ELICHA ANGEL
Washington - Seattle
Minutos depois, já na enfermaria, minha cabeça latejava. As vozes ao redor pareciam distantes, mas uma coisa era certa: Nach estava ao meu lado.
Ele segurava minha mão com força, como se quisesse me passar toda a segurança do mundo.
— Você precisa denunciar a Harley - ele disse, sério. Franzo o cenho. Isso era óbvio, eu só tinha medo de que algo pior pudesse acontecer. Ela podia facilmente virar a situação a seu favor. — Ela passou dos limites. Isso não pode continuar. Aliás, você lembra que tipo de remédio ela te deu?
— Não... ela só disse que colocou... - meus olhos piscam lentamente, a voz carregada. — na minha refeição da tarde.
Eu estava quase dopada. Minhas pálpebras pesavam. O médico havia passado soro para eliminar qualquer que fosse a droga que aquela vadia havia me dado. Nach disse para eu não me preocupar com o caso deles explanarem sobre a minha situação, pois ele já havia resolvido com não-sei-o-que.
Nisso eu acreditava, ainda que não tivesse toda a informação.
Às vezes o poder que Nach tem nesse lugar me assusta, mesmo que a sua mãe seja a mulher mais rica da cidade, é questionável.
Ouço seu suspiro e então sinto seus dedos apertarem minha mão com mais firmeza. Seu rosto parecia cada vez mais tenso.
Eu queria pedir pra ele relaxar. Mas como ficar calmo diante daquilo?
— Você precisa se lembrar de mais alguma coisa, Elicha. Isso é sério.
Fecho os olhos por alguns segundos, tentando puxar qualquer detalhe que minha memória cansada pudesse trazer.
Quase durmo.
Então, algo me vem à mente.
— Ah, sim... Ela mencionou um garoto. Disse que tinha receio de ele ter passado a perna nela... - meus olhos piscaram lentamente. — Você consegue entender?
Olho para Nach, que confirma com a cabeça.
— Sim, consigo... - murmura, quase como se falasse consigo mesmo.
Ele parecia perdido em pensamentos. Eu não conseguia pensar normalmente, mas se estivesse sóbria, teria certeza de que algo estava errado.
— Que bom. Porque eu não consigo - completo, sentindo o cansaço me pegar cada vez mais.
— Eu acho que sei do que se trata... - Nach responde, a voz mais baixa, como se hesitasse em dizer algo que estava à beira de sua mente. — Eu preciso...
Nesse momento, a porta é escancarada pela mulher dos cabelos loiros e bagunçados.
— Tudo bem. Drogas são boas, mas em horário escolar, Eli?! Eu não acredito que teve coragem de fazer isso! - Tia Kyla grita exasperada. Ela parecia decepcionada, mas sua expressão logo se abre em uma largo sorriso. — Parabéns! eu sempre tentei mas nunca consegui. Cai entre nós, a culpa é da sua mãe.
Ela revira os olhos no final.
Eu apenas a encaro, sem conseguir expressar nenhuma reação.
Se não estivesse desse jeito agora, com certeza estaria rindo horrores.
Ela diz assim, mas é óbvio que não sabe da metade que o filho faz.
Se soubesse, Nach não estaria mais entre nós.
— Que bom que não fez né, se não estaria na mesma situação que a minha filha agora. - a ruiva intervém, cruzando os braços e nos encarando seriamente.
— Você não tem local de fala, Ana. - Kyla resmunga.
— Você me deu prejuízo a nossa juventude toda, é claro eu posso falar algo - responde sem olhar na direção da irmã. — E o que vocês dois fizeram, eu posso saber?
— Mas não está óbvio? Nós acabamos de receber uma explicação bem elaborado do médico!
— Eu quero escutar deles - minha mãe responde simplesmente.
Kyla franze uma sobrancelha, desconfiada. Minha mãe nunca deixou que os filhos argumentassem. Por isso essa história de escutar o "nosso lado" estava estranha.
— Eu só acho que isso é uma desculpa para não admitir que estava de olho em outra coisa, não na...
— Cala a bo...
— Não, não é nada disso que vocês estão pensando! - Nach diz, cortando as duas.
— Não? - mamãe levanta a voz, apontando para o soro ligado ao meu braço. — Minha filha está dopada, Nach! Que tipo de problema vocês se meteram?
— Mãe... - Minha voz sai fraca, mas suficiente para chamar sua atenção. — Não foi ele... Não foi culpa do Nach.
Ela olha para mim, incrédula.
— Não foi ele? E então quem foi? Por que você está assim, Elicha?
Sinto um nó se formar em minha garganta. Eu queria explicar, mas minha cabeça ainda estava pesada demais. Olho para Nach, esperando que ele tome a frente.
— Foi a Harley - ele diz, direto, com uma firmeza que me surpreende. — Ela colocou alguma droga na comida da Elicha em alguma hora do intervalo. Achou que ela estivesse grávida.
— Grávida?! - Kyla arregala os olhos, como se aquilo fosse o último golpe que pudesse levar. — Quem inventou essa história absurda?
— Um site de fofoca da escola - Nach responde, cruzando os braços. — Mas Elicha não está grávida. Ela confundiu.
Minha mãe coloca as mãos na cintura, respirando fundo como se estivesse tentando absorver cada palavra.
Já Kyla está com uma expressão indecifrável no rosto.
— Essa garota é insuportável! - ela solta, a voz carregada de indignação. — Eu sabia que ela não prestava, mas drogar a minha sobrinha? Isso passou de todos os limites!
— Vocês denunciaram isso a alguém? Precisamos falar com a diretora e levar isso ao departamento... - a mulher ruiva começa a falar mas eu a corto.
— Não. Não vai adiantar nada.
— QUÊ? - Kyla grita, mas logo abaixa o tom de voz. — Elicha, você está se ouvindo? Sua ex melhor amiga tentou te dopar, porque achou que você estava grávida! E se não fosse apenas uma fofoca idiota dos seus colegas? Se fosse verdade o pior iria acontecer! Então, sim, ela merece ser detida antes que faça uma merda maior!
— Vocês não entendem... a família da Harley... não é simples... - começo, mas o sono começa a me tomar, tento resistir porém é algo praticamente impossível. — Kyler...
Seguro sua mão por cima da coberta branca. Ele sabe, ele conhece a família da Harley melhor que eu. Isso foi apenas uma gotinha d'água do que ela realmente pode fazer.
— Podem denunciar. - diz, contrariando a minha pessoa.
Eu não consigo confrontar ele devido a minha leseira e tenho raiva disso.
***
Nach tá querendo apanhar.
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Transando Com A Morte
FanfictionTransar com a morte não é como ser agredida ou ferida como Ella Quinn, a amiga inocente de Elicha Angel, imaginava. Transar com a morte ia muito além do que só pecar como Harley Morgan pensava. Transar com a morte é como estar no topo da maior mont...
