BRIANNA ABERNATHY dêem ⭐
LÍDER (ELA)
"Estou cuidando do caso de sua mãe. Sabia que iria resistir, continue.
Quero o nome de todos, todos os detalhes. Conto com você".
Completaram dois dias que tinha lido aquela mensagem no meio de um
dos pátios da universidade. Estava relendo a cada cinco minutos e o que me
prendia, todas as vezes, era a primeira parte.
Ele estava cuidando do caso da mãe! Finalmente!
Minhas mãos tremiam sempre que pensava naquilo e na minha cabeça
só se passava uma coisa: eu precisava manter o Alien longe dele. Precisava
servir de saco de pancadas, dar cobertura.
Me esquecia até de quem meu pai era, do monstro que se tornou na
ausência dela. Porque, no final, se ela voltasse, tudo estaria resolvido.
Tudo vai melhorar.
- Bri? - Meg me chamou, talvez pela milésima vez. - Diz que
ouviu uma palavra do que falei, eu imploro.Franzi o cenho para ela.
- Pode repetir?
Depois de bufar, Meg começou a tecer o resumo do resumo.
- A nova Reitora acabou de tomar posse do cargo. Dizem que foi
designada para cá pelo próprio governador.
- Legal. - Tentei colocar o máximo de ânimo possível na fala e
voltei para a telinha.
- E tem mais. - Ela tomou meu telefone e jogou de lado.
- Cara?!
- Você também foi anunciada como líder da irmandade, garota!
- O quê? Já anunciaram?
- O resultado sairia hoje, junto com a nova liderança da secretaria.
Você se inscreveu e não leu sobre as datas? - perguntou e minha cabeça se
embolou em uma confusão.
- Mas como ganhei se...
- Glenda? - Ela riu. - Estou depositando as minhas cartas que você
teve um grande poder de influência.
- Devido a?
- Aaron Walker. - Franzi o cenho e ela continuou. - Ser o centro
dos recentes shows dele te fez se tornar intocável, Brianna. Ele literalmente
anunciou que você é dele.
- É um babaca maluco e obcecado pelo meu pai.
- E, por saber disso, as pessoas não querem vê-lo irritado. Por isso,
você ganhou.
Suspirei. Tudo parecia girar em torno daquele infeliz.
- O que vai fazer agora?
Além de manter uma barreira entre Aaron e meu pai, recuperar minha
arma, descobrir qual é a da chave e registrar tudo que puder sobre os mini
criminosos ali?
- Vou pegar o meu crachá de líder e anunciar festas o ano inteiro. -
Deixei escapar somente o que uma pessoa normal diria.
- Essa é a garota que esperei ver o semestre inteiro! - exclamou.Sair do prédio de administração foi uma verdadeira luta. Precisei
improvisar o meu discurso, mostrar estratégias acadêmicas de um post de
dicas na internet, e sorrir o tempo inteiro para a direção. em uma sala bege
com o ar condicionado gelado, enquanto a nova reitora do campus me
encarava com os olhos de uma víbora.
Depois que tomei posse da liderança, tive ainda mais certeza de que
preferia não ter conhecido Glenda. A sala inteira precisou aturar quase duas
horas, em que ela tagarelava e apresentava provas de que a votação foi uma
fraude. A boneca cor-de-rosa estava na frente, mas bastou eu colocar o meu
nome no painel de votação e o jogo virou aos quarenta e cinco do segundo
tempo.
Eu não tinha um discurso, não tinha uma chapa, sequer participei dos
encontros com a direção, mas meu nome estava lá, como líder da irmandade
segundo a votação contabilizada.
Parecia até loucura, mas esse era o poder da influência daquele
desgraçado.
Caminhei rápido pelos corredores do alojamento dos meninos. Os que
passavam por mim com a cara feia recebiam uma careta pior da minha parte,
mas nenhum me dizia sequer uma palavra.
O que eu estava fazendo ali? Aproveitando a minha carta branca de
líder, inventando uma reunião com o líder da fraternidade para conversarmos
sobre a união dos grupos e projetos em comum. Cartada que consegui
elaborar durante a reunião, e que me levaria direto ao quarto do Alien.
Com o sinal de vida do meu pai e tendo decidido que o manteria longe
do alcance do Alien enquanto procurava pela minha mãe, precisava me sentir
segura perto daquele maníaco, logo, recuperar a minha arma parecia ser uma
boa.O problema era que não seria tão fácil assim, e eu sabia disso.
Segundo a folha a que tive acesso na sala da diretora, o quarto dele era
o maior. Por que será, não é? Tinha a droga de uma porta diferente e isso me
fez perder algum tempo para averiguar a fechadura com um pouco mais de
calma.
Minha experiência não era tão vasta para aquelas coisas, mas eu sabia
usar um grampo, e foi no que investi. Os minutos se arrastavam enquanto me
via pendurada na porta trancada, tentando mover o maldito grampo de cabelo
ali dentro.
Agradeci aos céus os dias que passei abrindo portas sem a permissão do
meu pai, para treinar com as armas dele, ou eu levaria um século ali.
Os cliques agressivos ressoavam pelo corredor e minha testa já pingava
suor. Manter um olho no serviço e outro ao redor, para garantir que ninguém
me veria. Estava sendo um horror.
Quando a fechadura cedeu, um leve estalo reverberou pelo lugar e eu a
empurrei suavemente.
Ao entrar no lugar, a primeira coisa que percebi foi o quarto limpo e
cheiroso, o que era um milagre. Não vi nenhum daqueles marmanjos com
cara de quem arejava um chão.
Percebi que tinham duas camas lá, o que indicava que ele dividia o
lugar com um colega.
Enfim, gente como a gente.
Fechei a porta atrás de mim e mergulhei na atmosfera intensa. Paredes
com pôsteres desgastados de bandas de rock, CDs e vinis espalhados,
marcados por incontáveis riscos de rotação, miniaturas de carros
cuidadosamente posicionadas em prateleiras na parede. Uma jaqueta de couro
pendurada em um gancho na parede exalava o cheiro dele. Fresco, forte e
imponente.
Avistei minha arma em cima da escrivaninha, esbanjando a
despreocupação do rei daquele lugar em expor armas de fogo como enfeites
de cômoda. Agarrei-a primeiro e a coloquei na cintura, depois passei a abrir
as gavetas dando um "olá" à minha curiosidade de saber o que tinha no
dormitório de filhotes de criminosos.
Preservativos, uma boca sintética de borracha que preferia não ter visto,
coisinhas embaladas que facilmente os fariam pegar alguns anos na cadeia,
chicletes, barrinhas energéticas, suplementos - afinal, aqueles músculos
tinham que sair de algum lugar - e mil e uma latinhas de álcool em um refrigerador maior do que seus próprios guarda-roupas.
Nada parecia de meu interesse até que eu olhasse na cabeceira.
- Isso!
Estava lá. O molho de chaves e a cópia do que meu pai tinha junto às
coisas da investigação. Tirei-a de lá e olhei um pouco mais de perto,
comparando com a foto no meu celular.
Era igual, e eu não sabia onde enfiar tanto entusiasmo. Não até ouvir
passos se aproximando da porta, aí enfiei o entusiasmo, a chave, a arma e a
mim mesma debaixo da cama mais próxima.
Apertei os olhos e prendi a respiração quando vi os pés entrarem. Seja
quem fosse, fechou a porta, caminhou para dentro e se sentou na cama.
Segundos depois uma bermuda caiu no chão, ao redor dos pés. Ele tirou
a cueca também, vi quando o tecido caiu sobre o jeans e comecei a entrar em
desespero silenciosamente.
A maçaneta girou e mais alguém entrou no lugar.
Era a voz de Aaron.
- Pior do que foder com a minha privacidade é entrar aqui e te ver
pelado, cara - falou.
- Sei que você entra em depressão quando vê o tamanho do meu. O
seu chega a quanto? Sete centímetros? - Brandon finalmente respondeu e eu
ergui as sobrancelhas.
Tinha me esquecido completamente de que era com ele que o Alien
dividia o quarto.
- Sua mãe e sua irmã não conseguiram mamar sozinhas - o
desgraçado rebateu e Brandon riu.
- Vai se foder!
- Aí, punheteiro, manda esse molho de chave. - Ouvi quando
Brandon pegou a penca e jogou para ele.
- Seu irmão deve estar se revirando debaixo da terra. Você se apossou
de tudo que era dele. Até às chaves de carcereiro. - Riu, apertei a chave que
tinha pegado entre os dedos e me encolhi um pouco mais ali.
As chaves eram de John?
Minha cabeça sacudiu. Saber que pertencia ao irmão dele não aliviava
as coisas, mas pelo menos ele as tinha. Era provável que soubesse bem onde
usar cada uma.
Só voltei a respirar quando Aaron saiu do quarto. Mas ainda tinha
Brandon. Pelado.Esperei ele entrar no banheiro ou algo assim para sair dali o mais
rápido possível, mas percebi que sua respiração começava a ficar mais forte.
Quando o som da fricção surgiu duvidei dos meus ouvidos.
Eu iria presenciar mais uma punheta? Esses caras não tinham uma
garota para aliviar a tensão?
Engoli as interrogações no exato momento que ouvi o nome que ele
sussurrou enquanto ofegava.
Era a porra do meu nome.
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AO CAIR DA NOITE
Fiksi PenggemarLivro 1 O homem mais poderoso dos EUA te ofereceu um emprego como babá. Ele precisa de ajuda para cuidar de sua doce filha, que acabou de perder a mãe. Só tem um problema. Ele nunca está em casa. Você o encontrou só algumas vezes - e há meses isso n...
