"Bela adormecida, Persuasão"
Marlos convidou as garotas a irem para a sala, dizendo-lhes que uma surpresa especial as aguardava.
A música parou de ser tocada, e me juntei aos meninos perto das gaiolas. Eles estavam ansiosos, mas não demonstravam. Procurei fazer o mesmo, fingindo normalidade.
De fato, tudo aquilo era normal. Não devia estar nervoso com algo tão idiota. Todos ali eram adultos, sabiam se cuidar. Nenhuma cliente era obrigada a fazer nada, portanto minha preocupação era infundada e, por que não dizer, tola.
Marlos saiu pela porta de vidro, fechando-a atrás de si. Seu velho sorriso sempre o acompanhava, seja qual fosse a situação.
-E então? - foi João quem decidiu perguntar.
-Ficaram bem surpresas - ele disse, aproximando-se um pouco mais. - Maraisa pediu um minuto a sós com elas. A coitada ficou branca como um papel. - Gargalhou.
Os caras o acompanharam, mas não achei graça.
Qualquer pessoa comum ficaria chocada com a situação. Quem não era acostumado àquele tipo de coisa certamente acharia tudo um absurdo. Eu me decepcionaria muito se Maraisa tivesse agido com naturalidade mediante à proposta do grupo. Não quero dar um de santinho e nem ser hipócrita a ponto de dizer que prezo por pessoas recatadas, afinal, minha vida é feita de luxúria. Gosto de liberdade sexual e acredito que todo mundo precisa dela para se sentir bem consigo mesmo. É questão de autoestima e autoconhecimento.
No entanto, existe um "quê" de mistério enraizado em mulheres inocentes.
Curto a inocência, é uma coisa que me atrai, talvez por ser algo que não possuo há muito tempo. Tudo bem, sei que sou um poço de contradições, visto que na hora do sexo jamais diferenciaria uma gostosa libertina de uma virgenzinha pura. Para mim, são todas iguais. Meu tratamento é exatamente o mesmo, em ambos os casos dou o meu melhor. No fim, não importa muito o que me atrai ou a minha opinião sobre a inocência. Tente me compreender; eu sou obrigado a transar do mesmo modo. Meu desejo está à venda para quem quiser comprar.
Os garotos conversavam sobre coisas que sequer chegavam a ser processadas pelo meu cérebro.
Estava absorto e muito concentrado, por isso vi o exato momento em que Maraisa abriu a porta de vidro. Ela parecia desconcertada.
Sua pele estava levemente rosada nas bochechas.
-Marlos, pode fazer o que deve ser feito - disse com a voz vacilante.
Depois, tornou a entrar na sala de estar.
-Vamos lá, meninos. Boa sorte! - Marlos falou, e o acompanhamos para dentro da casa.
A sala estava bem iluminada, pude ver perfeitamente os rostos das meninas. Elas estavam sentadas no sofá preto de couro, silenciosas.
Ficaram nos observando de cima a baixo, um por um. Permanecemos de pé, formando uma fila horizontal, expondo nossos corpos como se fossem produtos num supermercado. É isso aí. Meu corpo é um produto; faço a propaganda, o controle de qualidade e vendo para a cliente que pagar mais. Pode parecer chocante colocar as coisas desse jeito. Bom, pode ser, mas este sou eu. Não adianta ficar me mascarando, aprendi a assumir o que sou.
Maraisa estava olhando para o chão, admirando algum ponto inexistente do piso de azulejos brancos. Parecia nervosa, assustada... Balançava a cabeça de leve, quase imperceptivelmente. Talvez estivesse travando alguma batalha interna. Daria tudo para ler seus pensamentos.
Os caras permaneceram calados, muito quietos e sérios, assim como eu.
-Maraisa, querida, é só escolher. Irei apresentá-los agora. Este você já conhece, é o Marcelo - disse Marlos, apontando para o meu colega.
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The Trip "Danisa"
FanficTotalmente fora dos seus planos, Maraisa concorda com uma despedida de solteira...
