"Para lá de Bagdá"
11 meses e 20 dias depois...
É engraçado o modo como as coisas mudam tão depressa.
Mais engraçado ainda é perceber o quanto as pessoas mudaram.
Começando comigo; há quase um ano vivia imerso no meu mundinho vazio, quase sem esperanças, sem amigos, família...
Eu era outro homem.
Um cara que hoje em dia tento esquecer, mesmo sabendo ser impossível.
Querendo ou não, ele faz parte de mim. Tenho certeza de que sou o que sou porque ele existiu.
Todos os dias antes de dormir – e depois de ter cantado a música da princesinha para a Maraisa –, abraço-a fortemente e agradeço por tê-la comigo.
Fico pensando em como o simples fato de termos escolhido um ao outro acabou se transformando numa grande bola de neve, arrastando e moldando não apenas as nossas vidas, mas a de muitas pessoas.
Maiara e Kaio, por exemplo. Eles jamais voltariam a se encontrar se não fosse toda uma teia confeccionada pelo destino.
Seria uma pena caso o namoro deles não chegasse a ocorrer, pois adoro observá-los.
Fico muito feliz, sobretudo pelo Kaio; esses meses trabalhando juntos nos proporcionaram uma ótima amizade.
Tenho certeza de que o relacionamento com o meu pai também nunca mudaria se eu não estivesse com a Maraisa. E isso significa muito, visto que até o relacionamento dele com a mamãe e com a Júlia se modificou.
Nossa família enfim se redimiu, esquecendo-se dos longos anos de desentendimento. Isso sim eu fiz questão de esquecer de vez.
Papai me ajudou tanto nos últimos meses – lutou com unhas e dentes por mim – que não podia ser capaz de sentir nada além de admiração. Eu o perdoei completamente por toda a mágoa que outrora me causou.
Há um ano pensei que seria impossível perdoá-lo um dia. Isso tudo prova que, sinceramente, não sabemos de nada sobre a vida. Somos estúpidos em achar que nada pode ser feito, que as coisas são como são e nunca deixarão de ser.
Só posso mesmo sentir graça dessa reviravolta.
Hoje eu acredito na vida.
Acredito no amor e na amizade, duas coisas que antes eu não sabia direito o que eram. Não como agora. Creio que tudo tem um propósito, pois há muitas evidências de que nada, absolutamente nada, é em vão.
Isso inclui uma festa de despedida de solteira em um dia e local quaisquer. Nada me tira a ideia de que naquele dia o destino estava tecendo suas longas teias. Não apenas para mim, mas para todo mundo.
Maraisa estava linda naquela noite, mas enfim, eu não a achava menos do que linda nunca. Entramos no estabelecimento e ficamos de boca aberta. Nunca vi decoração japonesa tão encantadora, parecia que estávamos mesmo no Japão.
Logo na entrada, fomos convidados a retirar nossos sapatos e ingressar no clima oriental.
Havia uma mesa reservada para nós, por isso fomos caminhando na companhia de uma funcionária vestida de gueixa, admirando todas as alas individuais pelas quais passávamos até chegarmos a uma que estava vazia. Ali tinha uma mesa longa e de pernas bem curtinhas. Almofadas estampadas faziam o papel das cadeiras.
Sentamos no chão de madeira encerada e limpa, soltando um "uau" do tamanho do mundo.
Maraisa ficou encantada, mas eu não estava tão diferente disso.
Mal tínhamos nos sentado e terminado de pedir drinks japoneses
com nomes esquisitos quando a Bruna apareceu berrando.
– Gente, que lugar incrível! A-DO-REI!
Levantamos para cumprimentá-la. Aquele encontro seria especial.
Na verdade eu estava ali meio que de penetra, pois era quinta-feira e as garotas decidiram que seu encontro quinzenal seria ali, no restaurante que o Marcelo havia acabado de inaugurar. Ele fez questão de nos chamar, fiquei até admirado com a sua ligação durante a semana.
Passamos longos minutos ao telefone, pois fiz questão de saber cada detalhe daquela novidade. Marcelo havia desfeito o contrato com o Marlos logo após aquele fim de semana.
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The Trip "Danisa"
FanfictionTotalmente fora dos seus planos, Maraisa concorda com uma despedida de solteira...
