15º Capítulo "Mais adjetivos"

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"Mais adjetivos"

Chegamos à praça com muita tranquilidade. Eu havia parado de
chorar e me mantinha silenciosa, enquanto Danilo segurava o meu blazer nas costas.

Só me senti um pouco melhor quando entreguei a embalagem de comida a uma senhorinha que estava sentada em um dos bancos de cimento. Ela pedia dinheiro com um chapeuzinho surrado e parecia com frio.

Danilo resolveu doar a própria jaqueta para ela, que ficou contente
e nos fez ganhar o dia. É sempre bom fazer o bem. Sinto-me mais leve quando percebo que fiz alguma coisa certa e é por isso que faço em todos os âmbitos da minha vida. Bom, pelo visto, menos em um.
O meu coração não ia nada bem...

Adoraria conversar com Danilo, mas não encontrava assunto. Não queria falar nada sobre o casamento, a prostituição, nem sobre o fim de semana ou qualquer coisa que envolvesse nós dois.
O maior problema era que todos esses assuntos estavam na minha cabeça, de modo que não conseguia pensar em nada diferente.

- Você vai trabalhar sempre assim, elegante? - ele perguntou quando estávamos cruzando uma pequena ponte.

Havia um riacho abaixo de nós.
Era um lugar bonito, bem arborizado. Tinha até uma pista de cooper.

Olhei para mim mesma.
Estava vestindo uma saia cinza
combinando com o blazer e uma blusa fina de seda na cor champanhe.
Meu sapato scarpin era de salto e bem discreto, mais ou menos da cor da minha pele.

- Gosto de me vestir bem.

- Você tem bom gosto em tudo. - Ele fez a caretinha.

Senhor...Dai-me forças.
Por favoorrr...

- Não me generalize.

Danilo riu.

- Tem razão, devo conhecer apenas a sua ponta do iceberg. Mas pode ter certeza de que fico impressionado cada vez que descubro mais sobre você.

Corei um pouquinho.

- Posso dizer o mesmo de você - murmurei.

Andamos em silêncio até alcançarmos um banco de ferro que ficava de frente para um chafariz.
Era uma construção antiga, diferente. Dois anjos cuspiam as águas que escorriam aos montes, provocando um barulhinho que mantinha a constância.

Ficamos observando os anjos por um bom tempo, calados. Eu não pensava em nada, apenas observava tudo ao meu redor e tentava manter a respiração calma.
Às vezes passava uma rajada mais forte de vento, e conseguia sentir o cheiro dele bem de leve. Toda vez que isso acontecia, meu couro cabeludo arrepiava.

Foi olhando para o céu do fim daquela tarde que me lembrei de um assunto.

- Ei! Preciso ver seu portfólio! - gritei. - Está com ele aí?

- Ah... - Danilo pensou um pouco. - Não, na verdade não trouxe.

- Poxa, quero muito que tire umas fotos do casamento. É sério! -Peguei a minha bolsa e puxei um convite.

Sempre guardava um dentro dela, caso encontrasse alguém que tivesse me esquecido de convidar para o casamento.
Claro que isso não chegou a acontecer, visto que a minha lista foi repassada pelo menos umas trezentas mil vezes.

- Tome, é seu.

Ele pegou o papel prateado e o observou dos dois lados. Hesitou um pouco, olhando para mim.
Depois puxou uma pequena aba para fora, e o convite se abriu inteiro em formato de coração.

- Legal... - Suspirou.

Realmente era legal. O convite estava mesmo muito bem formulado.
Além de ele se abrir em forma de coração, tinha uma foto minha e do João estampada, e as informações do convite ficavam ao redor.
Aquele design custava uma nota, mas, como dizia o dono do Jurassic Park,

The Trip  "Danisa"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora