Capítulo 46

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ELICHA ANGEL
Washington - Seattle

— Ainda não to acreditando que hoje é o baile de formatura! - Os gritos de Addy me fazem querer gritar também.

Exatamente o que você leu, eu quero gritar!

Fazem exatamente dois meses desde que tudo de ruim aconteceu na minha vida, e parece que eu ainda não superei.

Parece não, eu realmente não superei.

Mas isso eu deixo pra Megan, porque ela também não superou o breve rolinho dela com o Nick, que não durou nada.

Fora que eles eram melhores amigos, ou seja, perderam a transa e a amizade.

Um concelho: fiquem na amizade.

Mentira.

Só digo isso porque não me apaixonei pelo meu melhor amigo.

E sim pelo pior inimigo.

Devo admitir que eu queria acreditar que a situação dela estava pior que a minha.

E acreditei por algumas semanas.

Até o baile.

A decoração estava impecável. O ginásio da escola nunca pareceu tão glamouroso, as luzes coloridas, tons de dourado e prata, vestidos luxuosos e sorrisos forcados. mas eu sabia que, por trás de toda aquela sofisticação, ainda era o mesmo lugar onde passei os últimos anos tentando sobreviver.

Não que eu fosse muito para a escola, passei metade desses anos em festas. Mas isso não significa que eu não posso reclamar.

Addy e Megan estavam esplêndidas, os vestidos longos modelavam seus corpos idênticos. Uma usava azul-claro e a outra azul-escuro. Eu estava de vermelho. 

Megan segura uma taça de ponche, olhando de soslaio para Nick, que está encostado em uma das colunas, rindo de algo que uma garota sussurra em seu ouvido.

— Ele nem parece afetado - ela murmura.

Suspiro, porque já sei aonde isso vai dar.

— Quer ir embora?

Ela aperta os lábios e balança a cabeça.

— Não. Ele que se foda.

É o que eu também tento fazer. Fingir que não me importo.

Nach Kyler.

Ele está encostado perto da mesa de bebidas, os cabelos bagunçados daquele jeito displicente que sempre me fez querer passar os dedos por entre os fios. O terno escuro se ajusta perfeitamente ao corpo dele, e o olhar frio que ele lança ao redor me faz prender a respiração.

Eu nunca tinha visto ele de terno. É inacreditável como aquele estilo combina tanto com o Kyler. Ou como qualquer roupa fica linda nele. Porque ele é o cara mais gato dessa terra. Eu não posso negar. Eu queria muito que ele estivesse aqui comigo agora, que fosse meu par.

Ele não está com ninguém.

Só seus amigos espalhados ao redor, conversando, rindo de algo que um deles diz.

Nach permanece impassível. Um cigarro entre os dedos que ele não acende, apenas gira lentamente, como se aquilo fosse a única coisa capaz de distraí-lo.

E então, ele me vê.

O olhar dele pousa em mim, e tudo ao meu redor some.

Mas sei que ele não está apenas olhando para mim. Está olhando para nós.

Para mim e para Theo.

O braço de Theo está relaxado ao redor da minha cintura, um gesto inocente, confortável. Ele é apenas um amigo/colega da escola, mas Nach não sabe disso. Ou sabe e não se importa. Ou finge que não se importa.

Mas eu vejo.

Vejo o aperto em sua mandíbula. O jeito como seus dedos fecham em torno do cigarro. O brilho sombrio nos olhos escuros.

Eu poderia sorrir. Provocá-lo. Mas não consigo. Porque, no fundo, não quero um jogo.

Quero ele.

Só que isso já não importa mais.

Engulo em seco e desvio o olhar. Mas, antes que eu possa me afastar, antes que possa me recompor, tudo dentro de mim grita em alerta.

E quando olho para a entrada do ginásio, eu entendo o porquê.

Harley.

Ela está aqui.

***

Há uma penetra entre nós 🤨

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Há uma penetra entre nós 🤨

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