27º Capítulo "pensamentos cruéis"

204 30 60
                                        

"pensamentos cruéis"

4 meses e 9 dias depois...

Foi tarefa impossível tentar me acalmar. Não dava para ter calma diante daquela situação. Ver Maraisa beijando outro cara me deixou mais ferido do que ele.

"A maldita Fernanda Pires ia pagar cada centavo pelo que estava fazendo conosco."

"Ela fez outro cara tocar na minha mulher"

"Ela se atreveu a chegar perto da minha mulher e chantageá-la"

Meu ódio por ela só fazia aumentar a cada segundo, e a maldita demorava demais para me procurar!

Lavei minhas mãos sujas de sangue, perguntando-me quando me tornei tão violento.
Jamais bati em alguém daquele jeito, acredite se quiser, nem sabia que era capaz, para ser bem sincero. Nunca havia perdido a cabeça a ponto de agredir uma pessoa. Sempre achei que a violência era uma atitude para aqueles que não têm argumentos.
Mas o cara mereceu.

Faria de novo, socaria o sujeito da mesma maneira. Não havia arrependimento, apenas uma vontade absurda de ter a minha vingança.

Só conseguia pensar no momento em que aquela puta desgraçada ia me ligar. Teria que me conter para fazer tudo certo, qualquer passo em falso custaria muita coisa.

Eu tinha tudo a perder.

Pensava e repensava seguidas vezes em cada passo.

Às vezes tinha pensamentos cruéis demais para o meu gosto, coisas que eu sabia que não fazia parte da minha personalidade, apenas do ódio ardente jamais sentido por mim com tanta força.
Descartei cada um desses pensamentos.
Eu queria matar aquela vadia, mas era só vontade.

Há coisas piores do que a morte, agora sim eu sabia disso. Uma dessas coisas, para mim, é ver Maraisa com outro homem.

Não consegui trabalhar.

Repassei todas as sessões para os rapazes, inventando mil desculpas para os clientes que já estavam marcados e que faziam questão de serem fotografados por mim.

Kaio sumiu com a Maraisa, nem procurei ligar para ele. Sabia que estava cuidando dela como pedi, e isso me deixava mais aliviado.

Deitei no sofá do escritório com o telefone em mãos. Só me restava esperar e aperfeiçoar meu plano.
Eu queria muito ter certeza de que o que eu pretendia iria ser suficiente para me livrar de vez daquela louca. Tentei pesquisar na internet, mas não achei muita coisa interessante ou relevante. E o que achei de interessante simplesmente não consegui entender.

Precisava conversar com um advogado, alguém acostumado com esse tipo de coisa.
Imediatamente, lembrei-me do meu pai. Ele saberia o que fazer, mas meu telefone estava sendo rastreado, e provavelmente o da loja também. Não correria o risco de ser seguido até a casa dos meus pais, não podia envolvê-los naquela merda.

Pedi o celular do Kasio emprestado e me vi digitando o número da casa deles.
Foi papai quem atendeu logo no segundo toque.

Passei longos segundos ouvindo sua voz dizendo "alô" diversas vezes.

Que diabos eu estava fazendo?

Meu pai nunca entenderia a situação. Mal havíamos nos falado depois da inauguração. Acho que visitei a mamãe duas vezes no máximo e ele meio que me ignorou. Tudo bem que me cumprimentou e perguntou se estava precisando de alguma coisa, mas só. Não quis mais papo comigo.

-Pai? Sou eu, Danilo.

Decidi abrir o jogo.

Tranquei-me no galpão que havia nos fundos, pois não queria correr o risco de estar sendo monitorado.
Tenho certeza de que ninguém havia entrado no galpão, só eu tinha as chaves e o deixava muito bem trancado. Achei que aquele era o único lugar seguro do mundo para ter uma conversa restrita.

The Trip  "Danisa"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora