"Kaio"
1 ano, 7 meses e 11 dias depois...
Acredito que nunca vou deixar de ser quem eu sou.
Não faço o estilo de gente que fica se convertendo, tipo virando evangélico sem mais nem menos ou deixando de curtir as coisas que sempre curtiu – sempre achei isso um saco. Jamais vou abandonar o rock'n roll. Está circulando nas minhas veias, junto com o meu sangue.
Abandonei as drogas porque foi um lapso na minha vida; aquele drogadão perturbado estava longe de ser eu. Sabia que podia ser mais do que aquilo. Não costumo permanecer no erro, tive consciência de que estava seguindo um caminho errado e busquei coragem para fazer as coisas mudarem.
Puts... O fato é que todos devem acreditar quando digo que terei eternamente o espírito de adolescente revoltado.
Nunca parei para pensar que crescer é tão difícil, mesmo que todos os dias isso fique mais evidente. Minha vida sempre foi fácil e descomplicada; nasci em uma família boa, sempre tive bons estudos – apesar de nunca ter me interessado por eles –, fiz boas viagens e meus pais me deram tudo o que quis, embora minhas necessidades se resumissem a um skate, um ipod – para sempre ouvir meus rocks – e uma graninha para fazer minhas tattoos.
Meus pais nunca concordaram com elas, mas fizemos um acordo: ou tattoos ou piercings. Minha mãe disse que me mataria se eu andasse por aí cheio de piercing e que preferia um filho todo preto de tanta tatuagem a um com brincos pendurados.
Certo, estou viajando na maionese geral, mas é impossível não pensar na doideira que é a minha vida. Ou que foi. Sei lá, ainda acho que a doideira não teve fim. O que estava me acontecendo era muito louco, mas não tanto quanto o que passou. As drogas, a reabilitação, o envolvimento com a prostituição... Mesmo que tenham durado pouco tempo – ainda bem! –, com certeza renderam boas experiências. E, querendo ou não, bons frutos. Nada me tira a ideia de que meu destino estava direcionado a um dia de trabalho numa casa de praia, vendendo o meu corpo e, sem saber, deixando meu coração ser roubado até que ficou nas mãos de uma mulher.
Ela estava se aproximando devagar, e a sensação que eu tive foi de que o próprio ar que respiro ia embora a cada passo que dava ao meu encontro. Linda como sempre, puta merda!
Era difícil me segurar ali em cima, pensei que seria mais descomplicado.
Juro que deu muita vontade de chorar. Sei que ela devia estar se julgando naquele exato momento – sua carinha misturava emoção e desespero –, colocando defeito em tudo, mas eu realmente não conseguia ver nada de errado.
A perfeição, na minha mente, se resumia a ela. Não importa o que a louca acha, eu a amo.
Amo aquela mulher e todas as suas neuroses.
Amo suas curvas, fico louco com cada detalhe que a pertence.
Amo o jeito que ri, adoro quando começa a falar sobre seus papos cabeça.
Gosto do seu cheiro, do modo como me toca, da sua capacidade de sempre me tirar do sério.
De sempre mexer comigo.
Taí uma coisa que me mudou, mas que não me fez deixar de ser eu.
Os acontecimentos da vida servem para nos somar, certo?
O verdadeiro amor chegou para adicionar vida aos meus dias, e já não consigo imaginar como foi viver sem ter algo tão quente vibrando no meu peito.
Aquilo está na minha alma como as minhas tatuagens estão na minha pele.
Caramba... Eu só espero que dure tanto quanto. Não, com certeza mais, pois até tattoo desbota.
Ao som da marcha nupcial – mais clichê impossível! – Maiara finalmente se aproximou de mim.
A partir do momento em que percebeu – como eu, acho que tinha viajado na maionese o percurso inteiro –, seus olhos se arregalaram drasticamente.
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The Trip "Danisa"
FanficTotalmente fora dos seus planos, Maraisa concorda com uma despedida de solteira...
