"2 semanas depois..."
Era manhã de sábado.
Com muito custo convenci Maraisa a dormir comigo. Não faço ideia do que se passava em sua cabeça, mas ela estava se comportando de um jeito estranho.
Simplesmente não sabia se estávamos bem ou mal, e essa dúvida me matava. Quando estava comigo Maraisa era divertida, carinhosa e muito atenciosa, porém algo acontecia quando nos separávamos. Era como se, de alguma forma, eu a estivesse perdendo.
Não sei se era o medo absurdo que sentia de perdê-la – às vezes nossos próprios medos nos pregam peças –, só sei que eu tinha receio de deixá-la sozinha, tentava fazer com que se distraísse pelo maior tempo possível.
O fato de ela pensar demais em nós me consumia, pois eu nunca saberia qual seria o momento em que enfim chegaria à conclusão de que não daríamos certo juntos. O que, depois do sexo delicioso do dia anterior e de todas as declarações que trocávamos, parecia ser o maior absurdo do mundo.
Confesso que estava preocupado, por isso não tinha sono que desse jeito. Fiquei acordando inúmeras vezes durante a noite, observando-a dormir calmamente em todas elas.
Maraisa mal se mexia, apenas entrelaçou suas pernas na minha, apoiou a cabeça no meu peito e ali mesmo ficou. Totalmente diferente de mim, que só não estava inquieto porque não queria acordá-la e muito menos afastá-la.
Os pensamentos inseguros me consumiram até as sete horas da manhã. Foi quando decidi me levantar e preparar o café da manhã. Maraisa gemeu um pouquinho quando me afastei, entretanto sequer abriu os olhos. Continuou dormindo do mesmo jeito, trocando-me por um dos travesseiros. Sorri pela milésima vez ao observá-la tão relaxada na minha cama. Era bom demais para ser verdade tê-la em minha vida. Nem sabia se eu merecia sentir tanto amor daquele jeito, só sei que era inevitável amar aquela mulher.
Fui à cozinha, dei comida aos gatos e limpei a caixa de areia, Lulu e Don haviam feito uma pequena bagunça na casa.
– Eu também não dormi – murmurei, enquanto os observava comer a ração especial para felinos.
Depois de organizar tudo, comecei a preparar o desjejum.
Uma ideia surgiu assim que tudo ficou pronto: levaria o café da manhã na cama para Maraisa. Já marcavam oito e quarenta e dois no relógio da cozinha, portanto o horário não era tão ruim assim para acordar num sábado.
Organizei uma bandeja de prata – eu não tinha o aparato especial para levar café na cama, afinal, nunca havia trazido alguém para minha casa – e coloquei nela os alimentos, composto por tapioca bem quentinha, torradas com queijo, frutas cortadas em cubo e geleia de framboesa. Ainda não tinha comido nada, portanto me incluí na refeição, acrescentando mais uma xícara na bandeja.
Maraisa dormia na mesma posição em que a deixei. O quarto estava escuro por causa das cortinas fechadas, portanto depositei a bandeja na beira da cama e as abri, deixando o sol da bela manhã iluminar o quarto. Ela nem saiu do canto, como se a luminosidade não lhe importasse.
Pensei em não acordá-la – cheguei a morrer de pena –, mas não queria que a comida esfriasse. Requentar também não era uma boa opção, metade do sabor iria embora durante o processo.
Aproximei-me dela, puxando o lençol de um jeito que a obrigasse a acordar. Contudo, para minha surpresa, mesmo depois de totalmente descoberta, Maraisa permaneceu intacta.
Ela vestia apenas uma calcinha branca de algodão – estilo que devia lhe ser bem confortável, pois usava com frequência – e uma blusinha de alças finas, também branca. Claro que estava absolutamente sensual, aninhada com os joelhos flexionados até a altura de sua barriga.
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The Trip "Danisa"
FanfictionTotalmente fora dos seus planos, Maraisa concorda com uma despedida de solteira...
