BRIANNA ABERNATHY
Delinquentes
— Sabe de onde saí ontem, boneca? — O aperto se intensificou em
meu braço. — Da cadeia. Estávamos presos. Eu e meus manos, no lugar do
seu namorado. — As palavras saíam compassadas, como se ele se desligasse
e voltasse de novo.
Mesmo que eu não tivesse namorado, já tinha uma ideia de sobre quem
ele falava. No entanto, não perdi tempo em responder.
— Não tenho namorado. — Puxei o braço com força.
Sua língua estalou e, com um franzir cínico nas sobrancelhas, ele
começou a me puxar dali para trás do carro, dificultando as chances de
sermos vistos.
— Os boatos são sempre uma mentira, não é? — ironizou, balançando
meu corpo com força. — Mas é bom saber que não tem vínculos.
Cravei as unhas na carne, olhando direto nas pupilas infelizes dele.
— Furo seus olhos se não me soltar agora. — Meu grunhido não lhe
arrancou mais que uma risada ridícula.— Corajosa… nunca me senti tão ameaçado em toda a minha vida! —
exclamou e senti a raiva borbulhar nas veias.
— E nunca senti tanta falta da minha arma como agora — murmurei
com a força que o ódio me proporcionava no momento.
— Tenho uma. Você quer? — A pergunta reverberou pelo lugar. Não
soube dizer o que era aquilo que crescia feito uma raiz fasciculada no meu
coração, medo ou raiva.
Ele levou a mão ao cós da calça jeans batida e puxou uma pistola velha.
— Só não te faço engolir as balas porque vale mais viva que morta. —
Fungou o meu cheiro. — Gosto de comer carne quente. — A risada voltou a
reverberar e o encarei com puro ódio.
— Vou acabar com você! — Me ignorou, olhando ao redor como um
maluco chapado.
— Quanto tempo acha que vai levar para que ele perceba que sumiu e
apareça aqui?
— Nem mais um minuto. — A voz masculina ressoou atrás de nós.
Aaron.
O homem fraquejou ao receber a pancada de um bastão na cabeça. Seus
dedos afrouxaram e me soltei dando alguns passos para longe com o coração
a mil.
— Vai! — Aaron gritou, mantendo o cara no chão. Minhas pernas
tremeram. — Anda, Brianna! Eu cuido disso!
Foi tão intenso que saí de lá sem olhar para trás e me escondi atrás do
primeiro muro que encontrei dentro do campus, era um dos que cercavam o
jardim, o pior lugar para se estar em uma possível perseguição, porquE as
plantas tinham espinhos e, só de olhar para eles, eu imaginava a ardência na
pele.
Molhei os lábios, ouvindo o som da luta entre os dois. Estavam
trocando socos até que um tomou o controle e surrou o outro. Percebi porque
os intervalos entre as batidas eram sincronizados, era um nocaute. O som de
vidro estilhaçando precedeu o alarme do carro que começou a apitar feito
louco até que…
Tun tun, desativado.
Silêncio.
Meu coração gelou. Apenas o uivo do lá ventos preenchia o lugar.
Pisquei algumas vezes, fosse quem fosse, estava se aproximando do
muro. A tensão crescia à medida que os passos ecoavam como um eco ameaçador. Olhei para cima, o vento frio sussurrava entre as folhas das
árvores, tão intenso quanto as batidas do meu coração.
Estava chegando perto e, quando o arrastar dos pés me alcançou e
alguém emergiu de trás dos tijolos, meu corpo inteiro pareceu congelar em
resposta ao reconhecimento tardio.
— Aaron! — Abraçá-lo foi algo automático.
— Tô aqui, ratinha. — Parecia ofegante, e jogou o taco, que não faço
ideia de onde tirou, de lado para me abraçar.
Me afastei devagar e percebi o olho esquerdo roxo. Seu corpo me
prendeu contra a parede.
— Você está bem? — perguntou.
— Sou eu quem pergunto. — Passei o dedo sobre a bolsa que inchava
ao redor da linha d'água. — Vai precisar de pontos…
— Sabe dar pontos? — Seus lábios se esticaram, a pintinha na
bochecha emoldurando o sorriso de criança que não quer ir ao hospital.
— Vou fazer o meu melhor — ciciei e ele apontou para o carro. —
Você vai dirigindo?
— Vou fazer o meu melhor… — sussurrou me arrancando um sorriso e
seguimos até lá.
Andar de carro em Manhattan não era cem por cento seguro. Com o
Aaron dirigindo, piorava. Com um olho a menos, a coisa ficava mil vezes
mais sinistra. Mas quando ele abria aquele sorriso…
Ah, aquele sorriso…
Puxou a marcha e pegou o celular, segurando o volante com uma mão
só. Seu dedo desbloqueou a tela e começou a falar.
— Parando na encruzilhada, chama a galera. — Olhei para ele, séria,meu coração começou a acelerar e talvez tenha percebido, porque colocou
uma mão na minha perna. — Não se preocupe, ratinha. Cuido de você antes
de cuidar de mim.
