14º Capítulo "2 meses e 4 dias depois..."

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"2 meses e 4 dias depois..."

Maraisa já tinha separado a roupa que eu usaria, nem me pergunte a que horas ela fez aquilo, pois não a vi parar quieta nem por um instante. Deixou o traje em cima da cama com um bilhete, avisando que chegaria um pouco mais tarde e que eu deveria ficar pronto logo.

Um homem geralmente não demora a se arrumar – pelo menos sou bem rápido –, mas fiz questão de ir devagar. Um nó deixava meu estômago embrulhado, fiquei com dor de barriga durante quase o dia todo, mas sabia que era tudo psicológico. Não posso negar: podia até nadar no meu nervosismo. Uma apreensão maciça tomou conta de mim e, apesar de fazer vários exercícios de respiração – similares àqueles que as grávidas fazem para ter o bebê –, de nada adiantou.

Não fazia ideia do que estava me aguardando. Maraisa simplesmente não me permitiu entrar no estúdio. Havia organizado todos os pôsteres e quadros que seriam expostos, mas sequer me deixou pendurá-los. Tinha certeza de que ela havia exagerado na comemoração, porém deixei quieto. Motivos para comemorar não me faltavam, portanto nada mais justo do que exagerar.
Um exagero que pedia terno preto com camisa azul-clara e gravata lilás. Uma combinação interessante e charmosa, que só podia ter sido escolhida por ela. Gostei do que vi no espelho, e gostei mais ainda da sensação de estar recebendo seus cuidados. Acho que estava ficando mimado com a atenção constante e sempre romântica que Maraisa me dava.

Ela chegou à nossa casa e me achou no banheiro quando eu terminava de espirrar um pouco de perfume – sabia que gostava daquele. Como previsto, beijou a minha boca e inspirou o meu cheiro com muita vontade.

– Estou quase arrancando este terno de você, mas não podemos nos atrasar.

Percebi que já estava maquiada e penteada de um jeito elegante que só ela conseguia ficar, provavelmente havia frequentado um salão. Como todo homem deve fazer com a mulher que ama, elogiei sua beleza. Voltei a soltar mais elogios quando ficou pronta, usando um vestido vermelho divino, que combinava com a cor de seus lábios carnudos. 

– Estou quase arrancando este vestido... Mas, enfim... Não podemos nos atrasar – sussurrei em seu ouvido, tendo consciência de que sua pele havia se arrepiado durante o processo.

Maraisa se virou na minha direção e, como se adivinhasse todos os meus receios e soubesse exatamente o que eu queria ouvir, disse com a voz suave:

– Vai dar tudo certo, lindo príncipe.

Sorri torto, incapaz de não acreditar nela.

Sinceramente, pouco importava se tudo daria certo ou não. Assim que chegamos à entrada do estúdio, tive certeza de que já tinha valido a pena. Só a fachada estava impressionante; com faixas prateadas dispostas de modo estratégico e que ficavam ainda mais brilhantes por causa da iluminação apontada para elas. Além disso, pude identificar várias fotos que eu havia tirado em nossa viagem para a casa de campo da Júlia. Paisagens perfeitas, bem iluminadas e dispostas em uma espécie de banner que tinha um caimento similar ao das faixas, seguindo basicamente o mesmo trajeto.

Meu queixo caiu.

Enquanto me aproximava, abraçando a Maraisa lateralmente, perdi a fala. Um segurança elegantemente vestido nos cumprimentou assim que passamos por ele, mas quase não tive capacidade de cumprimentá-lo de volta. 

Maraisa nos fez parar de repente e virou o rosto na minha direção.

– Antes de entrarmos, preciso fazer uma pergunta.

Sorri torto, criando expectativas que me assustavam tanto quanto me deleitavam.

– Faça logo – consegui dizer.

The Trip  "Danisa"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora