BRIANNA ABERNATHY dêem ⭐
TORTURA II
Ele balançou um pouco minhas mãos, movimentando as corrente. Eu
podia enxergar seu sorriso por baixo da máscara antes que a voz grossa
abafada reverberasse pelo lugar.
- Já que diz não saber onde ele está, vamos pensar em outros pontos
importantes... acho que você pode ter visto mais alguém com ele, ouviu uma
conversa, talvez? Um telefonema?
- Não sei de nada... - murmurei, meus olhos nos dele, suplicando
em silêncio. Suas mãos puxaram mais das correntes, me fazendo encostar na
madeira pesada da cama, com o punho latejando. Minhas pernas já se uniam,
sendo forçadas a dobrar. - Não ouvi nada, juro... - Ele parou.
Não disse uma palavra. Apenas ficou me observando, sua máscara
parecia impenetrável. Era como se estivesse pensando em como intensificar a
dor, a agonia.
Naquele momento, uma faísca de coragem surgiu dentro de mim.
- Você acha que essa máscara vai te esconder? - Soou mais firme do que eu esperava. - O que você está tentando esconder? - Puxei as
correntes. - Sei que não quer fazer isso... - Era uma tentativa.
Meio merda, mas era minha única opção.
Ele permaneceu em silêncio por um momento, seus olhos expressando
algo indecifrável por trás do tecido fino da máscara.
- Você não me conhece, vadia - murmurou com a voz baixa. - E
nunca vai me conhecer completamente, ninguém foi capaz até hoje. - Com
isso, ele puxou as correntes de uma só vez.
Senti meus punhos serem apertados, as minhas mãos formigaram,
pareciam querer explodir. A emenda me obrigou a erguer as coxas, eu podia
sentir minha virilha queimando, o ferro fazia uma pressão inigualável nas
bordas da minha calcinha agora completamente à mostra. Gemi e me
contorci, tentando fazer o sangue voltar a circular, mas era em vão.
Eu comecei a entrar em desespero quando olhei para cima e vi meus
punhos sendo espremidos, envoltos pelo ferro, meu corpo sendo forçado a
obedecer às suas rédeas, mas quando olhei para ele, sentado na cadeira com
aquela máscara, com total controle sobre mim, eram minhas pernas que
esquentavam, tremiam, me faziam parecer uma desgraçada que gemia.
- Mais apertado? - A voz saiu abafada e seus dedos hábeis fizeram
com que só as correntes nas minhas pernas se movessem. Ele as abriu um
pouco mais e começou a fazê-las subir. - Não fique excitada, eu vou matar
você.
- Já chega... - exclamei. Ele parecia não ouvir.
Com mais um puxão, senti as correntes chegarem ao limite, unindo-se
em cima da minha calcinha, meus grandes lábios latejavam enquanto eu
buscava por ar.
- Oh... você quer que eu pare? - brincou, se levantando com as
pontas das correntes envolvidas nas mãos. Seus dedos deixaram um pouco
escapar, me dando uma trégua, e eu choraminguei. - Quer que eu pare,
ratinha? - Puxou mais uma vez e minha voz já não saía mais. - Você não
me disse nada sobre o seu papai ainda e já quer que eu pare, hum?
Mais forte. O aperto parecia cada vez mais forte, e ele estava perto, de
pé, assistindo enquanto eu perdia a cor.
Depois de alguns segundos, constatei que Aaron poderia me manter ali
pelo tempo que quisesse. Eu já não sentia o fluxo da minha corrente
sanguínea. Com certeza iria apagar, mas percebendo isso, quando eu já estava
quase desmaiando, ele soldou as correntes. Meu corpo caiu para frente e tentei reagir.
Força nas mãos. Fixei as duas no chão com um impulso. Impedi uma
queda de cara ao mesmo tempo em que sentia o guinchar do sangue voltando
a correr por minhas veias como fogo, ardendo.
Ele caminhou até mim e abaixou devagar. Sua mão tirando os fios de
cabelo do meu rosto suado.
- Isso é tudo que você vai ter se continuar lutando.
Olhei em seus olhos, exausta, o tecido fino da máscara me permitia vê-
los, mas eu queria mais.
Ergui a mão com dificuldade e segurei a base da máscara.
Ele deixou.
Comecei a levantá-la livrando seus lábios, nariz e então olhos, do
disfarce para só então sussurrar, cara a cara. Olho no olho.
- Eu vou te fazer pagar - soprei, quase sem forças.
