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Eu estava na direção dele, não tinha como desviar, nem fingir que não nos vimos. Ele sorriu, ladino e ajeitou a postura. Ele iria me cumprimentar, não ia fingir que não me viu – que era o que eu provavelmente faria –, então, eu apertei os lábios em um sorriso fechado e fui até ele. Afinal, era Luke ali. O cara que foi meu melhor amigo por mais de dez anos. Eu ainda nutria um enorme carinho e admiração por ele – e talvez uma pequena queda também, eu confesso –. A cada passo que eu dava, cada vez que me aproximava mais e tinha uma visão mais definida do seu rosto, uma lembrança antiga surgia em minha cabeça. Minha vontade era de correr e abraçá-lo com força, mas acho que nós não tínhamos mais aquela intimidade.

- Oi, Vivi. - A voz dele. Puta merda, a voz dele! Eu não escutava aquela voz a tanto tempo.

"Oi". Uma mísera sílaba, foi o que ele disse depois de quase quatro anos sem me ver.

- Oi... – Eu não sabia o que fazer. Eu acenava, apertava a mão dele, abraçava? Ele também parecia indeciso sobre o que fazer, mas mantinha o sorriso gentil no rosto. – Quanto tempo, não é?

- O tempo passa rápido. – Respondeu, dando de ombros. Para mim, parecia que tinham se passado 300 anos. Puxou uma lufada de ar antes de continuar: – Está sozinha aqui?

- Eu vim com Bryan, mas ele está do outro lado. E você? – Tirei o cabelo que insistia em voar no meu rosto, querendo ignorar todos aqueles sentimentos que estavam dentro de mim agora. Eu estava bem nervosa, as palmas das minhas mãos estavam suadas e frias ao mesmo tempo. Odiei ele ter aquele efeito em mim, pois, quando nós estávamos juntos, as coisas não era assim.
Luk era a pessoa com quem eu mais me sentia confortável. Lembro que eu costumava trocar de roupa na frente dele mesmo quando éramos apenas amigos e não era um problema. Isso ajudou bastante quando eu tive minha primeira vez com ele.

- Com a hanna. – Pareceu envergonhado de falar, seu tom de voz baixou um pouco e eu fiquei um pouco chateada, não vou negar. – Uau, seu cabelo tá enorme!

Eu nunca tive o costume de usar cabelos longos. O mais longo que eu já tive chegou até um pouco abaixo dos meus ombros. Agora ele chegava em minha cintura e eu estava apaixonada por ele assim. estava cada dia mais ondulado. Toquei as pontas do meu cabelo, até encantada por ele ter notado.

Deus, tire esse homem de perto de mim ou vou me apaixonar novamente em 20 minutos.

- Vocês ainda estão juntos? Que legal! – Sorri, meio absorta e completamente falsa, e ele riu.

- Pois é, achei que não ia durar uma semana, mas aqui estamos nós. – Confessou, risonho.

- E onde ela está? – Olhei em volta, procurando-a. Não queria ter uma surpresa e achar a garota nos observando. Já era estranho o suficiente ter que lidar com Luke, com os dois juntos eu não sei se conseguiria.

- Na tenda de ioga. Preferi esperar aqui. Eu gosto do barulho, sabe como é... – Deu de ombros e eu apenas assenti, engolindo em seco.

Eu tinha a impressão que estava tudo errado. Eu fantasiava com esse momento a muito tempo. O nosso primeiro encontro após o término tinha que ser cheio de tensão e constrangimento. Ele tinha que estar nervoso por me ver, visivelmente abatido, solteiro e me querendo de volta, obviamente. E eu devia estar rodeada de amigos, ele veria que eu estava bonita e estava bem sem ele, que eu tinha conseguido, afinal, me tornar uma pessoa melhor.

Mas a realidade do encontro foi totalmente diferente. Eu estava sozinha, com o cabelo todo bagunçado, um copo de cerveja vazio, totalmente perdida na vida. E ele estava ali. Lindo, cheio de saúde, com um relacionamento saudável e duradouro.

- Como estão as coisas? – Ele quebrou o breve silêncios entre nós, coçando a nuca, visivelmente constrangido. – Encontrei sua mãe uns minutos atrás, sabia? Ela está na administração lá na entrada.

- Jura? Ela não te supera. Ainda acha que a gente vai casar. – Forcei uma brincadeira, apenas para que a gente risse e o gelo se quebrasse. E funcionou.

Assim como meu pai agora tinha uma fixação por Gabriel, minha mãe tinha uma fixação por Luke. Sempre fora louca por ele, mesmo antes de sermos um casal. O nosso término abalou mais a ela que a mim. E cá entre nós, eu ainda acho que eu e Luke vamos casar algum dia. Quer dizer, eu não acho..., mas espero, secretamente, que sim.
Era engraçado porque eu costumava fugir de relacionamentos como gato foge de água, mas com ele, eu fantasiava até nosso casamento.

- Sua família é incrível! Sinto falta deles... – Confessou, amuado.

- Só deles? Qual é, você me odeia tanto assim? – Gracejei, dando um soquinho leve em seu ombro.

- Claro que não! – Ele riu, acariciando meu braço. Meus olhos se arregalaram minimamente com seu toque imprevisto. Eu espero muito que ele não tenha sentido o quão rápido eu me arrepiei.

- Nós sempre fomos melhores amigos, Luke. As coisas só não deram certo entre a gente. – Me afastei, puxando meu braço levemente porque senti que se demorasse mais um pouco sob seu toque, eu choraria.

Tudo nele era extremamente familiar para mim e me doía não o ter nem como amigo.

- Eu estraguei tudo, é o que você quer dizer. – Expressou, sarcástico.

- Exatamente! – Rimos novamente, mas cada risada acabava com um suspiro estranho entre nós dois.

- Não sabia que você estava na cidade... – Comentou antes que o silêncio nos abatesse novamente.

- Pois é... 

Contei resumidamente o que tinha acontecido, conversamos por alguns minutos sobre nossa vida profissional. Ele contou que agora trabalhava na Defensoria Pública e eu falei que estava desempregada e me sentindo meio sem norte e ele mencionou que estavam precisando de pessoas para trabalhar no Centro Comunitário de Thunder Bay. Fiz uma nota mental para pensar na possibilidade mais tarde.

Eu estava até meio frustrada em ver que ele estava muito bem. Eu esperava que a vida dele estivesse destruída depois que nos deixamos, queria que ele percebesse que eu era a única no mundo que servia para ele, e sim, eu ainda acreditava nisso. Mas acho que era esperar demais depois de anos. Ele me contava sobre sua família quando fomos interrompidos pelo som do meu celular, que tremia incessante na minha mão. Vi a foto de William na tela e gargalhei com o timing perfeito daquele idiota.
Ia ser até estranho se isso não acontecesse.

- Você se importa? - Perguntei para luke, sinalizando meu celular. Com a turnê de William, era difícil ele me ligar assim, do nada, então eu atendia sempre.

- Claro que não, fique à vontade. – Mesmo que eu estivesse fazendo o possível para esconder, Luke inclinou a cabeça, forçando a vista para ver olhar a tela, desinibido. Ele nunca foi de esconder suas vontades mesmo. – É um cara bonito. – Riu, apontando para foto piscando na tela.

- Você não faz ideia do quanto. – Assumi, gargalhando. Deslizei o dedo na tela e atendi a ligação. – Big boy, a que devo a honra?

- Eles estavam tocando minha música? De verdade? Não foi você que pediu? – William questionou com a voz transbordando empolgação.

Loml? | Will grayson Iv Onde histórias criam vida. Descubra agora