17º Capítulo "2 meses e 4 dias depois..."

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"Maraisa"

–Olha quem está ali! – Bruna apontou para trás. Assim que me virei, vi Kaio conversando com o Danilo do outro lado do salão. – Merda! Olha a cara da Maiara! Tadinha, gente!

–Isso não vai prestar! – completou Fabrícia. – Se eu visse o Edu de novo acho que não ficaria com uma cara muito diferente. O que ele está fazendo aqui, afinal? 

Ninguém respondeu.

Ficamos quietas, observando o modo caloroso como Danilo recebia o colega.
Maiara estava com cara de mosca morta, encarando o Kaio como se ele fosse uma aberração.
Melissa logo lhe segurou uma mão, dando apoio moral. Um apoio que não deve ter adiantado, pois Maiara continuou do mesmo jeito: petrificada.

Tudo piorou quando o Kaio a percebeu ali. E então ele estava tão estático quanto ela. Nossa reação em conjunto foi uma só: começamos a rir. Não foi culpa nossa, juro, a Clara quem começou a gargalhar como uma hiena. 

–Alguém está gravando a cena? Digam que sim! – ela falou alto demais, por isso Fabrícia lhe deu um beslicão e levou o dedo indicador à boca, sinalizando para que falasse mais baixo.

– Meu Deus, olha como eles estão conectados!

Kaio foi incapaz de desviar os olhos da Maiara.
Clara tinha completa razão: pareciam ligados por algo que não conseguíamos enxergar. Tudo bem que tinham passado uma noite juntos na minha despedida, mas nada justificava aqueles olhares intensos. Não daquela forma tão explícita.

Será que...

–Se eu não conhecesse a Maiara,  diria que está caidinha por ele – murmurei.

–Conhecendo-a perfeitamente, digo que está sim – Bruna definiu.

Perdi a fala, pois não tinha o que questionar. As evidências estavam bem na cara. 

Vimos quando Danilo falou algumas coisas e puxou Melissa à força, deixando-os sozinhos. Claro que ele também tinha notado que alguma coisa acontecia entre os dois. Não sei se faria igual, mas estaria sendo hipócrita se dissesse que o Kaio não era um cara que a Maiara devesse se envolver. Portanto, decidi me manter em cima do muro e não emitir opinião alguma sobre isso.
Ela era adulta, afinal.

–Olha o jeito como ele olha pra ela! – dessa vez foi a própria Fabi quem falou alto demais.

Sussurramos um “ssshh” em uníssono. 

Neste momento, um garçom passou por nós e parou, desviando nossas atenções. Trocamos nossas taças, pegando as cheias e tomamos, quase ao mesmo tempo, generosos goles. O Chablis estava delicioso; eu havia gostado mais do branco do que do tinto.

–Vou perguntar ao Danilo o que ele disse – falei e me movi depressa demais para o lado. Não deu outra, acabei esbarrando em uma mulher loira muito bem vestida. A metade do conteúdo da minha taça foi parar em seu vestido azul-marinho elegante. Parecia caro. – Ai, meu Deus, me desculpa!

A mulher olhou para si mesma e pareceu espantada com a mancha enorme que se espalhava ainda mais, mediante o Chablis ia escorrendo. Um garçom parou e nos ofereceu um lenço. Pedi desculpas mil vezes até que a mulher resolveu parar de me ignorar.

–Tudo bem, querida. Não foi nada – disse educadamente. 

–Vamos ao toalete, vou ajudá-la a se secar – propus e, devagar, seguimos rumo ao sanitário.

Era um espaço razoavelmente grande. Tinha apenas duas cabines, mas a área entre elas e as pias modernas era maior, contando com um banco de madeira trabalhada, para dar apoio, e espelhos gigantes.
Peguei um monte de papel absorvente e começamos uma luta frenética para fazer o vestido voltar a ganhar o tom azul-escuro certo. 

The Trip  "Danisa"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora