20º Capítulo "4 meses depois..."

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"4 meses depois..."

Minha vida com Maraisa continuava feliz, o que me fazia esquecer aquele pressentimento lá no fundo, ou talvez fosse medo mesmo. Sentia que teria problemas, mas tudo estava tão calmo...

Eu estava separando alguns envelopes, trabalho que me vi obrigado a fazer por não ter conseguido um recepcionista. Depois de três estagiários, um mais tapado do que o outro, simplesmente desisti de encontrar alguém de confiança para o serviço.

Mas minha desistência durou pouco. Lembrei-me do Kaio depois que vi a Maiara saindo da loja da Maraisa no dia anterior.
Parecia meio triste, cabisbaixa... Quase se esqueceu de me cumprimentar de volta quando o fiz. Perguntei à Maraisa o que tinha e ela me disse que Maiara ainda sofria por ele.

Soube de toda a história que aconteceu na inauguração e, para mim, estava mais do que claro que o Kaio havia feito aquilo porque achava que Maiara era demais para ele. Resolvi deixar para lá, afinal, cada um sabe o que faz. O problema era que eu precisava de um recepcionista, e a Maiara, depois de dois meses, ainda pensava nele. Ou seja, uma ótima oportunidade de juntar o útil ao agradável.

- E aí, mano! - Kaio cruzou o salão da recepção do meu estúdio e veio me encontrar atrás do balcão.

- Ei, cara! Como estão as coisas? - Cumprimentamo-nos com um abraço lateral.

- Caminhando. Fiquei surpreso com a sua ligação.

- Pois é... Preciso te fazer uma proposta, podemos conversar?

- Claro!

Sentamos de um jeito largado no sofá do escritório.
Eu estava meio cansado, e o Kaio não tinha cerimônias, o que deixou o ambiente leve e informal, mesmo que o assunto entre nós fosse sério.

Fiz uma proposta direta, sem enrolação. Falei da minha necessidade e dificuldade de arranjar alguém apto para o cargo, descrevi cada função detalhadamente e, por fim, lancei um valor que achava justo para o pagamento.

Kaio ouviu tudo em silêncio, encarando-me com seriedade e atenção. Não pareceu estar gostando ou odiando a proposta, por isso, depois que falei tudo, simplesmente não sabia dizer se havia conseguido um novo funcionário ou não.

- Danilo... Eu tenho um emprego - essa foi sua única resposta.

- Sei que tem, mas não te desejo esse emprego. Você é muito novo, Kaio, dá tempo de recomeçar antes que seja tarde. Aqui ou em qualquer outro lugar, queria muito que deixasse esse tipo de vida. Não vale a pena.

Ele ficou me olhando com uma expressão estranha. Havia um meio sorriso em seus lábios, porém não consegui ver qualquer resquício de graça em seu olhar.
Na verdade Kaio parecia desconcertado, o que acabou me fazendo perceber que a minha abordagem foi patética.

Claro que Kaio ganhava muito mais com a vida de garoto de programa. E certamente trabalhava bem menos. Sei disso porque minha rotina se tornou extremamente mais cansativa e estressante do que quando vendia o meu corpo.

As horas passavam mais rápido e era difícil pensar direito nas coisas. Tudo só piorava quando me via pensando em sexo o dia inteiro; meu corpo e mente às vezes exigia, reclamava a abstinência.

Eu chegava à minha casa tão exausto que várias vezes não conseguia fazer amor com a Maraisa do jeito que queria - muitas noites sequer encontrava forças para transar -, e então acabava frustrado.

Bom... Pelo menos as coisas no estúdio estavam rendendo bons frutos. Estava positivo com relação ao futuro: só alguns meses e eu poderia me dar certos luxos que incluía sair mais cedo do trabalho. A presença de um recepcionista competente é um dos pontos fortes para que isso seja possível.

The Trip  "Danisa"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora