BRIANNA ABERNATHY dêem ⭐
o EU SOU A PRESA II
Seus passos rasteiros o levaram até as janelas. Com o toque em um
botão, todas elas se abriram.
Me encolhi como uma louca quando o vento frio, salteado por lâminas
finas de água sólida, começou a entrar para dentro.
Era inverno em Nova Iorque. E era um inferno para mim.
— Talvez amanhã você esteja mais disposta a conversar — falou e
levantei os meus olhos repletos de raiva.
Eu podia me ver pálida, com os lábios vermelhos e tremendo como
uma infeliz.
— Onde você pensa que vai? — gritei. — Não vai me deixar aqui!
Porta fechada. A tranca girou duas vezes e eu puxei as amarras de ferro
com força.
— Volta aqui, seu desgraçado!
A dor só me fazia querer romper uma a uma de suas emendas.
Impulsionei o meu corpo, mas a cama era pesada demais parecia embutida à
parede.
As correntes eram curtas, eu não podia sequer me levantar, mas não
queria e não iria ficar presa. Não suportava aquela sensação de inutilidade,
medo e raiva que eclodia dentro de mim, todas juntas, como um tormento.
— Me solta, seu desgraçado! — Senti as lágrimas nos cantos dos olhos.
— Me solta… — Voltei a me encolher, tremendo, sentindo gotas d'água
ainda escorrerem pelo meu queixo.
Era isso.
Eu era uma prisioneira e, com certeza, morreria, porque não sabia de
nada sobre meu pai, e ele não viria me salvar. Nunca se arriscaria tanto por
tão pouco.
E, mesmo que fosse triste, era melhor assim. Se ele se mantivesse vivo,
a esperança da garotinha de cinco anos atrás também viveria.
Me virei de costas para a ventania, querendo fechar os olhos, deixar o
cansaço me vencer. No entanto, uma centelha de esperança passou a competir
com a sensação de derrota quando, lá no canto do quarto, vislumbrei meu
celular.
Um pequeno raio de luz na escuridão em cima da peça polida, há
metros de distância, enquanto eu não conseguia dar ao menos um passo,
sequer me levantar.
AARON
Não fazia ideia de como aquilo mexia com a minha cabeça, até ver o
quanto mexia. A vingança parecia uma droga desgraçada e tudo que me fazia
promessas de tê-la se tornava algo intocado, que eu mantinha longe de tudo e
todos.
Foi ali que percebi isso, porque nunca pensei que odiaria ver os bundões dos meus amigos como odiei naquela hora, enquanto saía da
cobertura.
— Com pressa, Alien? — Benedete e seu tom de mãe protetora me
atingiram primeiro. Seus braços se cruzaram, e assisti a ela se encostar no
capô do meu carro com os olhos afiados.
Mesmo que negasse, ela parecia querer copiar a porra de agiota que
tinha como tio. Ele cuidava dela como uma filha adotiva e, pelo visto, além
do mau exemplo, a ruiva também copiava sua síndrome de acolhimento a
órfãos com problemas.
Com as mãos nos bolsos, como uma dupla de almofadinhas deslocados,
Ryus e Brandon se juntaram a ela. Com seriedade e imponência, me
encararam. Era o poder que eu dava somente a eles, de me tratar de igual para
igual, porque conquistaram aquilo.
E era algo engraçado, porque se, anos atrás, me dissessem que o filho
de um criminoso morto faria parte do meu círculo, eu até acreditaria. Esse era
o caso do Ryus. Mas o filho do Governador de Manhattan? Eu duvidaria se
não soubesse quem Brandon era. O pior entre todos os outros e o mais
próximo a mim.
— O que tá pegando, cara? — ele perguntou com a cara inexpressiva.
— O que que tá pegando? — Ri. — O óbvio! Vocês são idiotas?
— Nós sabemos que está mantendo a garota aí. — Benedete olhou nos
meus olhos. — Mas ninguém sacou o porquê de se fechar sobre o assunto
com a gente. — Franzi as sobrancelhas, sabendo exatamente sobre o que
estava falando.
— Tá falando de que merda, ruiva?
— A mina não é um segredo, cara. A gente falou que ia te ajudar. —
Ryus se posicionou ao lado da namorada.
— Ajudem ficando longe dela. — Olhei para a Benedete. — Afinal, ela
é a minha única carta.
— Vai massacrar a garota. Ninguém seria pior nisso, logo… — Me
seguiu até a porta do carro. — É uma grande hipocrisia da sua parte dizer que
afastou a gente para manter a sua presa segura, já que o perigo é você.
— Benedete… sei onde bater, essa é a grande questão. — Semicerrei
os olhos. — Sou o dono, domino, e a corrente da coleira está nas minhas
mãos — completei. — Sei como tirar tudo dela antes que perca a capacidade
de falar.
Fui abrir a porta, mas me impediram.
Era Brandon.
— Ela está cooperando? — indagou, seus olhos fixos em mim.
— Não do jeito que eu gostaria — falei, um sorriso sinistro brincando
em meus lábios. — Já tinha percebido que ela banca a marrenta, mas todo
mundo tem um limite. — Abri a porta. — Vou cavar até encontrar o dela.
Uma vez dentro do carro, assisti a cada um assumir seus volantes.
Nós tínhamos uma linguagem só nossa.
Aquele único diálogo resolveu muita coisa. O fato de terem me deixado
em paz dizia que tinham superado a exclusão da minha parte.
Mesmo que fosse complicado, eu entendia como nós funcionávamos,
mas ao contrário disso, nada explicava toda aquela concentração na vingança.
Eu tinha todos os detalhes, todos os planos, tudo que faria com a filha do
porco, na cabeça, repassando isso a cada segundo.
Sempre coloquei muita intensidade nos meus passos. A Abernathy era
o meio para um fim e, enquanto não colaborasse, iria conhecer esse meu lado
até ceder.
Eu só pensava em apertar, arranhar e morder aquela garota. Nutria a
certeza de que, quando tudo terminasse, ela ainda sentiria minha presença há
quilômetros de distância. Seria como uma sombra, surgindo todas as vezes
que corresse em direção à luz.
Ela nunca teria paz.
Nunca.
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AO CAIR DA NOITE
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