Suas mãos deixaram o volante em uma reta e se aproximou de mim
para afivelar meu cinto. Entrei em desespero.
— Aaron! Dirige! Eu coloco o cinto! — Usou o dedo indicador para
calar meus lábios. — Aaron… — Minha voz saiu em tom de aviso.
— Vai gostar — respondeu. E eu não duvidava, só de estar com ele,
meu corpo parecia flutuar.
Sua máscara estava no rosto pouco tempo depois e agora ele colocava
uma em mim, esticando o elástico sobre o meu cabelo.
— Fica bem em você, ratinha. — Olhei em seus olhos por aquele fino
tecido preto e ele se afastou.
Quando segurou firme o volante, apertei o banco. Estávamos em um
atalho, percebi porque, com um giro rápido, entramos na rodovia
movimentada.
O carro correu até o ponto que a dividia em quatro retas distintas,
formando uma encruzilhada e, Deus, quando ele girou aquelas rodas, fazendo
com que derrapássemos no meio da pista, meu corpo inteiro se arrepiou.
Apertei a perna dele, fazendo-o rir.
— Nem começamos, ratinha. — Buzinas e mais buzinas ressoavam, o
trânsito parou ao redor do carro, que girava ali no meio, deixando marcas no
asfalto e levantando fumaça.
Eu via automóveis por todos os lados, seus faróis viraram borrões e
meu coração seguia a mesma linha quando Aaron fazia os pneus rasgarem o
asfalto.
— Uhuuuul! — gritou e comecei a rir.
Não sei se pelo nervosismo, adrenalina… eu mal me lembrava de que
tinha fobia de sons altos demais.
Ele abriu as janelas e sob o sopro agressivo do vento, assisti a mais
carros se juntarem a nós, girando feito peões e induzindo o trânsito à
loucura.
Fechei os olhos, sentindo o vento bagunçar meus cabelos, e coloquei a
cabeça para fora.
Era errado. Um crime. Surreal, e era bom, muito bom!
Ficamos ali, vivendo o momento de maior adrenalina da minha vida até
que uma sirene tocou.Ele olhou na minha direção.
— Se quiser, pode segurar em mim. — O vidro fechou feito um flash,
só tive tempo de apertar a barra da camisa dele e o carro entrou em uma das
vias feito um furacão na contramão, desviando de outros veículos.
— Aaron! Você é maluco! — gritei sob o barulho do motor e tampei os
ouvidos.
— Quando descobriu, ratinha?
Voltei a rir com o corpo inteiro tremendo, sentindo que minhas veias
iriam explodir de tanta adrenalina, e sentindo que vinha dele. Era ele. Era de
outro mundo.
Já era noite, o ar frio e familiar do lugar era confortável. A luz azul
fazia a sala luxuosa tinir igualzinha à que tinha no quarto em que fiquei presa.
Suspirei, segurando um bolinho de algo.
Nunca pensei que voltaria àquela cobertura, muito menos que ele
próprio me levaria até lá de novo, mas tinha uma coisa que conseguia me
surpreender ainda mais: eu não sentia raiva alguma.
Era como se aquele na minha frente fosse outro, como se tivesse sido
outra vida. Mesmo que ele parecesse idêntico ao Aaron que sempre chegava
para me visitar pelas manhãs e noites, usando calça preta, máscara pendurada
no cós, corpo suado e respiração ofegante.
— Sinto muito por ter te trazido aqui — falou. — Não encontrei outro
lugar na fuga, e…
— Quieto — disse e ele piscou confuso. — Está pronto — falei,
terminando de limpar a pele depois de ter dado dois pontos de sutura perto do
olho. Percebi que ele estendia a mão e bati nela. — Não pode tocar! — Quase
ri quando grunhiu. — Vai precisar esperar um pouco para colocar o gelo
também. — Afofei as almofadas e coloquei em suas costas. — Fica aí e fica
quietinho. — Ele riu.
— Ah… a minha médica favorita…
Tentei esconder as bochechas quentes e me virei de costas, mas o Alien
estendeu as mãos e me colocou em seu colo.
— Aaron! — Senti a ereção pressionando a minha bunda.
Ele estava excitado porque cuidei dele?
— Me deixa te beijar… — murmurou, passando as mãos pelo meu
corpo.
Juntei todas as minhas forças para continuar com o sermão.
— Você precisa de um tempo para se recuperar. — Tirei as mãos dele
de mim e me coloquei de pé. — Fica aí. — Percebi que seus olhos
escureceram e engoli em seco. — São quarenta e oito horas para que possa
aplicar gelo, mas vou separar algumas medicações que encontrei na caixa de
primeiros socorros e…
— Para de faltar e me dá logo esse remédio. — Saiu como um
murmúrio e estendi duas opções em pílulas.
— Qual você quer?
— O seu chá, ratinha. A noite toda. — Suas mãos voltaram a me puxar
para o colo e eu estava tão trêmula que não consegui resistir daquela vez.
