Um segundo

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Luzes azuis e vermelhas ecoam pelo ar, trazendo a nítida sensação de que algo muito ruim havia acontecido em Londres.

Pessoas apontavam câmeras e seguravam microfones em apenas uma direção, enquanto Adele e S/N olhavam ao redor para tentar encontrar algo que lhes ajudasse a encontrar Florence e Roberth, mas os polícias, antes patéticos em lhe dar voz de prisão por desacato, falavam sobre as chances de o carro estar a quilômetros de distância.

S/N olhava para Adele, que não desviava o olhar e se sentia culpada por ter colocado a cantora inglesa em perigo, mesmo sabendo que todas estavam a favor do plano de encurralar Roberth para confessar o que fez.

Sons ecoavam, assim como mais viaturas estacionaram ao lado das que ali estavam, mas a voz de Adele ecoa em um:

- Pelo amor de Deus, vocês não deveriam estar aqui!!

- Não!!

Longe dali e socando o volante ao sentir que havia perdido o controle, enquanto o choro baixo e reprimido de Florence ecoava no interior do carro, estava Roberth sentindo o coração apertar ao ver o desespero da mulher de longos fios ruivos ao seu lado, e por um segundo ergueu uma das mãos, tentando tocá-la no rosto, mas ela desviou e escondeu os olhos entre o cinto de segurança e o banco, se encolhendo como uma criança assustada e abraçando a si própria ao desistir de lutar e se entregar ao que fosse acontecer.

Adele fechava os olhos, olhando para S/N, enquanto ela lhe abraça e sussurra:

- Ele vai fazer com ela, a mesma coisa que fez comigo, amor. Ela não vai aguentar.

- Eu sei! Eu sei! - lhe aperta, não querendo imaginar uma mulher passando a mesma coisa que sua namorada passou nas mãos de Roberth e por 5 dias - Não podemos fazer nada, porque eu não sei por onde começar.

- Nem eu! Amor...

- Eu também tô com medo, S/N. Eu também tô com medo.

Florence olhava pelo lado de fora da janela, vendo tudo ao redor e alimentando uma enorme vontade de abrir a porta e se jogar, mas o carro estava em alta velocidade e isso a mataria, então olhou para o homem e disse:

- Eu vou me jogar desse carro, e você não vai conseguir o que quer.

- Você não vai fazer isso!

- Eu já vi coisas que me fazem fazer isso, Roberth.

A mulher respirou fundo, soltando o cinto que a protegia e nesse momento Roberth arregalou os olhos e diminuiu a velocidade do carro, dando para a cantora o que ela mais queria, e nesse instante, ela conseguiu destravar as portas com maestria e abrindo com rapidez, se inclinando para se jogar, mas seu braço foi puxado para dentro com força enquanto o homem equilibra o alinhamento do carro na estrada e a impediu de se jogar.

- PARA!!

- Me solta!!

Florence virou, encontrando os olhos do mesmo e sentiu uma estranha sensação de que não poderia fazer o que estava prestes a fazer, então olhou para frente, vendo uma enorme luz ecoando e gritou:

- ROBERTH????

O homem virou em direção a estrada, vendo um caminhão se aproximar e o som da buzina ecoar no espaço, obrigando ele a soltar a cantora de fios ruivos e virar o volante com força para a esquerda e desviar do outro veículo, que acabou por virar em meio a estrada vazia, mas não atingir o carro de passeio roubado por ele, que respirou fundo enquanto Florence ficava petrificada no banco do carona, agarrando o cinto com força e o apertando ao ponto de suas mãos brancas ganharem uma coloração avermelhada ao sentir a morte passando ao seu lado e lhe abraçando, mas ficando pelo caminho.

Som de rádio ecoa em cada uma das viaturas estacionadas, e deles vozes avisavam que um trágico acidente com caminhão havia acontecido a poucos quilômetros de onde estavam, e isso fez o coração de S/N e Adele apertarem e ambas se olharem com lágrimas nos olhos.

- Não! Adele?

- Eu... Meu Deus!

- Adele?

- Calma! Calma!

Eu sinto você! - Vol. 2Onde histórias criam vida. Descubra agora