HARLEY MORGAN
Washington - Seattle
Sigo a ruiva até o banheiro e quando chego lá escuto um barulho alto de uma das cabines se fechando. Por mais incrível que pareça, o local está vazio, não há nenhuma garota intrometida ali.
Deve ser porque agora está tocando pop na pista de dança nesse exato momento.
Enfim, minha atenção volta novamente para aquela cabine onde a ruiva se escondeu, quando algumas coisas caiem no chão.
Noto que são acessórios e maquiagens que estão na bolsa. Ela parece procurar algo muito importante, pois vejo sua mão tocando o chão frequentemente por baixo da porta.
Então, eu acho.
Está bem ali. Na minha frente. O silêncio, e apenas os murmúrios da ruiva me deixam mais concentrada. Mais atenta a tudo o que está acontecendo.
Uma luz surge no fundo da minha cabeça quando me deparo com a caixinha branca com várias repartições.
Alguns remédios acabam se espalhando pelo chão do banheiro devido a altura que a caixinha caiu se abrindo.
É sério que ela trás isso para esses lugares?
Essa garota realmente tem sérios problemas mentais.
Eu me abaixo, pegando cada um rapidamente. Eles têm diferentes cores, talvez cada um para um tipo de distúrbio mental.
Fala sério, que nojo!
Como eu aceitava ser amiga de uma doente como ela?
— Quem tá aí? - a voz irritante da Angel ecoa no banheiro e eu paraliso na hora. Que inferno!
Eu preciso agir rápido antes que ela abra essa porta.
Por sorte, dá tempo de eu retirar algumas pílulas da minha bolsa e trocar pelos remédios da caixinha. Isso acontece num piscar de olhos, e não demora muito para a ruiva sair da cabine e me encarar com aqueles olhos quase que mortais.
— Oi... amiga, é a Arle. - estendo a mão com a caixinha branca em sua direção abrindo o sorriso mais perto de gentil que por posso dar no momento.
— Sério, Harley, não toca nas minhas coisas! - ela puxa a caixa da minha mão com brutalidade e se vira para o espelho, guardando tudo e pegando um comprimido.
Eu evito revirar os olhos.
Vadia
— Nossa! Não precisa fazer isso, Eli. Eu estou apenas te ajudando. - massageio minha mão fazendo uma careta.
Elicha me olha pelo espelho por alguns segundos.
— Você sabe que não é confiável.
— Eu sei... O que eu fiz foi muito errado, eu admito isso. Eu só estava passando por um momento ruim na minha vida, mesmo assim, isso não é motivo, peço desculpas. - na hora que comeco a falar, Elicha ergue uma sobrancelha desconfiada. — Realmente não deveria ter feito aquilo de jeito nenhum.
Nós duas ficamos paradas no meio do banheiro, uma encarando a outra. O semblante da Angel está triste e eu sei que não é por causa daquela situação, ela está mal por Nach, por ele ter aceito dançar com outra, e ela acha que eu não estou?
Uso essa emoção para mostrar que, de fato, estou arrependido com a situação de agora. Mas é pura mentira, é pura enganação, eu nunca ficarei arrependida se a questão for destruir a vida dela!
Ela arruinou tudo e ela merece tudo de ruim.
Nós éramos melhores amigas, quase irmã de almas e ela simplesmente fez isso comigo, tomou o Ky de mim! Quem ela sabia que era o amor da minha vida e que eu faria de tudo por ele.
Então, sim! Eu farei qualquer coisa para ver ela cada vez mais no fundo do poço.
— Sim, Harley, eu aceito suas desculpas. - depois de longos minutos, a ruiva finalmente me responde. — Mas, por favor, nunca mais chegue perto de mim! Eu quero você longe da minha vida. Para sempre! Você é um furacão de problemas, pessoas como você devem ficar sozinhas! Longe de pessoas boas, porque a sua inveja destrói tudo o que passa pela frente.
.
Os dias foram passando. O Baile foi um sucesso, juntamente ao meu plano que no final se aperfeiçoou ainda mais. Foi tão rápido e simples. Por isso que sempre digo: O importante é confiar!
Estou em mais uma missa sagrada com os meus pais, o ambiente está tranquilo e repleto de velas
um brilho dourado ilumina suavemente as paredes da igreja. O cheiro de incenso preenche o ar, e os cânticos ecoam pelo salão como uma melodia distante.
Eu deveria estar prestando atenção na missa, deveria estar de mãos postas, rezando com devoção, mas, sinceramente?
Não consigo pensar em nada além da imagem de Elicha desmoronando.
Ela está fraca. E vai ficar ainda pior.
A ideia me preenche de uma satisfação inexplicável.
Eu a observei, silenciosa, durante os dias seguintes. O jeito como ela começou a ficar mais irritadiça, como seu olhar passou a carregar aquele peso familiar. Sei que ela pensa que está apenas passando por uma fase ruim, mas mal imagina que o verdadeiro motivo para sua decadência está naqueles comprimidos que agora fazem parte da sua rotina.
Pobrezinha.
Meu pai pigarreia ao meu lado, me trazendo de volta para a realidade.
O padre continua seu sermão, suas palavras sobre perdão e compaixão soam como um insulto para mim. Perdão? Compadecer-se de quem te destruiu? Que piada.
Cruzo as pernas lentamente e solto um suspiro entediado. Meu vestido impecável desliza sobre o banco de madeira, e percebo alguns olhares discretos vindo dos rapazes da frente. Eu sei que sou hipnotizante.
E sempre serei.
A diferença entre mim e Elicha é simples:
Ela é uma coadjuvante.
Eu sou a protagonista.
Afinal, quem além de mim tem o poder de arruinar uma vida sem precisar levantar um único dedo?
Sorrio sozinha.
No fim, ela fez exatamente o que eu queria: confiou.
E essa confiança foi sua ruína.
***
HARLEY É UM CU
desculpa a demora galeraaa
Juro que história já já vai ficar bem mais interessante
Lembrando que vai ter parte dois viuu
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Transando Com A Morte
FanfictionTransar com a morte não é como ser agredida ou ferida como Ella Quinn, a amiga inocente de Elicha Angel, imaginava. Transar com a morte ia muito além do que só pecar como Harley Morgan pensava. Transar com a morte é como estar no topo da maior mont...
