"1 mês e 24 dias depois..."
Os dias ficavam cada vez mais cansativos. As coisas que tive que resolver para conseguir abrir o meu estúdio o mais depressa possível me deixavam exausto, mas, por outro lado, nunca estive tão satisfeito. Ainda era uma alegria sem limites ver a minha vida se transformando, acho que demoraria muito até que eu enfim me acostumasse com cada detalhe que me fez sair de uma rotina indigna.
Tentava aproveitar cada minuto que passava como se estivesse compensando todo o tempo perdido. A ideia era exatamente essa.
Depois que o espaço foi desocupado pelo Sr. Jefferson, dono da sapataria, comecei a reformar logo no dia seguinte. Os papéis não deram problemas graças à atuação do meu advogado juntamente com o Jaime, contador da Maraisa – que agora também era o meu. A situação do local estava muito boa, porém algumas adaptações tiveram que ser feitas.
Acompanhei o passo a passo de cada detalhe, claro, com a ajuda fundamental da Maraisa.
Ela deu um toque mais leve a todo o ambiente, com suas boas opiniões e um bom gostoso incrível, por isso o resultado não pôde ficar longe da perfeição.
Todos os ambientes internos haviam ficado prontos naquela semana, faltando apenas o salão que compunha a entrada.
Ali ficaria a recepção.
Só havia um grande problema: eu ainda não tinha uma recepcionista. Que, no meu caso, seria um recepcionista. Sabia que Maraisa morria de ciúmes de mim – mesmo que tentasse passar por cima disso pela maior parte do tempo –, portanto decidi que só trabalharia na companhia de homens.
Era melhor assim.
Desta forma, além do contador, já tinha adicionado mais três membros à minha equipe: um zelador para cuidar da limpeza e dois colegas de sala da época em que fiz o curso de fotografia – foi uma sorte imensa eu ter encontrado dentro de um bloco de notas o telefone da turma inteira, se não me engano alguém havia conseguido os números e tirado xérox para que pudéssemos entrar em contato uns com os outros caso precisássemos. Já havíamos nos reunido várias vezes a fim de discutir sobre os serviços, funções, horários, preços e andamento de todas as atividades no estúdio.
Eles estavam bastante animados para começarem – embora na prática já tenham iniciado e passavam pelo menos a metade do expediente testando equipamentos e dando opiniões profissionais –, permaneciam dispostos a me ajudarem no que fosse preciso.
A inauguração estava prevista para dali a duas semanas. Maraisa sugeriu que uma data fixa fosse estipulada de acordo com o planejamento – que repassávamos quase todas as noites para que não houvesse surpresas.
Ela se propôs a organizar uma pequena festa de inauguração, que seria numa sexta-feira à noite. A abertura, de fato, aconteceria na segunda.
Eu não estava sabendo sobre nada daquela festa – ela não me deixou saber, tomando para si toda a responsabilidade – além de que usaríamos o grande salão de entrada para receber as pessoas.
Quem seriam essas pessoas não faço ideia, visto que meu círculo de amizades anda bem reduzido. Tudo bem que Maraisa sugeriu que fosse uma reunião aberta ao público – com a exposição de alguns dos meus trabalhos –, mas sabemos que esse tipo de coisa acaba sendo frequentada mais pela família do que por gente de fora. Bom, seja como for, estava animado.
Meu relacionamento com a Maraisa só fazia melhorar. A cada dia éramos ainda mais íntimos, não apenas na cama, mas em todos os aspectos. Estava começando a desvendar as minúcias daquela mulher; já sabia do que ela gostava, o que a fazia alegre ou triste e também aprendi a manter certa frequência com seus pensamentos.
Não se engane, Maraisa é um poço de mistérios que ainda não consegui desvendar em sua totalidade. Apenas compreendia que ia mais fundo a cada beijo trocado. Às vezes eu precisava voltar à superfície para tomar fôlego, porém sabia que jamais desistiria de chegar até o fim. Meu maior desejo era ir ainda mais longe.
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The Trip "Danisa"
FanfictionTotalmente fora dos seus planos, Maraisa concorda com uma despedida de solteira...
