NACH KYLER
Washington - Seattle
O cheiro de fumaça de cigarro e conhaque preenche o ar da mansão dos Morgan. Mesmo com toda a ostentação, esse lugar ainda fede a podridão. Afinal, a sujeira sempre gruda nas mãos daqueles que jogam sujo.
Douglas Morgan está sentado no sofá de couro no centro do salão, um copo de uísque nas mãos. Ele não parece surpreso ao me ver. Nem deveria.
Os guardas da entrada me deixaram passar sem resistência. Eles sabem que um confronto comigo não é uma opção.
Ele solta um suspiro e apoia o copo na mesa de vidro, me olhando com uma expressão calculista.
— Nach Kyler. — O tom é neutro, mas a tensão está ali, escondida nas entrelinhas. — A que devo a honra dessa visita?
Não me dou ao trabalho de enrolar.
— Harley.
Vejo os músculos do seu rosto contraírem sutilmente.
— O que tem minha filha?
Me aproximo, meus passos lentos ecoando pelo chão de mármore. Eu quero que ele sinta o peso da minha presença.
— Ela trocou os remédios da Elicha por droga.
O silêncio no ambiente se torna espesso, sufocante. Douglas inclina o corpo para frente, entrelaçando os dedos.
— Você tem certeza disso?
Sorrio de lado.
— Você acha que eu viria aqui sem provas?
Ele mantém a postura rígida, mas vejo as engrenagens girando em sua mente. Ele sabe que estou falando a verdade. E sabe que estou aqui por um motivo maior.
— O que você quer? — Ele finalmente pergunta, os olhos cravados nos meus.
Me sento no braço de uma poltrona próxima e cruzo os braços, assumindo um tom quase casual.
— O nome do fornecedor.
Douglas recosta no sofá, soltando uma risada seca.
— E se eu der, você nos deixa em paz?
Mantenho minha expressão firme.
— Não.
A risada dele morre no mesmo instante. O jogo virou, e ele percebe que não tem mais controle sobre essa situação.
— Então o que mais você quer, Kyler?
Me levanto lentamente e dou um passo à frente.
— Que vocês sumam.
Ele franze a testa.
— Está nos expulsando?
— Estou dando uma escolha. — Inclino a cabeça. — Ou vocês vão por conta própria, ou eu faço questão de tirar vocês à força.
Douglas aperta os olhos, analisando cada palavra. Ele sabe que não pode me desafiar. Não se trata só de mim. Meu sobrenome carrega um peso que faz até os mais poderosos tremerem.
Depois de um longo silêncio, ele suspira e pega um maço de cigarros no bolso.
— O nome do fornecedor é David Amery.
Memorizo a informação no mesmo instante.
— Espero que tenha sido sincero. Porque se eu descobrir que está mentindo, não vai ter um segundo aviso.
Ele traga o cigarro e solta a fumaça, a expressão sombria.
— Você não vai precisar voltar aqui, Kyler. Nós já estávamos planejando sair de qualquer forma.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Transando Com A Morte
FanficTransar com a morte não é como ser agredida ou ferida como Ella Quinn, a amiga inocente de Elicha Angel, imaginava. Transar com a morte ia muito além do que só pecar como Harley Morgan pensava. Transar com a morte é como estar no topo da maior mont...
