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Fui até a sala em passos lentos, como se aquilo fosse me impedir de falar com ele. Notei que o aparelho de som ainda estava ligado, mas agora tocava alguma música desconhecida por mim, parecendo ser um daqueles rocks clássicos que Bianca amava. Não me importei em desligar o aparelho, apenas diminuí o volume. Me preparei para uma conversa do mesmo jeito que meu garoto costumava fazer. Coloquei uma jarra de água na mesinha e um copo quase cheio ao lado.
Desliguei as luzes, deixando apenas a luz mínima que vinha do corredor e sentei no sofá, posicionando um travesseiro em meu colo.
Olhei fixamente para o nome do rapaz na tela do celular, o brilho máximo iluminava o breu da sala. Toquei rápida e impulsivamente no ícone verde na tela, sem nem ensaiar o que falar. Eu só sabia que precisava contar ao rapaz.

- Alô? – A voz rouca de William fez-me abrir os olhos. Após cinco toques, eu não achei que ele atenderia. – Alô?

- Oi, baby. – A ligação teve delay e eu ri quando ouvi a reverberação da minha própria voz. Extremamente bêbada e arrastada.

- São 2h da manhã aqui, Violet . Aconteceu alguma coisa? – Parecia impaciente e irritado. Eu, provavelmente, estava atrapalhando seu descanso.

- Eu preciso falar com você. – Mordi o lábio, estiquei a mão para pegar o copo e dei uma longa golada.

- Aconteceu alguma coisa? Sua voz está estranha…

- Talvez eu esteja bêbada. E um pouco alta. – Confidenciei, rindo.

- Você nunca foi de me ligar bêbada, Violet . – Declarou, desconfiado e sonolento. Eu o imaginei acomodando-se no travesseiro, pronto para escutar qualquer idiotice que eu viria a falar.

- Mas você sim! – Acusei-o.

- Apenas uma vez e você prometeu que a gente nunca mais ia falar disso. – Gargalhei com a lembrança e acho que William acabou rindo também. – Vai, me conta, o que aconteceu?

Permaneci em silêncio, ainda perdida nas lembranças. Fora extremamente engraçado e inesquecível quando William ficou bêbado e insistia em falar comigo, perturbando os garotos insistentemente para que me ligassem. Gabb o torturou durante uma semana inteira por conta da situação.

- Violet ... – Chamou.

- Ok... – Respirei fundo, tomando mais um gole de água, impedindo que minha garganta ficasse seca. – Alguns dias atrás, eu soube que…

- Eu estou a quase um mês, desde que Gabriel me contou da sua festa de despedida, esperando o dia que você ia me contar que está indo embora.

Cortou minha fala abruptamente, mas não parecia irritado. Sua voz era puro ressentimento e sono. Eu não pude dizer nada mais do que "desculpa".

- Eu não sabia como falar. – Murmurei, confessando, mordendo minha própria unha. Me sentia extremamente envergonhada de minhas ações, mas de alguma forma estranha, isso não me impedia de continuar errando com Will IV.

- Ainda dá tempo de me contar como se eu já não soubesse a história toda. – A voz soava calma, mas eu tinha certeza que se estivéssemos frente a frente, ele estaria de braços cruzados e de maxilar travado.

Então, eu contei, desde o início, desde a minha conversa com a Dra. Huang até a noite anterior, quando Fane e Gabb me ajudaram a empacotar as últimas coisas.

- William, você dormiu? – Estranhei, pois, a linha ficou em silêncio por uns segundos após o fim do meu monólogo.

- Não, desculpa. Eu só não sei muito bem o que falar. – Revelou.

- Diz que vai sentir minha falta, ué. – Disse, manhosa, jogando-me de costas no sofá.

- Quem disse que eu vou sentir sua falta? – Ironizou e eu revirei os olhos. Eu ainda estava morrendo de sono, mas ultimamente Will IV quase não tinha tempo de falar comigo ao telefone, então eu não via problemas em sacrificar umas horinhas de sono por ele. "Idiota", resmunguei baixinho. - Baby? – A voz do rapaz chamou-me, apreensiva. Murmurei em resposta. – E a gente? O que vai ser de nós? Quer dizer, eu vou voltar para casa um dia…

Eu entendia o ponto dele, era exatamente como eu pensava. Ele iria voltar para casa e eu não estaria lá. Esse talvez tenha sido o principal motivo de eu não ter falado logo para William que eu estava de mudança. Eu não gostava da ideia de ter que mudar todo meu relacionamento com ele. O combinado era: ele voltaria e nós iriamos nos resolver.

- Eu não sei, Will IV. Acho que continuamos na mesma. – Dei de ombros, tristonha.

- Eu nem sei qual é a nossa mesma. – Riu sem humor. A voz ainda preguiçosa me deixava morrendo de vontade de estar com ele, abraçada ao seu corpo.

- Acho que agora, mais do que nunca, é algo que a gente não pode decidir. – Constatei.

Ficamos em silêncio. Eu sabia que William não concordava totalmente comigo. Ele deveria estar querendo totalmente o contrário que eu, mas eu sabia que ele não me pressionaria a nada, principalmente agora, que eu estava lidando com uma grande carga emocional.

- Então, a minha festa! – Mudei de assunto. Não por desconforto, mas por que se eu passasse mais um minuto em silêncio, eu dormiria. – Gabriel está empenhado nessa. Você.... Tem como você aparecer?

- Ele está empolgado, já me mandou uns 5 convites diferente. – Rimos juntos. Nosso melhor amigo estava realmente ansioso para a tal festa. - Eu posso tentar.

- Promete? – Pedi, exagerando na meiguice. – Eu meio que tenho que ver você antes de ir.

- Tem, é? – Riu, debochado.

- Eu estou na minha sala e aqui tem muitas coisas para fazer. – Olhei em volta, observando a breve bagunça. O sono já estava me deixando desconexa, então, achei melhor levantar do sofá, pois se eu continuasse ali, dormiria. – De tudo que tem aqui, a única coisa que eu não posso fazer agora é ver você. Então... Eu meio que preciso que você venha.

- Eu prometo, linda. Vou fazer o possível e o impossível para ir. – Sorri abertamente, mas logo senti meu sorriso se desfazer.

Perguntei-me internamente se a gentileza e o afeto de William comigo ainda estaria ali futuramente. – Vá dormir, amanhã a gente se fala melhor, tudo bem? Boa noite, Violet .

- Will IV? Desculpa não ter contado antes. Contar parecia real demais, então, eu fui adiando, adiando... – Suspirei profundamente, sentindo meus olhos fechando-se sozinhos. – Enfim, foi difícil falar sobre.

- Tudo bem, baby. Foi difícil de ouvir também.

Loml? | Will grayson Iv Onde histórias criam vida. Descubra agora