Capítulo 41

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NACH KYLER
Washington - Seattle

— Podem denunciar

Noto o olhar alarmado da Angel em minha direção ao ouvir a resposta, mas não tenho medo de ser confrontado pela maneira impulsiva da minha garota resolver seus problemas.

Talvez não agora.

Eu tinha que ser o equilíbrio, o ponto firme.

E mesmo assim, no fundo, uma sensação amarga rastejava dentro de mim. Todos aqueles rumores, todas aquelas perguntas, tinham apenas uma resposta: a culpa era minha.

Saí da sala apressadamente assim que Elicha finalmente adormeceu. Ela insistiu até o último segundo em ficar acordada, discutindo contra a nossa decisão, mas seu corpo exausto acabou vencendo.

Demorou, mas cedeu.

Meu carro estava jogado perto da entrada do estacionamento, estacionado de qualquer jeito. Na hora que cheguei com ela, o caos da situação não me deixou pensar direito. Era sempre assim quando se tratava de Elicha. Às vezes, essa ruiva bagunçava tanto a minha cabeça que eu não sabia mais o que era controle.

Mas uma coisa eu sabia: faria qualquer coisa por ela.

— Quem foi o filho da puta que vendeu drogas pra Harley Quinn? - disparo, entrando no galpão com a postura de quem não estava para brincadeiras. Meu olhar atravessava o pequeno grupo reunido ali, todos evitando me encarar diretamente. Sabiam o peso da minha palavra.

Willow, um dos vendedores mais conhecidos — e irritantes —, ergue uma das mãos.

— Qual? Aquela loira com síndrome de Regina George? Crente do rabo quente? Não fui eu! - Ele ri de forma afetada, mas para imediatamente ao perceber que eu não estou com paciência.

— Sem gracinhas, Willow - rosno, avançando um passo na direção dele. — Eu quero nomes. Agora.

Ele dá de ombros e então outro, David Amery, um loiro magricela, que mais usa a droga do que vende, abre a boca.

— Olha... mais cedo, uma garota me parou. Loira, parecia meio desesperada. Sabe quando é a primeira vez de alguém?

Meu maxilar travou. Eu sabia que Harley tinha um talento para ser insuportável, mas drogar alguém? Ela tinha cruzado uma linha.

— O que ela pediu? - pergunto, a voz baixa, mas carregada de ameaça.

David hesita, o olhar dançando entre os outros presentes, como se pedisse ajuda. Mas ninguém ali ousou interromper.

— Um calmante pesado... daqueles que... - David hesita, engolindo em seco antes de continuar. — Dá pra apagar vidas.

— Nome?

Termexil.

O nome fez meu sangue gelar.

— Termexil? - minha voz saiu mais alta do que planejei. Eu me aproximei dele, o encarando como se quisesse furar um buraco em seu crânio. — Você tem ideia do que está dizendo? Essa droga foi proibida há anos. Onde você conseguiu isso?

David Amery recuou, as mãos erguidas em sinal de rendição.

— Ei, não fui eu quem pediu, só consegui pra ela. E você sabe como funciona, Nach. Se pagam, a gente entrega.

— Essa droga pode causar aborto, David! É letal em doses altas! Você sabe o risco que corre vendendo isso? - As palavras saem entre dentes cerrados, a raiva pulsando dentro de mim.

Transando Com A MorteOnde histórias criam vida. Descubra agora