ELICHA ANGEL
Washington - Seattle
O silêncio do meu quarto parece mais alto do que qualquer máquina apitando no hospital.
Não há cheiro de álcool ou desinfetante no ar, só o perfume leve dos lençóis recém-trocados e o cheiro de chuva que vem da janela entreaberta.
Meu corpo ainda dói, mas não tanto quanto a sensação de vazio dentro de mim.
Eu deveria estar aliviada por estar de volta. Mas, em vez disso, só sinto essa inquietação incômoda, como se algo estivesse prestes a ser arrancado de mim outra vez.
Agora, estou sozinha no quarto, encarando o teto.
Mas não por muito tempo.
Porque há uma presença no cômodo. Eu sei antes mesmo de virar a cabeça.
— Você devia estar dormindo — Nach diz.
Viro o rosto devagar. Ele está sentado na cadeira ao lado da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, a postura tensa.
— Você devia estar indo embora.
Ele expira pesadamente.
— Eu vou.
Meu peito aperta.
Não esperava que doesse tanto ouvir isso.
— Quando?
— Amanhã.
Solto uma risada sem humor.
— Que rápido.
Ele não responde. Apenas esfrega as mãos uma na outra, um hábito que percebo que ele tem quando está nervoso.
Me mexo na cama, ajustando o travesseiro atrás de mim para poder encará-lo melhor.
— Você sempre soube que ia embora, não é?
Nach ergue o olhar e, por um momento, hesita.
Então assente.
— Desde o começo.
Viro o rosto para o teto, sentindo uma mistura de raiva e decepção crescendo dentro de mim.
Eu já sabia disso. Sempre soube. Mas ouvir da boca dele...
É como levar um soco.
— E você só ficou até agora porque...
Ele suspira, passando as mãos pelos cabelos.
— Porque eu precisava saber se você ia ficar bem.
Engulo em seco.
Ele queria ir embora. Precisava ir. Mas adiou tudo... por mim.
E isso só torna tudo mais difícil.
Uma parte de mim sente vontade de gritar. Outra só quer que ele fique mais um pouco.
Mas sei que não posso pedir isso.
Então desvio o olhar, focando na prateleira bagunçada no canto do quarto.
— Eu não entendo. Você nunca quis filhos, certo? - começo. — Então por que parecia tão... tão fodidamente abalado no hospital?
Nach não responde de imediato. Em vez disso, encara as próprias mãos, como se buscasse as palavras certas.
Quando finalmente fala, sua voz sai mais rouca.
— Porque foi injusto.
Minha testa se franze.
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Transando Com A Morte
FanfictionTransar com a morte não é como ser agredida ou ferida como Ella Quinn, a amiga inocente de Elicha Angel, imaginava. Transar com a morte ia muito além do que só pecar como Harley Morgan pensava. Transar com a morte é como estar no topo da maior mont...
