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Apertei os olhos, franzindo-os antes de conseguir abri-los totalmente. Pisquei algumas vezes, sentindo-me desnorteada e incomodada com o quarto tomado pela escuridão. Quando minha visão se acostumou ao escuro, notei que ainda estava no quarto de Bryan e tinha caído no sono. Rolei os olhos pelo local, notando que Clary ainda dormia, agora enrolada em um cobertor. Peguei meu celular, procurando pelo horário e lendo minhas notificações. Senti minha barriga reclamar de fome, já devia ter passado horas desde a minha última refeição, tendo em vista que já estava de noite. Resolvi procurar algum alimento, desci as escadas na ponta dos pés, sentindo minha casa exalar tensão. Mesmo que toda a agitação e adrenalina já estivessem distantes agora, a casa ainda parecia ressonar inquietude.

Quando cheguei à sala, encontrei minha mãe sentada no sofá, com as pernas esticadas e lendo algum livro grosso. Levantou a cabeça, fitando-me quando notou minha presença.

- Onde está todo mundo? – Questionei, aproximando-me da mulher com olhos de águia.

- Seu pai foi trabalhar e Bryan foi para o judô. – Analisou me por uns instantes antes de perguntar: - E Clary?

- Dormindo, estava muito cansada. – Informei, receosa em me aproximar.

O lance com a minha mãe é que ela vai rodear você, como uma águia, e quando você menos esperar, ela vai atacar. Ou não. Cecília Valentine era uma mulher implacável. Sempre fazia o queria, sempre conseguia o que queria.

- Como você está, vovó? Grandes notícias hoje, hein? – Brinquei, fazendo a mulher retorcer o rosto em uma careta.

- Vocês sabem a quanto tempo? – Questionou, estreitando os olhos.

- Isso me parece uma armadilha. – Estremeci, reproduzindo seu estreitar de olhos também.

- E é mesmo, não responda. – Admitiu, balançando as mãos. Fechou o livro e encolheu as pernas, chamando-me para sentar ao seu lado.

- Foi difícil? – Perguntei, curiosa. – Receber a notícia... – Expliquei ao notar sua confusão.

- Eu não usaria essa palavra... Foi apenas inusitado. – Raciocinou, esticando as mãos para tocar meus cabelos, afagando em um carinho gostoso.

Minha mãe nunca quis ter filhos. Ela dizia que gostava de sua independência e no momento em que gerasse alguma criança, ela seria totalmente dependente e fiel. Mas então ela conheceu meu pai, que sempre quisera ter filhos, e logo se viu cuidando de três crianças. Eu nunca entendi essa transição, mas senti que esse seria o momento certo para questionar o porquê.

- Mãe, posso perguntar uma coisa? – Pedi, apreensiva. Ela assentiu em concordância. – Por que é tão difícil para você aceitar filhos? Como você chegou aqui com, – não um, nem dois –, mas três filhos?!

- Sinto uma mágoa nessa voz? – Riu, sarcástica, ainda mexendo em meus cabelos.

- Não, até porque esse é exatamente o meu ponto. Você sempre teve uma grande ressalva com criança, porém, nunca nos negligenciou, apesar de sempre ter deixado claro que não queria ter filhos. – Explanei minha dúvida de modo claro e sincero.

- Porque vocês são perfeitos! – Proferiu em um tom infantil e maternal, apertando minhas bochechas. Rolei os olhos, fazendo-a rir com minha reclamação. – O seu pai queria ter filhos.

- Ok, e porque você cedeu as vontades dele? Você não faz isso nem atualmente! Ele obrigou você ou algo assim? – Indignei-me, confusa. Não era do feitio dele obrigá-la a fazer algo.

Loml? | Will grayson Iv Onde histórias criam vida. Descubra agora