13º Capítulo "1 mês e 28 dias depois..."

214 31 29
                                        


"1 mês e 28 dias depois..."

Eu não tinha certeza se estava fazendo a coisa certa. A questão era realmente complicada:
nada parecia certo ou errado quando o assunto era aquele. Sabia que daria um passo estranho, passaria por uma situação dificílima que talvez, somente talvez, desse certo. Se desse errado eu estaria ferrada, mas minha consciência achava que valia a pena correr este risco. Costumo ouvir o que diz a voz da minha razão.

Foi com muito medo que encontrei a Júlia naquela manhã – uma ensolarada manhã de terça-feira.
Ela veio me buscar em casa como o combinado. Realmente precisaria de sua ajuda para resolvermos, juntas, aquela questão.

Danilo nem sonhava que eu não tinha ido trabalhar, dei uma desculpa qualquer para fazê-lo ir ao estúdio sem mim.

– Bom dia, Maraisa! – Júlia saudou quando entrei em seu carro. – Preparada?

– Bom dia! Olha... Sinceramente eu não sei. Estou nervosa.

– Eu também. Estou me sentindo cúmplice de algum crime hediondo. – Ela riu, mas tenho certeza de que não sentiu tanta graça. – Mas... É por uma boa causa.

– Não gosto da ideia do Danilo não saber disso. Sua reação pode ser muito diferente da que espero. – Girei um envelope grande em minhas mãos. – Queria que fosse algo especial, mas pode acabar sendo um pesadelo... E a culpa vai ser minha.

– Sua nada, nossa. – Ju deu partida e seguimos rumo ao desconhecido. Quer dizer, pelo menos para mim era desconhecido. – Mas relaxa, Maraisa. Vai dar tudo certo. Tem que dar.

“Tem que dar”, repeti essa frase na minha mente diversas vezes, enquanto percorríamos o trânsito caótico da cidade.
Nem sabia que a antiga casa do Danilo era tão longe, do outro lado da cidade. No fim, achei que toda aquela distância só podia ser proposital, o que me deixou um pouco desanimada.

Não queria sentir a sensação de que estava invadindo a vida dele e, pior ainda, sem permissão. Contudo, pensando direitinho, era exatamente aquilo o que eu estava fazendo. Foi por isso que, quando finalmente paramos numa rua estreita composta por muros extensos e altos, um atrás do outro, meu maior desejo era dar meia volta e ir para bem longe dali.

– Chegamos. É aquela casa ali. – Ju apontou para um muro branco enorme, com portões de alumínio. – Faz um tempinho que não venho aqui.

– Por quê?

Ela pensou bem antes de responder.

– Não sei, meio que tento evitar.

– Pensei que se dava bem com seus pais.

– Ah, eu me dou. O problema é que o fato de ter pais maravilhosos, e meu irmão não, me irrita. Não concordo com o que fazem com o Danilo, Maraisa. Isso precisa acabar.

– Vai acabar – consegui murmurar, voltando a me sentir confiante.

Com uma nova dose de ânimo, abri a porta do carona. 

Depois de tocarmos três vezes na campainha, uma senhora atendeu a porta. Soube depois de uma recepção calorosa entre ela e a Júlia que se tratava da secretária da família, que trabalhava naquela casa há mais de vinte anos. A mulher havia praticamente criado a Júlia e o Danilo. A admiração que senti por ela foi instantânea, até porque sua simpatia notável e sorriso amplo não me permitiram sentir outra coisa.

A casa era enorme e bem aconchegante. Os móveis seguiam o padrão vintage, dando-me a impressão de que estava entrando em um lugar antigo. Talvez fosse verdade, pois não conhecia a história da casa ou da família.

The Trip  "Danisa"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora