Aymê narrando- a mão do Daniel se desprende da minha, uma lágrima escorre pelo olho dele, que depois de se apertarem com muita força, relaxam e se fecham para sempre, fico olhando o rosto dele ,tão calmo e sereno , beijo a testa ainda quente, ele se foi para sempre.
O médico entra, examina ele, e declara a hora do óbito.
Médico- sinto muito pela sua perda.
Saio da sala segurando o envelope e a sacola com a roupa, a roupa que ele escolheu para ser sepultado, ele sabia de tudo , planejou tudo , tá doendo tanto. A Isa me abraça.
Isa- hô amiga.
Perco as forças , sento no chão de frente para a sala vermelha, abraçada com o envelope e com a sacola, olho para a porta aberta, eu queria tanto ver o Daniel sair daquela sala vivo, e acordar desse pesadelo.
Isa- amiga vem, por favor!
Ela me ajuda a levantar, saímos do hospital e ela me levou para casa. Tem horas que parece um sonho ruim, que amanhã vou ver ele na aula, me olhando por baixo, sorrindo pra mim, brigando porque não estudei para a prova.
A Isa ficou o dia todo comigo, más a noite fico sozinha no meu quarto, a noite é tão cruel, ela faz a realidade ser ainda mais difícil de viver.
Saio de casa e vou olhar as estrelas, vai que o Daniel já ocupou o lugar dele e brilha pra mim, sento na escadaria e olho para o céu, más todas elas brilham igual, eu ri ao pensar que mesmo se ele virasse uma estrela ele não ia querer brilhar mais do que as outras.
Chorando eu pergunto pra Deus porquê ultimamente ele t tirando tanto de mim, falo também que eu aceito a vontade dele, más que tá difícil entender porquê tanta dor na minha vida.
O samurai tá descendo as escadas com o neném.
Neném- tá passando mal Aymê?
Enxugo as lágrimas do meu rosto e levanto.
Aymê- não amigo eu tô bem, só tô triste mesmo.
O samurai fica de cabeça baixa.
Neném- a Rafa me falou a parada lá do professor, pesado, meus sentimentos, se precisar de qualquer coisa é só chamar.
Ele me abraça com carinho, beija meu rosto.
Samurai- vai descendo lá mano, marca um dez que depois eu vou.
Neném- de boa.
O samurai não falou nada, só me abraçou, encosto a cabeça no peito dele, as lágrimas voltam a jorrar, elas se misturam a tantos motivos agora ,que se disputam para saber qual é o que dói mais.
Com os dedos dentro dos meus cabelos, ele acaricia minha nuca, sem dizer uma palavra, ele me conforta. Me solto dos braços dele, antes que eu me perca nesses braços dele de novo.
Aymê- tenho que ir, obrigada!
Samurai- tá de boa.
Entro em casa, passo a noite acordada, pensando no Daniel. Levanto cedo tomo banho, a Isa me leva até a funerária, a mãe dele resolveu tudo, eu só vou levar a roupa.
Isa- amiga, você já viu a roupa que ele escolheu?
Aymê- não, ela estava muito embalada eu não quis abrir e não sabia pra que seria a roupa , e depois eu não tive coragem.
Isa- abre, vamos ver.
Abro o pacote com a roupa, a roupa é muito a cara dele, fashion, elegante um terno azul bebê, com uma gravata borboleta verde, definitivamente não é um traje para ser enterrado.
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Turano
RomanceEle é Samurai dono do morro do Turano, amado pela comunidade, odiado pela irmã Rafaela , ele finge não se importar , más fica bolado. Ela é Aymê uma moradora do Turano , ela carrega na alma a dor de ter visto o pai morrer por engano nas mãos dos tra...
