BRIANNA ABERNATHY dêem ⭐
PROJETO EM DUPLA
Loucura.
Era pura loucura, mas me deixou excitada também, admito.
Os pelos nas pernas dele se eriçaram e eu via suas panturrilhas
tremerem. Tampei a boca e continuei ouvindo. Não tinha muito o que fazer, e
o calor no meu corpo clamava involuntariamente por mais.
Brandon era diferente do Aaron. Suas investidas eram firmes, mas ao
mesmo tempo mais lentas. Ele ofegava baixo, contendo aquilo tudo no peito,
e parecia ronronar a cada pausa.
Apertei a chave em uma das mãos e a arma na outra quando voltou a
murmurar o meu nome, batendo com força e rosnando entre dentes. No
entanto, o movimento começou a parar devagar. Em um piscar de olhos,
puxou a roupa para cima e ficou de pé.
Nossa, ele nem gozou?
Que porra de punheta foi aquela? Segurei a vontade de sair ali debaixo
e perguntar por que parou, mas, poucos segundos, depois senti sua mão envolver o meu pé. Brandon me arrastou para fora do meu esconderijo.
- Que merda você está fazendo aqui? - Seu rosnado me golpeou, os
cabelos escuros caindo sobre o rosto me fizeram lembrar do Aaron.
Tudo me fazia ver, comparar e me lembrar daquele imbecil. Devagar,
comecei a ficar de pé.
- Como você soube que eu...
- O seu cheiro. Doce e irritante. - Me encarou.
Pisquei algumas vezes sem saber muito bem o que dizer, até que ele viu
a arma na minha mão. Aproveitei sua atenção ali para esconder a chave no
meu bolso.
- É minha. Aaron roubou na festa, só vim pegar de volta. - Encarei-o
também, percebendo seu olhar ao redor, como se soubesse de cada mísero
objetivo e estivesse conferindo se estavam em seus lugares.
Me senti ofendida, mas engoli a indignação.
- Posso saber... - engoli em seco - o que foi aquilo? - Olhei um
pouco para baixo e ele ergueu as sobrancelhas.
- É meio que uma necessidade masculina, você não vai entender.
- Necessidade? - Foi a minha vez de erguer as sobrancelhas.
- Aaron não quer que sequer olhemos pra você. Eu só tô sendo um
backstabber (talarico) de um jeito menos errado.
- Mas não tenho nada a ver com aquele imbecil! O termo backstabber
não faz sentido aqui.
- O que torna isso ainda menos errado. - Riu. - Mas continua sendo
proibida, como se fosse dele, fantasiar com você fica mais gostoso. - Meus
lábios se abriram devagar. Ele continuou. - Juro que se assumirem namoro
um dia, nunca mais te imagino nua. - Ergui as mãos.
- Eu desisto de homens! Quer dizer... - Voltei atrás. - Vocês não
passam de riquinhos metidos a criminosos. - Me preparei para sair de lá
como um raio, tentando esconder o rubor que me assolava, quando ouvi o
infeliz mandar um áudio para o amigo.
- Aí, Alien, adivinha quem estava aqui dentro como uma ratinha
debaixo da minha cama? - Me virei para olhar para ele com sangue nos
olhos.
- O que você está fazendo?
- O óbvio. Ele vai perguntar pela arma.
- E em vez de a tomar de mim, você me deixa sair com ela e avisa a
ele?
- Qual parte do "ele não quer que ninguém toque em você" ainda não
entendeu? - questionou, e minha raiva borbulhou pelas veias.
- Então o que acha que ele vai fazer se souber que você se masturba
pensando em mim? - desafiei.
- Falando assim, até parece que namoram... Não foi você quem disse
que não tem nada a ver com ele? - Cruzou os braços, rindo, mas enquanto
se aproximava, seu tom voltava à seriedade. - Aaron divide todas comigo,
ratinha, só com você está sendo diferente. Ele te tem como um tesourinho
intocado.
- Não me chama de "ratinha", idiota! - esbravejei e ele se afastou
voltando a rir.
- Claro, só ele te chama assim. - Caminha até o frigobar. - Aaron
mantém tudo sobre você só para ele, sabia? - Abriu uma lata, o álcool
chiou, fazendo o efeito borbulha, e eu assisti a ele tomar um longo gole. -
Ele está completamente obcecado por você e pela vingança. Só não diz que te
contei isso. - Tomou mais um pouco. - Acho que ele nem chegou à parte
boa ainda, pelo menos isso ele me diria. - Ergueu a sobrancelha. - Ou
vocês já...
- Ele não está louco o bastante para tentar fazer isso!
- Ah... Então essa pode ser uma das razões das tantas regras quando o
assunto é você. Ele quer ser o primeiro daqui a experimentar.
- Então acho que o Aaron perdeu a vez. - Me aproximei. - Você
será o primeiro a experimentar... - ergui a arma - balas na cara!
- Por que não fala isso a ele? - Seus dedos agarraram o celular. -
Alien já viu minha mensagem e deve estar voltando para cá agora mesmo.