Ele segurou o meu braço em um piscar de olhos e eu engoli outro
gemido, quando o senti apertar minha pele levemente.
- Eu vou devorar você primeiro. - Sua língua passou pela minha
orelha e não consegui conter o franzir das sobrancelhas. - Ratinha...
AARON
Seguir para mais uma aula era o mesmo que andar em direção à tortura.
Essa seria a definição para quem quer que me perguntasse. Mas nem sempre
foi assim, confesso.
Contrário do que meu irmão achava, não frequentava a universidade
para ganhar a aprovação de Emília Walker, afinal nem se eu quisesse teria
aquilo. Era a Libert University, fundada por bandidos, comandada pelos seus
descendentes. Frequentava o lugar, porque acreditei em seguir alguma coisa
no início.
Mesmo em um ponto de elite, que decaiu nos últimos anos e, no fim, só servia para conter os piores, formar criminosos, o fato era que a maioria não
pensava apenas em destruição. Aquele também era o lugar para quem estava
indeciso ou queria se munir de conhecimento de alguma forma para seus fins
pessoais.
A princípio, eu gostava do que estudava, depois passei a almejar
conhecer para comandar, mas agora? Agora, só tinha um motivo para estar
ali, e eu já a tinha amarrada em um lugar seguro e distante.
Nada era mais importante naquela joça. Claro, com exceção da minha
soberania.
O lugar era dividido por quadrantes, literalmente, e em cada um, uma
"gangue" diferente tomava seu troninho de merda. Não passavam de grupos
de filhos da mãe que se achavam no direito de ter alguma coisa, quando na
real tudo era comandado por mim.
E isso era refletido no movimento, que permanecia em sua plena
normalidade. Bastava passar diante dos ditos líderes para ouvir nada mais do
que silêncio. Os corredores eram repletos de olhares assustados que recuavam
quando me viam. Regalias não solicitadas, e bocetas acenando pelos quatro
cantos do campus.
A autoridade me fazia ficar excitado de tão prazerosa. Ter onde pisar,
em quem pisar e, com um simples olhar, ter quem limpasse o sangue, depois
que eu o derramasse pelo chão, fazia parte do meu dossiê. Chamava-se
poderio e corria por minhas veias. Era o meu tipo sanguíneo.
Ninguém batia de frente comigo, e isso me entregava carta branca para
qualquer coisa ali dentro, principalmente quando se dizia respeito aos meus
assuntos.
- Meg... - Me aproximei devagar. Ao som da minha voz, a garota
quase se enfiou dentro do próprio armário. - Parece que você está em um
estado de desespero. Algum problema? - Eu adorava falar assim quando
sentia o cheiro do medo nas pessoas.
Ela olhou para mim com olhos suplicantes.
- Só estou preocupada... - Engoliu. - É a minha colega de quarto...
- Sorri de lado, estava me divertindo com o pânico dela. Só não era melhor
que o da ratinha.
- Então o que você acha que deve fazer? Ir até a polícia? Talvez seja
uma boa... Eles adoram lidar com casos perdidos como esse. - Ela me
encarou, os olhos se estreitando com desconfiança e apreensão. Ergui as
mãos como quem fala por falar. - Talvez, se você for até a polícia, o pai dela apareça. Quem sabe? Talvez, ele finalmente encontre uma razão para se
importar.
A expressão da vadia se transformou de confusão para compreensão,
misturada a um medo palpável.
- Você... você quer que eu faça isso! Quer chamar a atenção do pai
dela. - sussurrou baixo. - Está com ela, não é?
Minha risada foi áspera, ecoando pelos corredores vazios.
- É mais inteligente do que parece. Achei que demoraria um pouco
mais para sacar. - Abaixei o tom de voz. - Parece que você finalmente tem
uma razão para ainda estar andando. Faça seu trabalho e, quem sabe, eu até
considere não brincar com a sua vida também.
Me afastei, passando uma linha em mais uma investida. Àquela altura,
ele já sabia, mas pelo visto estava pagando para ver até onde eu seria capaz
de ir.
A única certeza que eu tinha era a que vinha dos meus demônios, e eles
berravam sobre a perda que o delegado de merda teria se não mostrasse a
cara. Isso aconteceria mais cedo do que tarde.
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AO CAIR DA NOITE
Hayran KurguLivro 1 O homem mais poderoso dos EUA te ofereceu um emprego como babá. Ele precisa de ajuda para cuidar de sua doce filha, que acabou de perder a mãe. Só tem um problema. Ele nunca está em casa. Você o encontrou só algumas vezes - e há meses isso n...
