Meu coração parecia prestes a explodir.
É como estar se afogando em alto mar no meio de uma tempestade. Eu não posso respirar, sequer sei se quero.
Meu corpo inteiro parecia prestes a explodir.
E a única coisa que eu podia fazer era esperar.
Meus olhos arderam e, instantaneamente, eu chorei. Não consegui permanecer com os olhos fechados, mas agradeci ao perceber que a fonte de sangue havia secado.
Eu não quero imaginar. Eu não quero imaginar. Merda.
O monstrengo sob meus pés, banhado de sangue, como eu, ainda se mexia.
Céus! Eu estou como um deles agora, exatamente como um deles. Não morta, ou viva. Nesse meio termo ruim e agoniante. Mas perceber isso não me deu pena. Eu fui tomada por repulsa e pressa.
Rapidamente, eu deixei que a faca em minha mão acertasse em cheio a cabeça do monstrengo inquieto abaixo de mim.
Logo eu que estava inquieta, entre os dois corpos. Precisava respirar, mas é difícil quando está banhada por um mau cheiro que te faz querer vomitar. E eu congelei sentindo aquele vai e volta ácido na garganta.
Ao fundo, o silêncio me chamou atenção. Nada de tiros, nada de monstrengos, nada de vozes, apenas um silêncio desmedido. A quanto tempo?
Reuni as forças que me restavam e me estiquei para prender o quadril do monstrengo de cima na parte de fora do brinquedo. Se eu ficasse dentro desse escorregador por mais alguns segundos, acabaria sufocada.
Escorreguei até a parte mais baixa, onde a saída seria mais fácil e comecei a empurrar o outro monstrengo para liberar o pequeno espaço.
Retomei minha faca e saí em busca do ar puro do lado de fora.
Sair foi aliviante. Sentir a brisa bater, mesmo que contra minhas roupas grudentas, foi aliviante. Eu só não contava que minhas pernas falhas me fariam cair de joelhos depois da primeira pequena lufada de vento.
Mal consegui resmungar de dor, minha garganta estava seca, mas eu vi, de longe, cada boca aberta e cada olhar incrédulo me assistindo. Eu vi que a mira da submetralhadora de Dener estava em mim.
Nossa. Eu, realmente, não me importaria se ele puxasse o gatilho.
Eu também vi o medo estampado no rosto congelado de Yan, mas nem isso me energizou, pelo contrário.
Foram alguns segundos, poucos e torturantes segundos, até meu corpo ceder completamente ao chão.
Eu estava esgotada, ainda sem conseguir respirar direito, fui obrigada a assistir céu claro, com toda sua profundidade e poucas nuvens.
Viva, Josephine. Você ainda está viva. Respirar não deveria ser tão difícil assim.
Eu ouvi os passos apressados se aproximando, assisti, quase que como um telespectador, Yan limpar meu nariz sem pudor nenhum.
— Ei — ele chamou. — Ei, Josie! Você ainda está aqui! Ei!
Yan depositou sua mão na minha nuca e a ergueu do chão. Eu senti falta da pressão, mas odiei saber que ele estava me tocando naquele momento. Suja e grudenta.
— Eu sei — eu disse e vi um pequeno alívio no seu rosto.
Eu passaria horas o agradecendo por limpar meu nariz, entretanto, cada pequeno movimento que o toque de Yan me induzia a fazer me dava repulsa.
— Yan, sai — meu pedido soou em um sussurro.
— O quê?
— Por favor, sai — eu repeti. — Se afasta.
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DEVIR
Teen FictionDE.VIR [S.M] 1. Constante mudança. Vir a ser. Tornar-se. 2. Lei geral do universo, que cria, destrói, reconstrói e ensina. Eu li uma vez que o ser humano é desadaptado do mundo. E talvez seja mesmo, por isso está sempre no topo da cadeia. Vida ou m...
