ELICHA ANGEL
Washington - Seattle
A primeira coisa que vejo quando abro os olhos é um anjo.
E não qualquer anjo, tipo daqueles de olhos azuis e cabelos loiros, que têm um brilho irritante ao seu redor. Mas um anjo caído, de olhos escuros e expressão de quem carrega o peso do mundo.
Só depois percebo que não estou no céu.
E que o "anjo" é, na verdade, Nach Kyler, me encarando como se tivesse acabado de ver um fantasma.
Pisco algumas vezes, tentando me situar. O teto branco, o cheiro de álcool e remédio, o som rítmico do monitor ao meu lado...
Merda. Hospital.
De novo.
Minha garganta parece feita de areia. Meu corpo pesa como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão. Mas o que realmente me incomoda é a forma como Nach me olha.
Como se estivesse prestes a desmoronar.
E então ouço uma risada infantil.
— Você tá viva. Que bom. Já tava enjoado desse hospital.
Viro o rosto devagar e vejo Lucas.
Meu irmão está sentado na beira da minha cama, segurando minha mão como se tivesse acabado de me trazer de volta do além. O cabelo ruivo está bagunçado, os olhos verdes brilhando com diversão.
— Você tava demorando tanto pra acordar que eu achei que ia precisar de um balde de água.
Minha cabeça ainda gira, mas consigo revirar os olhos.
— Que inferno, Lucas.
— Não foi o inferno, mas quase. - A voz rouca e baixa vem de Nach.
Meu peito aperta.
Ele ainda está ali, de pé ao lado da minha cama, observando cada movimento meu como se tivesse medo de que eu sumisse se piscasse.
O silêncio se alonga entre nós.
A expressão de Nach é difícil de ler. Ele parece... aliviado? Exausto? Como se não dormisse há dias?
Provavelmente porque não dormiu mesmo.
Eu deveria dizer alguma coisa. Agradecer por ele estar aqui. Perguntar o que aconteceu.
Qualquer coisa.
Mas minha boca seca, e a única coisa que escapa é:
— Achei que estivesse vendo um anjo.
Lucas ri.
Nach pisca, como se não tivesse certeza se ouviu direito.
— O quê?
Tento me ajeitar na cama, mas meu corpo protesta imediatamente. Uma dor aguda percorre minhas costelas, minha cabeça lateja, e solto um gemido involuntário.
Nach se move antes que eu perceba.
— Não se mexe. Você ainda tá fraca.
— Não me diga.
— Sem sarcasmo, Angel.
Ele se senta na beira da cama, e só então percebo como seus olhos estão vermelhos. Como há olheiras profundas marcando seu rosto.
Ele não parece só exausto.
Parece destroçado.
A culpa bate no meu peito antes mesmo de eu entender por quê.
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Transando Com A Morte
FanfictionTransar com a morte não é como ser agredida ou ferida como Ella Quinn, a amiga inocente de Elicha Angel, imaginava. Transar com a morte ia muito além do que só pecar como Harley Morgan pensava. Transar com a morte é como estar no topo da maior mont...
