanto distribuir, foi comer e, apesar da constante lembrança do monstrengo mastigando Hyelim martelarem minha cabeça, eu me forcei a comer, sabia que meu corpo precisava e acabei por comprovar que Ava faz um arroz delicioso! Ou a fome é mesmo o melhor tempero!
Depois de comer, com a ajuda de Yan, eu contei para meu irmão sobre amanhã. Josh me surpreendeu por não gostar nenhum pouco da ideia. Por alguns minutos, ele esqueceu completamente toda a ilusão de caçador e sanamente deixou claro que eu não podia ir porque eu ia acabar virando um lesado como todo mundo, o que não deixa de ser uma possibilidade, mas acabou deixando Yan inseguro e, de bônus, eu também. Não dá para ignorar isso.
É claro que é arriscado, é claro que eu não me sinto preparada para isso e eu não me esqueci de Josh quando aceitei o plano do xerife! Acontece que, se eu não for, quem vai no meu lugar?
Yan? De jeito nenhum eu deixo isso acontecer! Ava? Definitivamente, não! Lucy? Assim como Haven, ainda está distraída e instável com os acontecimentos recentes.
Minha cabeça, meu coração e meu corpo não estão em ordem, pelo contrário, eu não tenho nada que me diferencie de Lucy e Haven. Estou instável também, eu apenas prefiro correr esse risco a deixar outra pessoa correr por mim, ou, no fundo, eu sei que minha anestesia emocional vai me deixar fazer o que for preciso. No fundo, depois de tudo isso, depois de Hyelim, eu acho que consigo.
Mas, caso não consiga, Josh sempre vai ter Yan e eu sei disso!
Yan, apesar de concordar, não apoiou as exclamações de Josh e eu disse repetidas vezes que ia ficar tudo bem, mas eu não consegui prometer que voltaria, não consegui mentir tão feio diante daquela carinha preocupada e isso deixou Josh bravo o suficiente para sair correndo.
Seth, que ouviu nossa conversa, seguiu meu irmão pelo refeitório e continuou o seguindo pela escola. Seth Cohen, mesmo com toda fofoca, tem, realmente, uma parte secreta de si, parte essa que mantinha contato com meu irmão e convívio com armas!
Carter Hill é uma cidade pequena, mas, acreditem se quiser, não pacata. Dener não fica de bunda para cima no departamento o tempo todo. Há uns três, ou dois anos atrás, o tráfico de drogas, que antes era imperceptível, se intensificou na cidade e, com ele, o índice de agressões aumentou, os pequenos roubos, sequestros relâmpagos, golpes... a parte afetada da cidade estava desesperada por dinheiro fácil para manter seu vício. O xerife deu várias entrevistas para o noticiário, afirmando que estava 100% dedicado na resolução desse, mas armas? Não, pelo visto, Dener não fazia ideia!
Notei que o xerife não apareceu depois da "reunião", assim como Lucy...
Eu devia ter ficado calada! Ou, pelo menos, ter sido mais amena! Merda!
Atenciosamente, nós guardamos os pratos deles com um pouco do arroz de Ava, respeitando a divisão. Já que Joshua, literalmente, fugiu de mim e Lucy, certamente, não quer me ver nem pintada de ouro, eu decidi ir atrás de Dener.
Não sem antes respirar fundo, eu saí do refeitório e, ao chegar no corredor principal, dou de cara com Dominic encostado na parede de armários, com suas roupas sujas de sangue seco, seu cigarro entre os lábios e, não posso ignorar o roxo na maçã do seu rosto que, com certeza, já estava aí antes de toda essa merda acontecer.
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