AARON WALKER
Racha
Ainda com os olhos fechados, levei as duas mãos ao rosto e bocejei. Já
era manhã e meu corpo estava relaxado como nunca, naquela cama forrada
por um edredom cor-de-rosa e travesseiros brancos como neve.
Apalpei o colchão, esperando encontrá-la ali, descansando, mas para
minha surpresa, estava vazia.
Abri os olhos erguendo a mão para ver a porra da algema pendurada no
braço.
— Como ela…
Procurei por todo o lugar e não havia sinal da ratinha. Me levantei e,
vestido com a roupa ainda meio úmida, meus passos ressoaram pelos
corredores segundos depois. Narinas dilatadas, procurando pelo cheiro dela.
— Onde está o seu fardamento, Walker? — Era a reitora. Surgindo
como um fantasma no exato momento em que eu me aproximava do
refeitório. Ignorei. Ela era o menor dos meus problemas. No entanto, a
mulher continuou me perseguindo. — Qual é o seu problema? Não consegue
manter os pés na linha por um dia? — Me virei, transtornado, mostrando que ganhou atenção.
— E você está aqui para anotar os meus deslizes e mandar uma cartinha
para minha mãe? Foi isso que o governador pediu?
Seus olhos semicerraram, mas se manteve firme ao me encarar.
— Estou aqui para garantir que não coloque fogo nesta universidade ou
anuncie aos quatro ventos quem é o governador em uma de suas crises de
loucura.
— Ainda não me viu em crise, vadia.
— Me pergunto como já não deram um jeito de te fazer sumir. Filho de
um caído, sem valor algum para ninguém além do seu orgulho. — Cerrou os
dentes. Eu podia distinguir a raiva entranhada em cada palavra. — Dizem que
você tem muito do seu pai, mas só vejo um pirralho mimado que usa de
artimanhas e dinheiro para se esconder.
— Gostaria de ver alguém tentar matar o filho do CDC. — Falei a sigla
que pensei nunca repetir na vida, e ela deu um passo para trás com os punhos
cercados. — Dizem que tenho os olhos dele também. Deve ser verdade, não?
— Semicerrei-os em cima dela.
Nos viramos para ver Brianna no refeitório, usando a minha camiseta
que manteve no guarda-roupa desde o dia em que dei a ela, tomando café ao
lado da amiga, Meg.
Quando percebi que a capacho iria a advertir, me coloquei em sua
frente.
— Ela usa o que quiser. Quando quiser. — Me deu um olhar traiçoeiro,
antes de variar o sorriso que nunca mostrava.
— Aproveite, Aaron. Logo não terá mais espaço para brincar sob o
limite da régua que o seu sangue irá lhe impor.
Deixei a vadia falando sozinha, caminhei até lá e ergui a algema
pendurada.
— Como fez isso?
Ela não me respondeu. Megan enrugou a cara e ergueu o dedo.
— Se me permite lembrar, você está lidando com a filha de um
delegado. — Olhei para ela como um animal e, em um piscar de olhos, a
garota abaixou a cabeça. Brianna ergueu a dela.
— O que você quer?
— Conversar.
— Não tenho nada para conversar com você.
— Por que o porco aparece para te machucar, mas não surge na minha frente? — Vi quando virou o rosto. — Onde ele está?
— Procure você mesmo.
— Não há sinal desse infeliz por aí, nenhum dos meus homens dormiu.
— Ela começou a se levantar e a cerquei na cadeira. — Estão até agora
focados em encontrar aquele verme, e, se você sabe de alguma coisa…
— Não sei de nada! — gritou, chamando a atenção de todos ao redor.
— No final, é só com isso que você se importa de verdade, não é? —
Balançou a cabeça. — Vê se deixa a gente em paz. Vamos, Meg.
O porco Abernathy estava brincando com a minha paciência. Ter se
movido tão rápido ali só afirmava que estava na sombra do governador. Mas
o que mais me indignava era o fato de ele ter vindo com o único intuito de
machucá-la, e eu não ter sabido a tempo.
Eu estava brigando com Filippo Salvatore quando aconteceu, estava
sob a supervisão furtiva da reitoria, sob o olhar dos espiões aos arredores.
E foi ali que percebi que algo ainda maior poderia estar acontecendo
enquanto me distraíam. Aquele monitoramento com a desculpa de me manter
na linha era a maior mentira mal contada que ouvi.
Todo aquele esforço não era apenas para garantir que eu não
encontraria o delegado, a fim de me manter no comando do Brooklyn. Disso,
eu tinha certeza.
Mas o que estava acontecendo por trás dessas cortinas?
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AO CAIR DA NOITE
FanficLivro 1 O homem mais poderoso dos EUA te ofereceu um emprego como babá. Ele precisa de ajuda para cuidar de sua doce filha, que acabou de perder a mãe. Só tem um problema. Ele nunca está em casa. Você o encontrou só algumas vezes - e há meses isso n...
