"Noiva em fuga"
Atravessei o tapete vermelho depressa, tentando ignorar as pessoas que me olhavam com muito espanto.
Desci as escadarias da igreja, segurando boa parte do tecido do meu vestido.
Vozes chamavam o meu nome, mas estavam distantes. Ignorei-as. Continuei correndo por um longo estacionamento, percebendo que estava cheio.
Os carros de todos os familiares estavam lá.
O sapato branco de salto alto começou a machucar demais os meus pés, porém não ousei diminuir a velocidade.
Parece fácil fugir de uma igreja, mas não é. Um grande pedaço seu fica para trás, embora você sinta que a maior parte está seguindo adiante. Mesmo assim é um processo doloroso, movido por muitas incertezas.
A voz de Danilo soou mais uma vez na minha consciência:
"Eu te imploro... Me surpreenda".
Oh, sim. Havia surpreendido não apenas a ele, mas a mim mesma e a todos aqueles que me conheciam, de um modo geral. Claro, aquilo era uma boa lição. Eu experimentava o doce sabor do aprendizado, digerido minuciosamente a cada passo que dava para longe da igreja.
De quê adiantou ser certinha a minha vida inteira, pensando e repensando em tudo, para no fim descobrir que a minha felicidade estava em um lugar tão diferente do planejado?
Jamais teria conhecido o Danilo se não me permitisse o novo, o surpreendente. E nunca teria provado algo tão bom se não deixasse todo o meu raciocínio e sanidade de lado.
Pode ser loucura para muita gente...
E é. Foi a maior loucura que já fiz, mas acredito que também foi a decisão mais certa que tomei.
Sentido? Nenhum.
Há coisas que, como diz a música, só os loucos sabem... E só eles podiam me justificar.
Não provei para as pessoas que eu podia, mesmo sendo tão sensata, agir de forma diferente.
Não provei para o Danilo que tinha coragem o bastante para surpreendê-lo.
Não havia provado para o João que nove anos podiam se transformar em nada durante um curto espaço de tempo.
Não provei para as minhas amigas que não era uma pessoa perfeita, nem para os meus pais.
Depois de tudo o que fiz e passei... Simplesmente não provei nada
a ninguém. Só provei a mim mesma que posso, sou capaz de ir atrás do que quero. Tenho a capacidade de não apenas pensar, mas de sentir e agir de acordo com meus desejos.
Nunca mais eu os deixaria de lado. Cada um dos meus maiores desejos seria ouvido, e tenho certeza de que viveria loucamente feliz pelo resto da minha vida.
Talvez tudo o mais fugisse do meu controle. Bom, que assim seja. Se a felicidade não pode ser controlada, quem sou eu para ditar suas regras?
Consegui tomar um táxi depois de cruzar a primeira avenida. As ruas não estavam movimentadas, portanto foram poucas as pessoas que viram a noiva em fuga.
O taxista não fez perguntas, e eu lhe disse aonde ir sem hesitar. Usando as mesmas palavras do Danilo, sabia exatamente o que queria e o que podia fazer.
Do nada, comecei a gargalhar.
Muito, feito uma doida varrida.
O taxista olhou para mim e, incrivelmente, começou a rir também.
-O senhor deve estar achando que sou louca! - gritei, ainda rachando de rir.
-Só acho que você parece feliz por ter deixado o casório - ele respondeu.
Seu semblante era tranquilo e divertido. Parecia uma boa pessoa.
-Acredite, estou indo atrás da minha verdadeira felicidade!
-Isso é bom. Você tem coragem de ir atrás dela. Nem todos teriam, portanto você não é louca. Apenas quer ser feliz. Loucos são aqueles que não querem.
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The Trip "Danisa"
FanfictionTotalmente fora dos seus planos, Maraisa concorda com uma despedida de solteira...
