— Pelo amor de Deus! — Ava gritou pela terceira vez desde que a conversa começou. — O senhor só pode ter perdido a cabeça, xerife!
— Pare de gastar saliva, Srta. Gardner! — Dener debochou.
— É perigoso! — a garota insiste.
— Perigo não é algo novo, menina!
— Meu Deus! — Ava resmunga, algo que deixa Dener ainda mais inutilmente bravo.
— Isso! — o homem esbraveja. — Continue chamando por Ele, quem sabe Ele não escuta!
Ava estava, visivelmente, tão brava quanto Dener; lábios cerrados, testa franzida. Ela estava se esforçando para manter a raiva dentro dela, mas as sardas deixam qualquer expressão de Ava pacífica.
Está quase anoitecendo e Dener havia reunido todos em um grande círculo em pé no meio do refeitório para comunicar sobre as buscas. Foi quando Ava se manifestou.
Antes do assunto começar, um grupo de alunos decidiu ir embora. Seis pessoas. Disseram que estar em um grupo grande não significa estar mais seguro e, sim, mais exposto, o que não deixa de ser verdade, apesar de nós termos argumentado contra. O xerife disse que não precisavam dar explicações e os levou até as portas principais. Eu espero que eles saibam o que fazer e que fiquem bem!
Josh voltou para mim assim que entrei no refeitório, como se nada tivesse acontecido. Eu o cutuquei um pouco e pude ouvir um pedido de desculpas. Estamos bem, ele está bem e assim vai ficar, independente do que aconteça.
— Alguém mais quer contestar essa porra? — Dener voltou a esbravejar. — Ótimo!
— E o outro problema? — apesar de cansada de toda essa conversa grupal, eu pergunto ao xerife, me referindo ao enorme outro problema na extremidade da cidade.
— Oh, tem outro? E eu achando que já tínhamos o bastante! — Haven bufa.
— Tem um grupo grande deles a caminho daqui — o homem anuncia e, automaticamente, a expressão de todos se torna desespero. Os monstrengos não estão, exatamente, a caminho.
— E vocês vão sair mesmo assim? Isso que eu chamo de suicídio coletivo! — Dominic ri, dando folga do cigarro para a boca, mas logo tem seu riso cortado por uma carranca intimidadora de Dener.
— A caminho? Eles estão vindo de onde? — Yan se interessa.
— Da cidade, lá está um verdadeiro formigueiro! — concluiu Dener.
— Caçador de formigas! — Josh ri sozinho, distraído. Somos irmãos mesmo?
— E os caras da força tática? — Seth pensou alto. — Não vinham da cidade?
— Provavelmente começaram aqui e daqui não passaram! A escola um pouco afastada tem uma área menor do que a cidade inteira, então, devem ter achado que seria mais fácil! — Dener o responde.
— No que você pensou, Dener? — eu o apresso.
— É xerife, Srta. Long, até eu morrer, é xerife! — me corrigiu. — Logicamente falando, se não podemos enfrentar todos eles e nem correr deles, devemos nos esconder, camuflar!
Camuflar? Que piada!
— Como assim camuflar? Ficar no escuro? — Yan o questiona.
— Isso também — o xerife explicou. — Mas eles são como bichos, não são? Então, não vão nos encontrar se estivermos no meio deles! Se nós cobrirmos a escola com os corpos deles, seria como camuflar o prédio!
Meu Deus! Que corpos? Que eles? Hyelim não vai estar no meio disso! De jeito nenhum!
— O senhor está brincando? — Ayo arregala os olhos.
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DEVIR
Novela JuvenilDE.VIR [S.M] 1. Constante mudança. Vir a ser. Tornar-se. 2. Lei geral do universo, que cria, destrói, reconstrói e ensina. Eu li uma vez que o ser humano é desadaptado do mundo. E talvez seja mesmo, por isso está sempre no topo da cadeia. Vida ou m...
