2 anos, 7 meses e 12 dias depois...
Era complicado definir quem estava de fato esperando um neném - devo ter algum problema sério -, às vezes não conseguia me libertar da sensação de estar com a barriga tão grande quanto a da Maraisa. E coloque grande nisso! Nosso bebê havia crescido demais, deixando a coitada com um aspecto redondo que eu, particularmente, achei a coisa mais linda do mundo.
Claro que ela não concordava comigo, mas mulheres são loucas assim mesmo.
Bom, o fato é que jamais pensei que a Maraisa pudesse ser tão louca. Tudo bem que ela nunca foi totalmente normal - bem como eu, e é por isso que damos certo -, porém os últimos meses foram os mais sem sentido que vivi. Seus hormônios femininos em fúria estavam me enlouquecendo, pois nunca sabia se a Maraisa estava triste, feliz, com vontade de tomar sorvete de cupuaçu com catchup ou pronta para tirar as minhas roupas. Acredite, isso tudo pode acontecer em apenas um dia.
Loucuras à parte, é uma época maravilhosa.
Toda a nossa vida foi abrindo caminhos para a chegada do bebê; começando pelo quarto de hóspedes, que se transformou em um lindo quarto de criança. Acho que exageramos, pois ficou tão bem equipado e planejado que a nossa filha nos chamará de loucos assim que aprender a falar.
"Ops, nosso bebê."
Tenho que me controlar bastante para não me referir a ele no feminino. Maraisa me mata. Ou então fica gritando feito uma doida, e o estresse corre solto até que se acalme. Normalmente eu lhe dou uma barra de chocolate amargo como pedido de desculpas - ela nunca gostou de chocolate amargo, mas o nosso bebê aparentemente sim.
O problema maior é que a Maraisa decidiu que ninguém saberia o sexo dele.
Eu concordei no momento em que sugeriu, embora hoje estivesse arrependido. Sou um cara muito curioso, então essa dúvida é a morte para mim.
Ela sabe da minha preferência, mas não entende que vou amar aquela criança sendo menino ou menina.
Fiz questão de comprar produtos unissex - roupas, brinquedos, mamadeiras e absolutamente tudo de que iremos precisar estavam em cores amarela, verde ou laranja.
A minha mãe concorda com a Dona Isabel; ambas têm quase certeza de que é uma menina, por causa do formato do barrigão.
Elas me disseram às escondidas - Maraisa está realmente neurótica com isso -, portanto fiquei tão feliz que cometi vários atos falhos, referindo-me ao nosso bebê em feminino e a deixando possessa.
Mas, apesar dessa "quase certeza", a dúvida ainda existe.
E a agonia também.
Outra questão que me tirou o juízo foi a Lulu e o Don.
Meu coração pareceu diminuir de tamanho quando me lembrei de que talvez precisássemos nos ver livres deles. Não comentei nada com a Maraisa, na esperança de deixá-la esquecida desse detalhe - daria um jeito quando o bebê chegasse -, mas ela fez o favor de lembrar.
Para a minha surpresa, também não queria abrir mão deles.
Buscamos informações e descobrimos que os nossos gatos podem sim conviver dentro da mesma casa com o nosso bebê, tendo em vista alguns cuidados, por exemplo, de nunca deixá-los entrar no quarto dele, além de mantê-los sempre vacinados e vermifugados - coisa que fazemos desde sempre. Sendo assim, foi um alívio descobrir que ficaríamos todos juntos. Ufa!
Estava tirando a última foto da Maraisa para um álbum especial que queria montar.
Aquele seria apenas sobre a espera do bebê e tudo o que andamos aprontando durante ela.
A minha linda esposa estava maravilhosa, vestindo um top pequeno e uma calça larga, tendo o barrigão à mostra.
Sorria lindamente.
Cara de grávida total.
Aquela fotografia faria parte da montagem quinzenal de acompanhamento do tamanho de sua barriga. Quando todas estivessem juntas, ia ficar superinteressante observar a evolução.
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The Trip "Danisa"
FanfictionTotalmente fora dos seus planos, Maraisa concorda com uma despedida de solteira...
