NACH KYLER
Washington - Seattle
Já faz 30 minutos que o jogo começou e a Angel ainda não chegou. Eu estava ficando impaciente e desatento nos ataques, já fui derrubado mais de cinco vezes e perdi a bola três. Harley Morgan me encarava da arquibancada como uma psicopata. Não sei oque ela está fazendo aqui, pois o Howard ainda está debilitado.
Isso só me deixa mais irritado. Só queria que aquele olhar de esmeralda estivesse aqui para me acalmar e me incentivar a manter o foco. Mas ela não está aqui.
Aonde Elicha Angel se enfiou?
— Cadê a sua amiga hein, Toy? - me arrisco a perguntar para o melhor amigo da ruiva. Não gosto desse cara, mas descobrir que ele é gay, diminui a porcentagem de ódio que tenho por ele.
— Ela me ligou há alguns minutos dizendo que já estava vindo. Fora isso, não sei - informa rapidamente. — Talvez ela tenha se atrasado ou sei lá. Você sabe como a Elicha é... difícil de prever.
Eu não gosto do tom de indiferença na voz dele, mas tento não me irritar mais. O que mais me incomoda é a preocupação que eu não consigo evitar. Elicha desapareceu, e eu não sei por que. Era para ela estar ali, me dando apoio como sempre fez.
— Ela... vai vir, né? - minha voz sai mais forçada do que eu gostaria.
Logan me lança um olhar rápido, como se visse pela primeira vez a minha ansiedade. Ele só concorda com a cabeça, mas sem muita confiança.
O jogo continua, mas estou completamente desatento. Minha mente está em outro lugar, e as quedas e perdas de bola não ajudam. Olho para a arquibancada, mas Harley ainda está lá, com aquele olhar de quem sabe mais do que está dizendo. Algo na sua presença me deixa mais inquieto. E a ausência de Elicha me faz querer abandonar o jogo e correr até ela.
E é o que faço quando dá o terceiro tempo de jogo.
Não era um jogo importante, afinal. Elicha era mais importante. Ela sempre seria mais importante que qualquer coisa. Eu queria que ela estivesse comigo.
Mas o meu anjo desapareceu.
Entro na escola, correndo de corredor a corredor, passando pelos armários dos alunos e verificando cada porta. É difícil encontrá-la em meio a tantas informações, então começo a chamar o seu nome. Se ela estiver em alguma dessa salas irá me escutar.
— Angel! - grito, minha voz ecoando pelo corredor vazio. Não me importo se estou fazendo papel de idiota. Nada importa agora, exceto encontrar Elicha.
Passo pela sala dos professores e pela sala de ciências, batendo na porta de algumas delas sem sucesso. A angústia só aumenta. Onde diabos ela pode estar? Meu coração acelera com a ideia de que ela possa estar em algum tipo de perigo.
Eu estava quase desistindo quando ouço um barulho baixo vindo de uma sala nos fundos. Eu corro até lá, com o peito apertado, e escuto uma voz familiar, mas não é Elicha. A voz é ríspida, e o que é mais, tem algo de ameaçador.
— Não adianta bater, você vai ficar aí até o jogo acabar - Harley.
Eu congelo na porta, ouvindo a risada abafada dela. Minha mão se fecha em punho. Harley. O que diabos ela está fazendo com Elicha?
empurro a porta com força, entrando na sala. Meu olhar encontra Harley primeiro, em pé, com uma expressão de satisfação no rosto. E então, meu olhar se desloca para Elicha, que está encostada na parede, com a cabeça baixa, aparentemente tonta, mas ainda viva.
— O que você fez com ela, Harley? - minha voz sai cortante, apenas raiva.
Harley só me encara.
— Ah, nada demais - ela responde, a voz carregada de falsa inocência. — Só dei uma ajudinha pra ela. Ela estava... precisando de um empurrãozinho, sabe?
Elicha levanta a cabeça nesse momento, com os olhos cheios de confusão, e vejo a dor em seu rosto. Eu me aproximo dela, querendo protegê-la de qualquer maneira.
— Vamos sair daqui, Elicha. Você está bem? - pergunto, o mais suavemente possível, embora meu corpo inteiro esteja em tensão.
Se pudesse, eu matava essa filha da puta. Tenho certeza de que Elicha só não fez isso porque está dopada ou algo assim.
— Ela... ela me deu remédios - Elicha murmura, a voz fraca e trêmula. Seus olhos estão nebulosos, e a expressão em seu rosto é de dor e confusão.
Eu me apresso a levá-la para fora, e a colocar no carro sem mesmo olhar Harley e tentar descobrir o que ela estava tramando. Elicha estava passando mal, ela era a única prioridade naquele momento.
Acelero para o hospital mais próximo da Holf.
Eu olho para Elicha, sentada ao meu lado, a cabeça apoiada contra o vidro da janela do carro, com os olhos semi-fechados. Sua respiração é irregular, e eu não consigo parar de pensar naquilo que Harley fez. Os dedos apertam o volante com força, minha mente uma tempestade de raiva e preocupação.
Eu só queria que Elicha estivesse bem, que nada disso tivesse acontecido. Não consigo me acalmar.
Ela tenta se ajeitar no banco, mas parece ter dificuldade até para se mover direito.
Tento controlar a minha raiva e me concentrar em ser o mais calmo possível, mesmo que tudo dentro de mim queira explodir.
A sensação de impotência me consome.
O que Harley estava esperando com isso? O que ela queria fazer com Elicha? Como ela teve coragem?
Por que eu a deixei sozinha?
Acelero mais, o carro cortando as ruas na direção do hospital. Eu preciso chegar rápido. Não sei o que Harley colocou no remédio dela, e o medo de que algo sério tenha acontecido me consome a cada segundo.
Quando finalmente chego ao hospital, estaciono o carro de qualquer jeito e saio correndo para abrir a porta do lado de Elicha. Ela parece fraca demais para se mover sozinha, então a apoio cuidadosamente nos meus braços.
— Você vai ficar bem, amor. Só segura um pouco.
***
Capítulo curto porém necessário 🥰
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Transando Com A Morte
Fiksi PenggemarTransar com a morte não é como ser agredida ou ferida como Ella Quinn, a amiga inocente de Elicha Angel, imaginava. Transar com a morte ia muito além do que só pecar como Harley Morgan pensava. Transar com a morte é como estar no topo da maior mont...
