"Maiara"
1 ano, 7 meses e 11 dias depois...
Amor-próprio.
Talvez o tipo de amor mais difícil de conquistar.
Tem gente que passa a vida inteira sem ele - uma pena, mas acontece - e há quem o possua tanto que acaba se tornando uma pessoa orgulhosa demais - o que acaba sendo tão triste quanto se não tivesse. O equilíbrio precisa existir, afinal, a diferença entre o remédio e o veneno é apenas a quantidade.
Pode parecer filosofia de gordinha que não tem a capacidade de emagrecer, mas não há nada mais gostoso do que se aceitar do jeito que é. Aliás, para quem acha que sou uma fracassada, por não vestir manequim trinta e oito, só tenho a dizer que é muito mais difícil se aceitar do que emagrecer.
É por isso que tem tanta gente magra insatisfeita. É por isso que existem doenças como a anorexia e a bulimia.
Hoje eu me sinto uma vencedora.
E não foi porque acabei de me casar - isso só é uma consequência da mágica que aconteceu comigo. Sou uma vencedora porque, antes mesmo de vencer a balança, consegui derrotar o espelho. Impressionante como, depois disso, a balança deixou de ser a minha inimiga mortal para se transformar no que realmente é: um simples objeto que mede o peso.
É meio esquisito se eu disser que tudo que achava estar contra mim se virou ao meu favor?
Fiz as pazes com o mundo, e me senti uma idiota quando percebi que não era ele quem estava de mal comigo - a implicante, desde o começo, sempre fui eu.
Que vergonha de mim por ter demorado tanto a entender que valho a pena! Mereço tudo de bom porque busco fazer por onde; trato as pessoas bem, procuro ser justa, sei ser boa amiga, filha, namorada...
Além do mais eu sou linda do jeito que sou. Se todos fossem iguais o mundo ia ser uma grande porcaria; meu maior problema foi não ter aceitado que existem várias belezas, e que todas elas devem ser valorizadas.
Aprendi que eu realmente mereço o que a vida me deu, pois se não merecesse ela jamais teria me dado.
Mereço um marido lindo, que me ama muito, é sexy, sarado e tão fofo que me dá vontade de apertar as minhas próprias bochechas - que são redondinhas, mas é isso que as faz serem belas.
A vida só começa a fazer sentido quando nos colocamos como protagonistas. Chega de ser a gordinha coadjuvante, que assiste a todo mundo ser feliz, sonha acordada com um mundo que não existe e espera as coisas caírem do céu enquanto se martiriza por não caber numa maldita calça jeans.
Eu realmente me sentia uma protagonista mais diva impossível daquele modo; de pé em cima da cama, tendo o meu marido lindo me tocando com lentidão.
Ele estava sentado na cama, agarrado a uma perna minha - que era grossa mesmo, e daí? Pernas grossas são o que há, não importa se as calças se estragam nos fundilhos... - massageando-a e a beijando enquanto me tirava a meia branca, bem sensual.
Meu vestido de noiva havia sido retirado na sala do enorme quarto de hotel. Portanto, eu só vestia uma lingerie branca com direito a corpete e cinta-liga.
Muito sexy.
Eu me sentia irresistível, de verdade.
A musa da novela das oito.
Acho que consegui causar o efeito que queria, pois o Kaio parecia arder de tanto desejo. Seus olhos clarinhos se ergueram e me observaram seriamente, indicando que eu não podia estar mais excitante do que aquilo. Sorri, sentindo-me a mulher mais linda e realizada do mundo. E ai de quem duvidasse disso.
Já havia arrancado o fraque elegante do meu marido - era todo preto com a gravata e demais detalhes prateados -, portanto ele usava apenas a calça. Seus braços fortes e tatuados seguravam a minha pele como se implorasse por ela. E eu cederia, pois tudo o que é meu agora o pertencia.
VOCÊ ESTÁ LENDO
The Trip "Danisa"
FanfictionTotalmente fora dos seus planos, Maraisa concorda com uma despedida de solteira...
