72

24 2 0
                                        

Era saudades. Eu sentia falta de luke, sentia falta do que nós éramos. E sem William, eu tinha dúvidas se teria algo tão especial assim de novo.
Apertei minhas mãos uma na outra, tentando dissipar o suor e minha tensão pós encontro com ex. Enquanto me dirigia ao outro lado do parque, notei um jovem casal sentado debaixo de uma árvore. A mais baixa parecia irritada, gesticulava, falando sem parar. A outra, apenas a olhava, com um sorriso tranquilo no rosto, como se ouvi-la reclamar era o que mais gostava de ouvir na vida. Recordei-me do meu relacionamento com Luke. Enquanto eu estivesse falando pelos cotovelos, ele estaria com aquela expressão de satisfação por simplesmente estar ao meu lado. Inconscientemente, comparei com meu relacionamento com William, pois eu sabia que se estivesse resmungando, ele estaria reclamando 20x mais do que eu. E nós entraríamos em alguma discussão sem sentido, parando segundos depois apenas para rir da nossa própria loucura. Fane até costumava zoar William, dizendo que ele era um guru na arte da serenidade e tranquilidade, até me conhecer, e perder totalmente sua estabilidade.

Sorri levemente com a cena e com meus pensamentos, tentando me convencer que as lágrimas se acumulando nos cantos de meus olhos eram por culpa do sol, mas na verdade, eram (novamente) por causa dele: o amor.
Eu havia acabado de reencontrar meu primeiro amor. Mais que amor, era meu melhor amigo. Ele jamais seria esquecido e eu estava bem com isso, o problema era essa dor incomoda que vinha junto com a lembrança dele. As lágrimas tinham um gosto mesclado, confuso. O pranto indeciso entre a tristeza - por saber que eu havia perdido uma grande amizade para a lista de grandes amores - e alegria pois eu havia descoberto ali, naquele encontro despretensioso no parque, que havia vida após Luke, e que era possível amar novamente.

Não é fácil perceber que você está amando. Não é fácil se desprender de sua liberdade e reconhecer que você não lembra muito bem como era a vida antes daquela pessoa. Há um certo tipo de amor que a gente não percebe até estar do outro lado do país, olhando para o cara mais importante da sua vida amorosa e perceber que ele já não é mais tão importante assim.

- O parque não é tão grande assim. - Bryan comentou quando me aproximei dele. Franzi o cenho, sem entender muito bem a sua sentença. - Você demorou.

- Você não vai acreditar... Encontrei o luke. - Contei, abalada, prendendo meus cabelos em um rabo de cavalo alto.

- Por isso que seu nariz está vermelho. - Apertou a ponta do meu nariz, fazendo um barulho com a boca. Rolei os olhos e em seguida ergui um biquinho tristonho. - Ô, irmã! Foi tão ruim assim?

- Foi bom, mas... Foi horrível, bry! - Choraminguei, aceitando seu abraço apertado.

- Um pouco de comédia romântica vai melhorar suas condições? - Questionou, brincalhão. Afastei-me, encarando-o, confusa. Meu irmão apontou com a cabeça para atrás de nós.

- Está rolando?! - Perguntei, já esquecendo meus questionamentos e me concentrando na fofoca a minha frente.

- Cara, veja com seus próprios olhos... - Bryan comentou, puxando-me pelo braço e me levando até os dois.

Clary e seu... indivíduo (eu ainda não sei como me referir a ele, chamá-lo de "amigo" parecia pouco, de "chefe" menos ainda, de romance era muito, então...) estavam sentados em um banco ao lado de uma árvore e dividiam um sorvete. Sim, dividiam um sorvete, tal qual um casal dos anos 60. Aparentemente, seria o primeiro encontro de Caleb com os meus pais após todo o Caso Gravidez. Eles já conheciam o homem por conta da empresa e da amizade dele com Clary, mas ia ser divertido vê-los conhecendo-o como papai do ano.

- Olha quem chegou. - Bryan anunciou, fazendo os dois desviarem o olhar um do outro e me encarar.

- Onde você estava? Estamos aqui já tem um tempo! - Clary reclamou, levantando do banco.

- Passando sufoco. - Clary olhou-me confusa e eu apenas dei de ombro. - Depois te conto. Não sabia que estavam me esperando! - Comentei, virando meu corpo em direção ao homem alto ao lado de Clary. Ergui uma sobrancelha quando o vi engolir em seco, parecendo até nervoso em me conhecer. - Oi.

- O-oi, eu sou Caleb! - Esticou a mão para me cumprimentar, sorrindo ansioso. Minha sobrancelha permanecia erguida quando aceitei seu cumprimento. - Você é a irmã.

- E você é o pai. - Constatei.

- Violet! - O grito esganiçado de Clary me fez gargalhar.

Caleb era alto, simpático, mais charmoso do que bonito e seu porte físico era atlético, mostrando que ele praticava - ou já havia praticado - algum tipo de esporte. A linguagem corporal dele era incrível (aperto de mão firme, ombros alinhados, cabeça erguida. Essas baboseiras, sabe?), o cara devia fazer sucesso em entrevistas de emprego. Não que ele precisasse, ele já era o chefe. Ademais, eu ainda não sabia se podia confiar nele com a minha irmãzinha. E por falar nela, Clary sempre teve uma beleza delicada e marcante por conta dos olhos puxadinhos e a boca carnuda, mas agora, com a barriguinha marcando na blusa e o famigerado "brilho da gravidez", ela parecia uma nova mulher.

- E esse é o meu nome! - Apontei, rindo. - Nossos pais estão lá no posto de organização, vamos até lá? - Sugeri, sem paciência para esperas.

Dei alguns passos, mas percebi que ninguém me acompanhava. Olhei para trás, vendo Pat encarar o casal enquanto prendia o riso. Caleb ainda estava paralisado no lugar, parecendo assustado, enquanto Clary tentava puxá-lo pelo braço.

- O que foi? Caleb, foi você que sugeriu que fosse em público! - Ela o recordou, batendo o pé no chão. Gesto muito parecido com o que eu fazia quando me sentia contrariada.

- Eu sei, cla! - Parou para respirar fundo por uns segundos, antes de seguir em frente. Ela o observou e rolou os olhos, entrelaçando o braço no dele.
Ela mordia a casquinha do sorvete distraidamente, nenhum pouco preocupada com o encontro que estava por vir, quando meu olhar atento captou os olhos dele. Admiração e carinho, puramente. Ele olhava para Clary como se ela pudesse resolver os conflitos do Oriente Médio, como se ela fosse capaz de deixar o planeta em ordem em dois dias.

- Você viu isso? - Murmurei no ouvido de bryan, entrelaçando nossos braços como o casal que agora andava em nossa frente.

- O que? - Perguntou.

- Ele gosta dela. - Afirmei, sorrindo emocionada.

- Eu disse que estávamos assistindo a uma comedia romântica.

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: Apr 05, 2025 ⏰

Adicione esta história à sua Biblioteca e seja notificado quando novos capítulos chegarem!

Loml? | Will grayson Iv Onde histórias criam vida. Descubra agora