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Ouvir a voz de Will IV , com Luke bem ali na minha frente, olhando-me e sorrindo, deu um pequeno no bug no meu cérebro. Luke sempre foi meu cara preferido e nesses pouco minutos de conversa, eu achei que nada tinha mudado, que ele ainda era o cara. Mas ao lembrar de William, percebi que ele ameaçava o lugar de Luke seriamente.

- Não, quando eu me aproximei eles já estavam tocando. – Expliquei, sorrindo.

- Ah, cara, isso é incrível! Eles tocando minha música, na sua cidade! – Comemorou, entusiasmado. Thunder Bay não era o fim do mundo, mas o talento de Will IV ultrapassar as barreiras de Meridian era mesmo incrível. – Uau! Eu preciso ir aí.

- Precisa mesmo... – Exprimi, pensativa. Queria falar que estava com saudades dele, mas não com Luke ali na minha frente. Ele podia achar que eu estava tentando fazer ciúmes nele, era melhor não. – Se estiver livre, me liga mais tarde? Eu vou estar em casa.

- Ah, é! Você não tá em casa. Eu só precisava te ligar para... Enfim! – Nós dois rimos e logo nos despedimos.

- Futura conquista? – Luke perguntou sorrindo, não parecendo nem um pouco incomodado. O que me incomodou, é claro.

- Nah, eu já tenho ele! – Brinquei, balançando a mão. – Na verdade, eu espero que ainda tenha.

- Você merece um cara legal, Vivi. Ele é bom para você? – Questionou. Suspirei profundamente, pois falar da minha relação com William era complicado. Falar dele enquanto eu sentia sua falta é ainda pior.

- Ele é... Incrível. Ele espera por mim, sabe? Ele é bastante paciente também, porque, você sabe, eu posso ser difícil de lidar.

- Verdade, você é meio louca. – Novamente, riu e eu revirei os olhos. Era um combinado entre todos os meus casos me chamarem de louca?

- Ele nunca me deixou sozinha para ir assistir uma corrida de galos! – Provoquei, mas a lembrança idiota nos fez rir.

- Ei, foi só uma vez! – Refutou, levantando um dedo e rimos de novo.

- Ele roubou seu lugar de melhor cara do mundo, sabia? – Ele fingiu indignação. – Sinto falta dele. – Confessei, encarando o celular novamente.

Minha cabeça estava borbulhando com as novas informações que eu estava adquirindo. Como, por exemplo, eu querer estar com William mesmo que o cara que eu achava que amava estivesse em minha frente.

- Ah, ele é de Meridian? – Perguntou, surpreso. Balancei a cabeça, assentindo. Ele franziu o cenho, confuso, antes de perguntar: – Você está namorando a distância?!

- Não, nós não temos nada sério. E ele não... Eu falo sério quando digo que ele é bom demais para mim. – Expliquei, sentindo-me estranha demais.

- Uau, nunca pensei que eu fosse ouvir você falar que alguém era bom demais para você!

– É, eu também não, Luke.

– Ele parece ótimo, por que você parece triste?

- Você provavelmente não sabe o que é ter a pessoa perfeita e não poder tê-la ao seu lado. – Mordi os lábios, sentindo uma leve fraqueza me abater. O nome da fraqueza? Saudades. – E acabou de me ocorrer que com você, eu não tinha medo ou dúvidas…

- Ele te deixa incerta? – Perguntou.

- Não, você me deixou assim. Ele só colheu as consequências. – Respondi, encarando seus lindos e malditos olhos verdes. Não segurei a risada quando o silêncio perdurou por mais de quatro segundos e Luke passou a mão em seus cabelos, constrangido.

- Você não muda, Violet. – Bagunçou os cabelos, envergonhado e eu sorri. – Sua intensidade ainda vai matar um.

- Eu preciso ir, bryan já deve estar preocupado. – Anunciei e me aproximei, abraçando-o, sem cerimônias.

O abraço que nós dois queríamos, mas não parecia certo antes.
Agora, com o terreno reconhecido, nós podíamos tocar um no outro. Fiquei chateada em constatar que ele mudou de perfume, mas feliz pelo abraço dele ainda me oferecer um certo conforto.

- Se você quiser, a gente pode tomar um café algum dia... – Ofereceu. Eu assenti, sorrindo, mesmo sabendo que aquele café nunca iria acontecer. – Sinto muito. – Murmurou, com a cabeça enfiada no meu pescoço.

- Por...?

- Por nós. Até hoje eu sinto que estraguei tudo. – Suspirou e se afastou.

- Você está feliz? – Perguntei, ajeitando um fiozinho cacheado de seu cabelo. Ele sorriu de lado e assentiu. – Então, nada foi estragado. Está tudo bem, Luke. Não era para ser, certo? Até logo!

- Espero que sim. – Sorriu, simpático enquanto eu me afastava. À medida que fui me afastando, fui sentindo algo se manifestar dentro de mim, que eu não sabia bem o que era, até olhar para trás e ver que Luke ainda me olhava e acenou para mim.

Loml? | Will grayson Iv Onde histórias criam vida. Descubra agora