Capítulo 39

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HARLEY MORGAN
Washington - Seattle

Solto uma risada alta que ecoa pelo corredor. Elicha fica em silêncio por alguns segundos, provavelmente reconhecendo minha risada familiar.

Ela começa a bater desesperadamente na porta, mas ninguém irá escutar além de mim. Todos estão no campus neste exato momento.

— Harley, sua vaca desgraçada, me tira daqui! - sua voz enjoativa me faz querer vomita.

— Você acha que vai sair assim, Elicha? - forço uma voz suave, mesmo estando fervendo de ódio por dentro. — Ah, não, você vai ficar trancada aí até o jogo do seu namorado acabar. E eu irei vê-lo e torcer por ele, como deveria ser.

Como deveria ser e como vai ser.

— Eu recebi a notícia de que você está grávida, é verdade? - um silêncio reina entre nós. — Não, você não é capaz.

Eu sabia que era uma farsa, se não ela já estaria passando muito mal, não apenas tonta.

— Quer saber a verdade, Harley? - indaga com um leve tom de provocação. Meu silêncio é a resposta. — Eu estou grávida do Nach e, sabe, ele é um amor, aceitou tudo numa boa. Ele disse que eu realizei o sonho dele.

— Ah, Elicha, você realmente acha que me engana assim tão fácil? - solto uma gargalhada. — Eu sei exatamente o que você está tentando fazer.

Eu podia imaginar Elicha franzindo a testa de confusão.

— O que você está insinuando, Harley?

— Acha mesmo que eu não sei o que aconteceu com você no refeitório? - minha voz está mais baixa, mais ameaçadora. — Coloquei um remédio na sua comida, Elicha. Um que te faria perder qualquer chance de continuar com essa farsa de gravidez.

Admitir isso só me deixa mais radiante.

— Você... - ela para por um instante e eu imagino que a droga deve estar fazendo efeito. Se ela ficar mais algumas horas assim, ou seja, até o jogo terminar, ficará em coma. O que eu mais quero. — Você fez o quê?

Eu rio novamente, dessa vez mais alto.

— Coloquei o remédio no seu suco. Um abortivo, Elicha. Fui cuidadosa, só pra garantir que você não fosse uma ameaça. Você não merece um filho do Ky, e se ele realmente se importa com você, vai perceber o que uma mentira como essa pode causar.

— Você... é uma psicopata, Harley! - ela grita. Porém eu não ligava para essas ofensas.

Eu só precisava confessar depois e estaria perdoada.

— Vou ver o jogo dele, sim, Eli. - digo. — E você vai ficar aqui, trancada, até ele terminar. Vai ficar com a falsa imagem de grávida, e ver o quanto você não vale nada.

Ela mentiu que estava grávida, provavelmente para segura o Kyler e essa vadia ainda teve coragem de mentir para mim. Como pode? Eu não irei aceitar isso.

Fui diretamente para o campus após deixá-la lá gritando igual uma maluca, porque era isso o que ela era.

Maluca.

O jogo já havia iniciado e eu observava Nach Kyler fazer os ataques contra os rivais desatentamente. Chegou uma hora em que ele foi arremessado no chão por um dos jogadores da outra escola. Ele levanta após alguns amigos o ajudarem, e consigo ver seus nariz sangrar.

esses capacetes não protegem nada! Que lugar de merda!

A torcida grita em desaprovação. O nosso quarterback estava machucado e desatento. Eu não conseguia entender, porém de vez em quando Nach olhava em minha direção com a testa franzida. Eu sorri para ele, mas o sorriso não é retribuído.

Dou de ombros. Eu sei que ele só está com raiva porque fiquei com o amigo dele, se não fosse por isso e por aquela imbecil da Elicha nós ainda estaríamos juntos.

Mesmo assim, o Campus rompe em barulho e gritaria quando o mesmo sai correndo para a escola.

— Esse cara tem problema? É um jogo importante, ele não pode sair de repente assim! - alguém diz da arquibancada a cima.

— Relaxa, é bom que entra algum substituto. - outro responde. — Esse rapaz não está em um dia bom, já o vi fazer ataques melhores.

Eu me movo, ignorando os murmúrios e passando dentre os alunos agitados para alcançar os portões e os corredores antes que Nach chegue primeiro ao local onde deixei minha melhor amiga.

Droga, ele não pode ver ela!

É mais fácil para mim encontrá-la antes dele já que sei exatamente aonde está.

— Ué, não conseguiu ver o jogo todo? - Elicha Angel consegue ser sarcástica até no seu pior momento. Com quem ela aprendeu fazer isso? — Chegou cedo.

— Cala a boca, vadia! - acerto um tapa em seu rosto, a fazendo cambalear para trás e cair sobre algumas latas de tintas fazias que haviam ali. — Estou começando a achar que aquele idiota passou a perna em mim.

Ela tenta, mas não tem força para se levantar. Então, Elicha pega uma das latas e a joga no chão, fazendo um barulho irritante ecoar no cômodo.

— Não adianta bater, você vai ficar aí até o jogo acabar - digo, com uma expressão satisfeita no rosto.

Porém, meu sorriso logo murcha quando ouço passos rápidos e de repente a porta sendo escancarada pelo Quarterback. Ela me fita, mas seu olhar rapidamente se desloca para a garota encostada na parede.

— O que você fez com ela, Harley? - sua voz e autoritária.

Preferia assim quando era na cama.

Apenas o encara.

— Ah, nada demais - respondo, a voz carregada de falsa inocência. — Só dei uma ajudinha pra ela.
Ela estava... precisando de um empurrãozinho, sabe?

Nach me ignora, indo diretamente na direção da ruiva no chão, esbarrando em mim no caminho.

— Vamos sair daqui, Elicha. Você está bem? - eme pergunta, o mais suavemente possível.

E o cuidado que ele tem com ela me deixa ainda mais irritada, com raiva. As lágrimas começam a descer assim que Nach se retira levando Elicha em seus braços. Ele mal se importa em discutir comigo, ele está tão preocupado com ela que age dessa forma tão rápido.

Eu odeio eles.

Odeio Elicha.

Ela é a minha pior inimiga agora.

E essa guerra ainda não acabou.

É apenas o começo.

Ninguém mandou fuder com a morte.

***

As vezes da vontade de guardar Harley em uma caixinha

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As vezes da vontade de guardar Harley em uma caixinha...

Se é que vocês me entendem.

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