Engoli o xingamento e saí de lá correndo.
Pior do que suportar Brandon, com certeza, seria suportar Aaron. E eu
precisava esconder aquela arma, antes que ele a tirasse de mim de novo.Olhei no relógio.
Passei duas horas com a chave na mão, meu crachá de líder na outra e a
certeza de que Aaron me colocaria contra a parede quando soubesse que
estive em seu quarto.
Meu desejo era de correr para a casa do meu pai, ali em Manhattan, e
procurar por qualquer coisa relacionada àquela chave enquanto ainda estava
livre, mas inventei de iniciar um projeto naquele mesmo dia, em
comemoração à minha vitória, para mostrar o quão engajada estaria na
liderança.
Agora, eu estava na mira do Alien e da reitora.
Minha expressão moribunda levou um tapa de Meg, que parecia
animadíssima com o novo projeto que propus ao corpo acadêmico.
Ele surgiu da primeira coisa que pairou a minha cabeça durante a
reunião. Tratava-se de um trabalho com pessoas de cursos distintos. Uma
proposta de interação e junção de diferentes ciências para resolução de
problemas ambientais. Os ganhadores iriam concorrer ao destaque na revista
de Manhattan em trabalhos acadêmicos.
Viva o ensino, viva a união estudantil, as ciências e suas importâncias,
blá-blá-blá. E viva a minha burrice de inventar essa merda.
Caminhei rápido pelo pavilhão administrativo. Iríamos nos reunir no
auditório de lá por ser maior do que a quadra esportiva, e só de olhar pela
porta dupla, pude perceber que estava lotado.
Entrei bem rápido, tentando disfarçar que estava atrasada, circulei as
cadeiras muito bem organizadas e subi no palco, para me sentar junto aos
líderes e secretários, sob a atenção meticulosa de Penélope, a nova reitora.
Ela era uma mulher mais jovem que a Senhora Hunter, exibia cabelos
cacheados curtos e uma pinta no nariz. Seus olhos eram claros e, assim como na reunião, me fitavam como os de uma serpente.
A secretaria estava em peso e os funcionários também, além dos
universitários mais compromissados e o corpo docente.
O primeiro a falar foi Doug, líder reeleito da fraternidade, e devo dizer:
me surpreendi com suas propostas. Confesso que o arrependimento de não ter
ido até ele, em vez de me enfiar no quarto de Aaron, bateu como um balde de
água fria. Eu teria uma bela bagagem para apresentar, se tivéssemos entrado
em acordo para unir irmandade e fraternidade, ou mesmo só trocando
algumas ideias.
Mas foi para um bem maior. Agora, eu tinha com o que me defender do
Alien, e tinha a chave.
Quando o garoto branco de cabelos ralos terminou, foi a minha vez de
discursar e colocar o que eu havia prometido em jogo. Me levantei da cadeira
e, com os olhos em cima de tanta gente, decidi que seria breve, o nervosismo
estava me matando, apresentei minha satisfação em fazer parte do corpo da
liderança, destrinchei detalhes sobre a minha proposta e finalizei com um
sorriso forçado para, com um aceno, a direção concordar com o meu projeto
relâmpago.
- Já pode começar a se organizar, Brianna - Penélope pontuou. -
Estou curiosa para ver o rendimento dos universitários. São desses tipos de
projetos que se extraem os novos Einsteins das classes. - Seus olhos
permaneceram fixos em mim. - Se me permite saber, e que sirva até para
que os demais usem como exemplo no ato de escolha...- Ergueu a
sobrancelha. - Com quem pensa em fazer dupla para o projeto?
Soltei o ar devagar. Não era uma pergunta difícil.
- Bom, desde o início do projeto tive em mente que a união entre a
Medicina e outra área do conhecimento, que preferencialmente não esteja
enquadrada nos limites dessa ciência, poderia resultar em algo esplêndido,
então por que não...
- Medicina e Engenharia Mecânica? - A voz masculina me fez
vacilar. Todos viraram as cabeças para ver quem abriu as portas do lugar com
tamanha falta de educação e não pareciam nem um pouco surpresos quando
viram Aaron. Meu coração, no entanto, faltou saltar pela boca e
cumprimentá-lo na porta. - O que acha, reitora? Equipe? - perguntou alto,
enquanto caminhava até a frente e eu prendia a respiração. Quando
finalmente chegou à primeira fileira de cadeiras, seus olhos miraram os meus
e, em seguida, passaram das pessoas sentadas ali à reitora, que suspirou como se já soubesse o que estava vindo. - Como está o governador, senhora? -
perguntou a ela, como se fossem íntimos.
Foi bem ali que minha esperança de ter um final de dia normal morreu.
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AO CAIR DA NOITE
Fiksi PenggemarLivro 1 O homem mais poderoso dos EUA te ofereceu um emprego como babá. Ele precisa de ajuda para cuidar de sua doce filha, que acabou de perder a mãe. Só tem um problema. Ele nunca está em casa. Você o encontrou só algumas vezes - e há meses isso n...
