As quintas-feiras eram sempre os melhores dias da semana para mim. Em Thunder Bay, nós almoçávamos todos juntos nas quintas, já que nos outros dias, isso quase não era possível de acontecer. Uma grande mudança para mim, que estava acostumada a tomar umas cervejas com meus amigos no Carté no mesmo dia da semana. Não foi uma mudança ruim, apenas diferente.
- Bryan, você está com a média baixa em biologia? É sério? – Minha mãe olhava o boletim do menino com uma feição de desgosto no rosto. O mesmo apenas deu um sorriso amarelo.
Minha mãe, Cecília Valentine, era uma mulher extraordinária. Minha mãe era filósofa, formou-se na mesma universidade que eu, mas a vida a levou para outros caminhos e agora ela trabalha como gerente de uma companhia de telemarketing, mas mamãe nunca deixou de estudar, também nunca sentiu que isso foi uma falha em sua vida. Ela costumava promover saraus e encontros literários pelo bairro. Inclusive, meus conceitos de vida eram inteiramente influenciados por ela, que desde cedo nos introduziu a um pensamento independente e crítico.
- Acho que está na hora de ele receber o discurso que eu recebi quando tirei minha primeira e única nota baixa no colégio. – Comentei, fazendo questão de frisar a palavra "única". Não que eu fosse a maior nerd de todos os tempos, mas como já citei antes, eu sempre gostei de estudar, nunca fora um sacrifício.
Estávamos todos na pequena cozinha da minha casa, que também era a sala de estar e a sala de jantar. A minha casa era dividida em quatro cômodos, sem contar o banheiro. O andar de cima, onde haviam o quarto dos meus pais, o de Patrick e o meu e de Clary. (Essa mulher não decide onde morar, sério). E o andar de baixo era apenas um grande cômodo, sem paredes, cujos móveis foram organizados de forma que parecesse que haviam divisórias. Era apertado, mas a gente se virava. Eu estava arrumando a mesa para o almoço e Bryan havia entregado o boletim para os nossos pais, que cozinhavam juntos.
- É uma boa ideia! Isso pode ser intenso, você está preparado? – Minha mãe concordou e perguntou. Bryan assentiu, segurando o riso. – Bryan, meu filho amado, meu caçula. Não nos importamos com as roupas que você veste. Se você beija homens ou mulheres, dane-se. Se você quiser beber, beba. Se quiser fumar, fique à vontade. Não é como se você não soubesse os malefícios do álcool e da nicotina.
- Mas Violet nos mostrou um estudo bastante convincente sobre a marijuana uma vez. – Meu pai comentou, salpicando algo na panela.
- De nada. – Murmurei, piscando para Bryan, que já estava vermelho de tanto rir com o discurso engraçadinho de nossa mãe.
- Se for cocaína... – Meu pai quis continuar, mas logo foi interrompido.
- O que nós estamos querendo dizer, – Minha mamãe falou antes que o homem grisalho partisse para um lado mais sombrio. – É que a única coisa que nos importa (no momento) é onde você está, que horas vai chegar e suas notas. Nós precisamos dessas notas altas. Pois quando os vizinhos vierem fofocar sobre você estar bebendo e fumando por aí, nós vamos poder dizer: "Ele é o primeiro da turma, dona Josepha! Ele pode fazer o que quiser!"
Começamos a bater palmas ao término do discurso, estourando em gargalhadas. A velha Josepha definitivamente era a detentora do posto de maior fofoqueira da rua.
- Eu prometo que vou recuperar, mãe! – Bryan assegurou, enquanto os ajudava a levar as travessas de comida para a mesa. – Eu perdi o foco por um tempo, só isso.
- Você também não pode engravidar ninguém. – Minha mãe apontou um dedo para Bryan, que apenas revirou os olhos e seguiu de volta para o lado de nosso pai.
Como uma cena digna de uma sitcom, ouvimos o tilintar de chaves na porta e logo Clary entrou no local, cumprimentando a todos. Eu e Bryan nos entreolhamos, apreensivos. Ela estava exalando a "Clary-vai-ao-resgate", era a expressão que nós criamos para descrever o semblante que ela usava quando entrava em um local pronta para fechar negócio. Consistia em seu rosto sério e formal, mas nada agressivo. Era a expressão que costumava usar para mediações de brigas e discussões em nossa residência.
Eu desconfio que foi assim que ela chegou na diretoria da empresa.
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Loml? | Will grayson Iv
FanfictionEla já foi a vilã que tentou separar o casal principal por solidão e falta de amor. Ela já foi traída pelo casal principal que eram vizinhos e se apaixonaram perdidamente. Ela já foi a amiga parceira da mocinha nerd que se apaixonou pelo popular. El...
