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"O que sua mamãe faria se te visse agora?". As palavras de oliver Santiago não saiam da minha mente.

Entre um convite para ir ao bar e encontros aleatórios pela rua, acabei tornando-me íntima demais das pessoas erradas. Íntima demais ao ponto de continuar no Forte depois de Dante e Stefan irem embora. Íntima ao ponto de ver Santiago com a cabeça entre as minhas pernas. Fora em um desses momentos que o mesmo questionou o que minha mãe faria se soubesse que eu estava no quarto com o maior arruaceiro da cidade. Nós não conversávamos muito, o ato era puramente carnal, físico. Nos beijamos pela primeira vez em uma festa na vizinhança e as coisas foram ficando mais quentes, porém, nunca tínhamos ido até os "finalmentes". Eu nunca conseguia, nunca queria, pois um certo cara de Meridian continuava impregnado em minha carne.

Fazia pouco tempo que eu estava em casa, mas minha vida já estava ficando de cabeça para baixo. Outra vez.

Pela janela do meu quarto, – que ficava na parte de trás da casa – eu tinha a visão "privilegiada" de um pequeno lago sujo e um antigo prédio destruído na beira, onde havia muito lixo e fora ocupado por moradores de rua. Ia seguir meu caminho até a estante de livros no lado contrário, mas voltei para a janela quando a visão de Santiago sentado em uma das construções quebradas chamou minha atenção. Como se soubesse que eu estava lá, também olhou em direção em minha direção. O cara que estava ao lado dele também, apontou para mim e pareceu fazer algum comentário. Santiago o empurrou e agora parecia brigar com o mesmo. Eu sabia que ele estava me defendendo de algum comentário maldoso feito pelo rapaz estranho ao lado dele. De alguma forma, eu me sentia segura com oliver, sabia que ele nunca me faria mal (fisicamente), nem deixaria que ninguém me fizesse mal.

- Vivi? Ouviu alguma coisa que eu disse? – Bianca berrou, fazendo-me voltar a olhar para a tela do notebook.

- Desculpa, me distraí. – Balancei a cabeça, obrigando-me a parar de pensar em Santiago e suas provocações, dispersando meus devaneios.

- Will IV já vai aparecer, corre para a TV! – Exclamou, animada. Fechei as persianas do meu quarto, obrigando-me a não olhar em direção ao lago novamente, levei o aparelho comigo e fui para a sala da minha casa, único lugar onde tinha uma televisão.

Bryan estava sentado no sofá, mas não olhava para a TV, estava concentrado demais mexendo no celular. Quando voltei, Bryan foi o primeiro a vir correndo em minha direção quando cheguei no aeroporto de Thunder Bay, demorei uns segundos para me dar conta que aquele garoto alto e atlético era meu irmãozinho de 18 anos.

- Vou usar a TV. – Puxei o controle remoto para meu lado e ele puxou de volta.

- Estou assistindo! – Reclamou, subitamente interessado na tela que não era do seu celular.

- Não está, não! – Antes que ele começasse uma discussão, joguei meu notebook em seu colo. – Fala com a Bianca.

- Oi, Bibi. Tchau, Bibi. – Cumprimentou, entediado, e logo me devolveu o aparelho. Revirei os olhos com o seu mal jeito.

- Bryan na adolescência está me dando nos nervos. – Queixei-me, fazendo Bianca rir. Posicionei o aparelho na pequena mesa de centro e sentei no sofá, encolhendo as pernas.

- Você perdeu a pior época. – Bryan admitiu e deu de ombros, esquecendo sua implicância e voltando a mexer no aparelho celular.

Procurei pelo canal onde o meu novo cantor preferido iria aparecer. William Grayson, maior promessa musical do ano, seria convidado de um famoso talk show nacional, ocasionando explosões de orgulho em seus amigos bobinhos. Fazia uns dias que não nos falávamos, mas fiz questão de mandar uma mensagem de boa sorte para o meu rapaz.

Loml? | Will grayson Iv Onde histórias criam vida. Descubra agora