10º Capítulo "1 mês e 21 dias depois..."

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"2 semanas depois..."

Depois de esperar por uma infinidade que eu não soube calcular, ela finalmente respondeu:

–É tão difícil aceitar que você viveu assim por tanto tempo – ela disse por fim. – Aceitar que teve tantas mulheres que mal consegue contar. Eu não consegui sequer especular diante daquele número, e ele se refere à apenas um ano. Um mísero ano!

–Eu sei que isso te assusta, Maraisa, mas não vamos a lugar algum se você não parar de focar no que eu fui. Faz parte de mim e sempre fará. Eu não posso mudar o passado. Faria isso por você, juro que faria desesperadamente, mas não está ao meu alcance. Simplesmente não me interessa com quantas mulheres transei. É só você quem eu quero. Já disse uma vez e vou repetir: você é a minha última. 

Silêncio.

–Por que eu? – Maraisa murmurou baixinho, mas consegui escutar. – Podia ser qualquer outra mulher. 

Essa mulher só pode estar brincando.
Porra, ela não faz ideia?

Então era isso. Ela não conseguia entender os motivos de eu tê-la escolhido. Maraisa não sabia por que eu a amava. Não compreendia o que a diferenciava de todas as mulheres com quem estive durante todos aqueles anos.

Pensei numa resposta, mas a verdade era que nem eu conseguia explicar as propriedades da semente mágica que plantou aquele amor em mim.

Depois de muito refletir, falei baixinho:

–Podia ser qualquer outra mulher, mas foi você. É como se estivesse me perguntando por que o céu é azul, podendo ser qualquer outra cor. Mas não... O azul é azul. E a gente o admira e gosta dele como ele é.

Mais silêncio.

Subitamente, senti a porta se abrindo nas minhas costas. E meu coração deu um salto tão grande.

Afastei-me um pouco e olhei para trás, percebendo que Maraisa também estava sentada como se estivesse de costas para mim o tempo todo.

Quando nossos olhares se encontraram, senti a bendita semente exatamente no mesmo lugar onde foi plantada. Estava ali: existia, pulsava, crescia. Eu estava afogado em seus dois lagos negros. Era irreversível e inquestionável. 

–Seus olhos são castanhos e não são considerados raros, impressionantes ou lindos como olhos verdes e azuis. Sua pele é considerada branca demais – ela murmurou entre lágrimas, encarando-me do jeito que me deixou apaixonado. – Mas eu não queria que seus olhos fossem de outra cor, e para mim são impressionantes e tão lindos.  Eles têm que ser assim. Sua pele tem que ser assim, exatamente como é. Só quero se for assim...

–Eu não queria que fosse outra mulher – completei o raciocínio. – Tem que ser você. Assim, do jeitinho que você é. É o meu maior desejo. Sempre.

Maraisa avançou na minha direção com selvageria. O impacto foi tão intenso que nossos corpos foram jogados para o outro lado do corredor. Bati minhas costas na parede, mas fui incapaz de sentir dor.
Já encontrava o caminho para os lábios daquela mulher, da minha mulher.

Ela me envolveu com suas pernas grossas, mantendo-me por baixo como se fosse minha dona. E era. Apertei-lhe a carne por dentro do shortinho jeans que usava. 

–Eu te amo, Danilo. Te amo tanto, tanto. Eu sou uma boba! Uma estúpida! – choramingou enquanto me beijava com força. 

"Obrigada Deus, se tem algo que vou fazer, é mantê-la."

–Maraisa... – murmurei, afastando-a um pouco.

Estava completamente sem fôlego. Olhei seus olhos bem de perto.

The Trip  "Danisa"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora