30º Capítulo "Escolhi o par perfeito"

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             "Escolhi o par perfeito"

10 meses depois...

Estacionei em frente a uma das joalherias mais famosas da cidade. Não estava acostumado com aquele carro, mas só me restava aprender a gostar dele. Bem que aquele HB20x era bonito e estiloso – Maraisa o chama de Black Cat, por ser um modelo preto e também porque eu amo gatos –, mas nada se compara à minha querida Charlotte. Uma pena, mas precisei de me ver livre dela e comprar um carro bem mais barato. Até porque minha nova condição de vida estava mais para um Hyundai do que para uma BMW. Não que um Hyundai fosse pouca coisa, muito pelo contrário.

Estava feliz demais. Animadíssimo com a nova etapa que nossas vidas estavam seguindo.

Foram seis meses de tanta correria que mal consegui parar para respirar. Tudo isso por causa do meu pai, mas ele, no fim, tinha total razão. E, graças a ele, aquela loucura havia acabado mais cedo do que planejei. E da melhor forma possível, por sinal.
Assim que Maraisa voltou para o nosso apartamento – não quero nem me lembrar de como foi um pesadelo viver vinte e quatro horas sem ela –, recebi uma ligação séria do meu pai e marcamos de nos encontrar.

Meu pai havia movido céus e infernos para conseguir mobilizar amigos de variados níveis da área jurídica. Depois que viu meu e-mail, simplesmente virou bicho. Sei bem que o velho é teimoso que nem um gado empacado; não ia desistir, mesmo sob meus protestos. Por milagre divino, ele sequer me deu sermão por ter agido de um jeito esquisito no vídeo que gravei para incriminar a Fernanda Pires. Sua indignação foi tanta que tentou me convencer de todas as formas a processar a maluca. 

Maraisa ficou com medo no início, mas, depois de uma longa conversa com o papai, ele também acabou a convencendo.

Na mesma semana, uma equipe de perícia rodeava nosso apartamento, procurando as escutas e verificando os nossos celulares. Depois que descobrimos um microfone diminuto atrás do sofá, foi impossível não desejar acabar de vez com a raça da maldita.

Tínhamos tantas evidências contra ela que foi considerado fácil abrirmos os processos; Maraisa tinha mensagens de texto em seu celular, ligações anônimas que logo foram analisadas para que encontrássemos o número correto, até mesmo o pen drive que tinha sido mandado pela ministra. Eu tinha o vídeo, que a incriminava de desviar dinheiro público. Claro que tudo geraria uma confusão sem tamanho, o escândalo seria a nível nacional e todo mundo estava se preparando para aquilo.

Não tive dúvidas de que era o certo a ser feito depois que meu pai disse seriamente que eu estaria ajudando o país inteiro se a denunciasse. Afinal, a saúde pública estava nas mãos de uma louca perturbada.

Ele completou dizendo que eu não devia ser egoísta e poderia utilizar aquilo para me redimir da minha antiga vida “de pecado”. Suas palavras me tocaram de um jeito incrível, fazendo-me compreender que processá-la não era uma mera opção, mas sim um dever.

Maraisa acabou abrindo o jogo para seus pais. Achou melhor contar tudo de uma vez do que esperar a bomba explodir nas mídias, o que certamente aconteceria, mesmo eu tomando todas as precauções, ajudado pelo meu pai, para me manter o mais discreto possível. Claro que eles detestaram a situação, principalmente o Sr. Hugo, que passou meses me olhando atravessado. Acho que ele nunca superaria aquilo totalmente, mas pelo menos jamais me tratou mal ou foi desagradável comigo.

Dona Izabel foi bem mais amena, ofereceu-me seu mais sincero apoio, pelo qual agradeci bastante.

Passamos seis meses tentando segurar uma barra pesadíssima.

O início foi realmente tenso. As coisas ficaram tão ruins para Fernanda Pires que ela foi obrigada a deixar o cargo logo de cara. Abriram inquéritos, descobriram ainda mais bandidagens sobre ela, que incluía o fato de manter mais dois garotos de programas além de mim e uma roubalheira envolvendo medicamentos genéricos. 
Foi um escândalo.
O país inteiro ficou chocado e não se falava de outra coisa.

The Trip  "Danisa"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora