Transar com a morte não é como ser agredida ou ferida como Ella Quinn, a amiga inocente de Elicha Angel, imaginava.
Transar com a morte ia muito além do que só pecar como Harley Morgan pensava.
Transar com a morte é como estar no topo da maior mont...
Eu amava Elicha Angel. E queria poder dizer isso para ela.
Nesse momento, que estou olhando seus olhos cor verde avelã lacrimejarem levemente. As bochechas rosadas. Os lábios carnudos. Mas não posso...
Não agora que a Angel está com as emoções descontroladas, isso só a deixaria ainda mais confusa e agitada.
E Noreen? Quem é Noreen? Eu lembrava de ser muito querido pelas garotas na quinta série, mas não lembrava dessa Noreen. Só conheço pela família e porque a Angel vive falando sobre como essa garota é insuportável.
Ela não é como Elicha na minha vida, afinal, só tenho olhos para ela. Se ela soubesse...
— Vamos descer? Acho que todo mundo já chegou. - Eu concordo e ela corre para o banheiro, provavelmente para se olhar no espelho. Ela sempre faz isso, porque, na maioria das vezes, acabou de passar por uma crise.
Se Angel não tiver uma crise de choro pelo menos uma vez no dia, pode ter certeza que não é ela de quem estamos falando. A conheço desde os meus três anos. Na verdade, desde sempre. Mas nossa comunicação verbal começou aos três anos de idade.
As primeiras palavras de Elicha para mim foram um: "eu te odeio".
Me lembro até hoje.
A sala de jantar estava cheia, a família da Angel variava entre pessoas ruivas e loiras, era enorme considerando que também era a minha família. Só que eu e a minha mãe não tínhamos um pingo do sangue real deles.
A minha mãe, Kyla, era filha adotada dos Ampbell, consequentemente sendo irmã da Ana, que automaticamente se tornava a minha tia.
E Angel prima.
Mas eu não compactuo com essa parte. Nunca nos consideramos primos.
— Ah! Oi, meus amores, nós estávamos esperando por vocês. Por que demoraram tanto para descer? - a minha mãe chama a atenção de todos com sua voz entusiasmada.
A vó Ampbell e os outros, dentre eles um Lucas sorridente, também nos cumprimentam, mas quando os olhos de Noreen se erguem em nossa direção, o silêncio invade a sala e só o que dá para escutar é a sua voz irritante.
— Espera aí... esse é o casal que traiu os melhores amigos?! - pergunta com uma falsa surpresa. Ray Ampbell, ao seu lado, a repreende com um "Noreen!" mas ela simplesmente ignora a mãe e continua. — O que foi? O caso da Holf High School não para de circular pela cidade. Tipo, Vocês bancaram os inocentes né...
Noreen era loira.
Seus olhos claros carregavam uma malícia velada, aquela típica de quem sempre sabe de tudo antes de todo mundo e faz questão de deixar isso bem claro.
As unhas feitas, provavelmente um tom claro ou nude, porque mulheres como ela gostavam de manter uma aparência refinada. O vestido elegante, um pouco formal demais para uma reunião familiar, mas, vindo dela, não era surpresa.
Noreen era o tipo de garota que fazia questão de exalar confiança, de ter a última palavra e, principalmente, de fazer os outros se sentirem um lixo no processo.
— Que caso é esse? Rola assassinato? - A vovó Ampbell questiona na maior inocência.
Ninguém faz ideia desse assunto, além das nossas mães, e Ray, percebi devido a reação dela ao ouvir sua filha falar aquilo. Minha expressão é neutra no momento, mas por um instante eu quis arrastar a cara da prima de Elicha no asfalto.
Peguei o síndrome de EA (Elicha Angel), porque ela sempre prefere resolver as situações nesse quesito
agressão.
A diferença entre eu e a Angel, é que eu só imagino, e ela tá prestes a fazer.
Puxo seu braço discretamente quando ela faz menção de avançar em cima de Noreen.
— Sério? Nossa que estranho, Noreen, não fiquei sabendo disso... Aonde você ouviu essa fofoca, hum? - digo, me sentando confortavelmente na cadeira em frente a mesa da sala de jantar e puxando Eli para se sentar ao meu lado.
Ela só falta explodir de tanta raiva. Observo suas mãos enroscadas uma na outra. Os nós estão avermelhados.
— É, minha querida neta? De onde pegou essas informações?
Noreen olha de relance para Ray, que a observa com um olhar inquisitivo, como se dissesse "explique-se agora".
— Ah... foi só um comentário que ouvi por aí... - tenta desconversar.
— Comentário por aí? Você nem conhece ninguém da Holf! Desde quando anda escutando fofocas de uma escola concorrente? - A avó apertou os olhos, claramente desconfiada.
Eu sabia que Noreen não podia ter contato com ninguém da nossa escola. Ela estuda na Nordin High School, outra escola de Seattle que disputa com a Holf. Mas nada muito ameaçador.
Noreen desvia o olhar e da uma risada forçada, mexendo nervosamente no cabelo cacheado e loiro.
— Ok, talvez eu tenha lido em algum perfil na internet... — ela admite, finalmente. — Alguns alunos da Holf postam coisas públicas, sabe? Foi fácil de encontrar.
Elicha não se deixa convencer. Agora mais calma, ela insiste:
— Estranho — suas sobrancelhas ruivas se franzem. — Até parece que você tem tempo para isso, Noreen. Achei que você estivesse sempre ocupada com seu "grupo de estudos" na biblioteca, como vive falando para a minha mãe.
— Que grupo de estudos? - Ray interrompe, confusa. Todos ficam confusos. E Lucas sussurra um "ferrou" bem entusiasmado antes das vozes começarem a se misturar pelo local.
Eu encaro Elicha que agora parece muito feliz, beijo sua bochecha levemente, deixando o caos da família se alastrar pela sala.
— Mais um pecado, amor.
— Eu não considero isso um pecado. - ela sorri e tudo o que eu queria nesse momento era foder ela lentamente até ela implorar por mais.
Gostosa do caralho.
— Desalinhar a sua família durante o dia de Ação de graças, não presta como um pecado? - provoco e ela apenas ri, desvio o olhar para as suas pernas e elas estão uma na outra. — Você quer subir?
— Nach!
***
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