49

16 2 0
                                        

Seis meses. Eu ainda não conseguia lidar com a ideia de ficar tanto tempo longe dele. Sentiria uma falta absurda.

William entrou no quarto poucos minutos depois. A neutralidade em sua expressão era tradição. Não parecia ter mudado muita coisa, só estava mais esperto. Agradeci baixinho quando me entregou uma toalha. Parou ao lado da cama, encarando-me suavemente enquanto eu parei a ação de colocar suas calças de moletom na mala de modo que não ocupasse muito espaço, para secar meus braços. Não parecia raivoso, nem magoado. Apenas parecia estar esperando por mim, como sempre. Não me atrevi a fitar seus olhos, com medo de toda a verdade e os variados sentimentos que eu poderia encontrar ali. O silêncio entre nós era incômodo, ele parecia esperar que eu tomasse uma iniciativa, provavelmente, por pirraça. Então, eu só precisei de mais dois segundos de coragem para responder suas perguntas de algumas noites atrás.

- Você a beijou. – Proferi, subitamente, sentindo meus músculos se enrijecerem. Apertei a toalha em minhas mãos, definitivamente nervosa e preocupada com o rumo da conversa.

- Ela me beijou. – Afirmou, já ciente do que eu estava falando, e eu assenti, ainda sem levantar a cabeça.

Eu sabia que sim, mas o que me incomodava em toda essa história, não era Will IV tendo lances com outra garota, e sim com Bianca, especificamente. Eu nunca tive inveja da minha melhor amiga, mas quando ela chamou atenção dele, mesmo que inconsciente, as coisas mudaram em mim. Se fosse qualquer outra pessoa, como Megan (a groupie nova iorquina de peitos gigantes), eu provavelmente não ficaria tão mal. Mas era Bianca. Eu entendia todos os motivos de alguém apaixonar-se por ela e até achava estranho que alguém não sentisse uma queda por ela.

O controverso de tudo isso é que se fosse qualquer outra pessoa, eu aceitaria a derrota. Mas com Bianca, eu me recusava.

- Ela gosta de você! – Cobri minha boca com uma mão assim que percebi a besteira que eu tinha feito ao contar, impulsivamente, o segredo da loira justamente para quem não deveria saber.
Felizmente, (e infelizmente para Bibi), o cantor não se interessou com o que foi dito.

- E eu gosto de você! – O tom de voz dele parecia o de quem estava explicando 2+2 para uma criança e eu não sei se fiquei feliz com isso. Ele parecia seguro demais de si e de seus sentimentos. Seria mais difícil fugir dele, se ele estivesse certo do que queria.

- Mas ela é linda e incrível, e... – Novamente, fui interrompida.

-Sim, ela é, mas... Que inferno, Violet ! Só você não percebe! Você está sempre aí, achando-se melhor que tudo e que todos, você precisa parar de ficar ditando o sentimento alheio. Você parece incapaz de entender que eu sou louco por você. Nunca sei como devo agir, não entendo seu jeito de pensar. Eu não sou, nunca fui assim, mas você me deixa inseguro como eu nunca fiquei com ninguém. Eu nunca sei com qual das suas 30 personalidades eu vou ter que lidar. Mas adivinha só? Eu gosto de todas elas. Eu sou apaixonado por você, Violet !
Meus olhos não conseguiram segurar o amontoado de lágrimas que se formaram e eu senti meu rosto umedecer assim que ouvi William proferi, suave e contidamente, o que eu sempre quis escutar e nem sabia. Sentou na cama e começou a atirar as peças de roupa restantes de qualquer jeito na mala, o que faltava guardar. Fiquei uns segundos paralisada no mesmo lugar, impactada com suas palavras. Quando percebeu que eu não iria me mover, continuou:
- Nós nos damos bem e seria estranho alguém não a querer, Bianca é uma garota linda e qualquer cara daria tudo para ficar com ela. Mas eu olho para você e... É ridículo falar isso, mas parece que meu coração pula no meu peito toda vez que você aparece.

Desde o início, até mesmo quando contei que estava apaixonada por ele, Will IV nunca tinha se declarado para mim daquele jeito. Tão seguro de suas escolhas, falava cada palavra com propriedade. E fazia isso com tranquilidade, enquanto jogava as roupas dentro da mala. Eu parecia estar flutuando, então resolvi me mexer e ajudá-lo.

- Você nunca disse nada sobre ela ter te beijado. – Comentei de um jeito que não parecesse acusatório, apenas curioso. Estendi a ele algumas roupas dobradas, que ele atirou na mala de qualquer jeito.

- Por que eu nunca sei o quanto do que a gente tem é real, Vivi. – Explicou, pacientemente. – Eu não sabia se você ia ficar chateada, se você não ia ligar, fiquei preocupada com a amizade de vocês. E teve dias em que eu realmente esqueci que esse beijo tinha acontecido. Eu literalmente nunca sei como você vai reagir as coisas, você me deixa…

Ele não completou a frase, apenas esfregou o rosto (coisa que ele fazia constantemente, principalmente quando se sentia cansado ou confuso) e deitou-se na cama, empurrando a mochila preta com o pé para o outro lado e jogou a mala grande no chão, assustando-me com o barulho. Parecia desgastado depois de ter falado tudo o que eu nunca pensei que ele pensava.
Eu subestimei William e seus sentimentos, agora estava sentindo-me terrivelmente negligente com o rapaz. Achava que éramos apenas um sexo casual, umas confusões com uma garota sem noção como eu e ponto. Aparentemente, para ele, era mais. E agora eu estava querendo arrancar cada fio de cabelo só de pensar que talvez eu tenha sido tóxica e abusiva com ele.

- Vocês conversaram sobre isso? – Questionei, não aguentando a dúvida. Precisava saber com o que eu lidaria quando chegasse em casa e encontrasse uma bibi sóbria. – Você e ela.

- Hoje mesmo, na verdade. Pediu desculpas pelo beijo, estava se sentindo culpada. Falou que tinha estragado tudo para você. – Neguei com a cabeça. A garota só era aberta demais para ignorar e esconder seus próprios sentimentos. – É, eu também não concordei. A culpa disso não foi dela, você ia arranjar um jeito absurdo e estranho de ferrar com a gente.

- O que?! – Abri a boca, indignada, mas meu corpo não obedeceu aos meus comandos e não consegui segurar a risada.

William me conhecia bem, mesmo que eu negasse.

- Você sabe que é verdade, por isso está rindo! – Peguei uma camisa dobrada que estava na cama e joguei nele, meio indignada, mas ainda sem conseguir controlar a gargalhada. – Você é neurótica.

Balancei a cabeça, ainda rindo. Eu e William, era tão fácil.

Loml? | Will grayson Iv Onde histórias criam vida. Descubra agora