Ele afundou o rosto no meu pescoço, chupando minha pele. Comecei a
me esfregar em sua ereção.
— Coloca isso. — Ergui a máscara que ele pendurava religiosamente
no cós da calça. — Não quero que seu olho infeccione — sussurrei, e assim o
fez.
Levei os dedos ao zíper e comecei a abri-lo. Aaron segurou minha mão
e terminou o serviço, exibindo as veias saltadas pelos braços, contornando
seus músculos e me fazendo desejar lambê-las.
Quando tirou para fora, assisti ao pau subir devagar e, sem que eu
percebesse, um vão se abriu em meus lábios. Aaron colocou o dedo indicador
entre eles.
— Abra essa boquinha e faça seu trabalho. — Apertou minha língua
com o polegar. — Quero meu pau lubrificado com a sua saliva. — Encarei a
ereção e não sabia como respirar direito.
A máscara que ele usava me deixava ainda mais excitada, senti meus
mamilos endurecendo.
Passei a língua pela extensão, as veias saltadas me deixaram hipnotizada, estava tão duro quanto me lembrava de que poderia ficar. Lambi
os lábios, assistindo a ele balançar a ponta e passar por minha bochecha,
como se me acariciasse ali, até que ele bateu forte contra minha pele, me
arrancando um gemido.
— Engole o meu pau, ratinha. — Agarrou meu queixo. — Com
vontade. — Tentei morder seu dedo, mas ele tirou antes e me entregou a
visão da ereção pulsando para cima.
Abri a boca devagar, a glande rosada se encaixou direitinho em meus
lábios e segurei a extensão com mais força. Não demorou para que ele me
empurrasse a cabeça, enchendo minha boca.
Subi e desci por conta própria, sentindo a pele macia e quente
preencher até o fundo da minha garganta.
— Chupa. — Aaron apertou meus cabelos e empurrou a pelve contra
meu rosto.
Quando estava perdendo o ar ele puxou para fora, meus lábios o
deixaram escapar como quem perdia o melhor pirulito.
Ele me segurou pelos ombros e me induziu a sentar em seu colo de
novo.
— Agora quero te ver gozando.
Me encaixei nele e desci, fazendo todo aquele volume me preencher
por completo. Ele levantou minha blusa e puxou o sutiã para ter acesso aos
meus seios, que passaram a se acomodar em suas mãos.
— Ah… assim… — Soltou o ar enquanto eu cavalgava em cima dele.
O estofado nos acompanhava estalando levemente.
Estremeci quando passou os braços por minhas costas e me apertou
contra seu peito, me obrigando sentar mais rápido e estapeando a minha
bunda.
Os gemidos contidos pela máscara eram minha perdição, comecei
revirar os olhos com o rosto enterrado em seu ombro. Ele percebeu que já me
faltava ar nos pulmões e se afastou para segurar meu pescoço. Aumentei a
velocidade, sua glande já acertava o ponto perfeito dentro de mim.
— Goza pra mim, hum? — Minha pelve começou a tremer e ele
grunhiu. — Ah… tão gostosa, continua. — Bati com mais força, abrindo os
lábios trêmulos sem emitir som algum, até que saiu.
Tão alto quanto pude gritar de prazer. Minhas pernas o apertaram junto
a mim e liberei tudo.
Seus músculos tonificados se enrijeceram, ele apertou minha cintura e arrancou a máscara. Seu queixo estava no meu ombro e seus dentes no meu
pescoço, como se pudesse sugar toda a minha energia e potencializar o ato.
Estava conseguindo, porque perdi a noção de tempo e espaço, e sentia como
se cada espasmo fosse um choque elétrico na carne.
Amoleci por cima do corpo dele e senti quando me segurou para deitar
primeiro e fazer com que me deitasse com a cabeça em seu peito. Continuei
com os olhos fechados, sua respiração acariciava meu rosto, acalmando meus
ofegos, fazendo-me adormecer ali.
A noite pareceu ter voado de tão cansados que estávamos, provei isso
por só ter acordado quando ele me ergueu nos braços, pela manhã.
— Aonde vamos? — Foi a única pergunta que consegui raciocinar ao
perceber a claridade.
— Vamos para um banho — respondeu, com a voz rouca.
— Banho? — Um dos meus olhos ainda estava fechado.
— Preparei a banheira. — Passou o nariz pelo meu maxilar. — Está
quente.
Antes que eu respondesse, a campainha tocou. Ficamos ali olhando um
para o outro, até que ele me colocasse no chão.
— Quem é? — ciciei.
Em silêncio, caminhou até a porta e olhou pelo olho mágico, para só
então tocar a maçaneta com a testa franzida.
Ele abriu a porta e a figura de um homem misterioso, dono de uma
presença indescritível, surgiu ao batente.
— Pai? — Quando Aaron fechou a boca, quase me engasguei.
Ele disse “pai”?
— Gostei da cobertura, pirralho. Comprou ou roubou de algum infeliz?
Dêem ⭐
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AO CAIR DA NOITE
FanfictionLivro 1 O homem mais poderoso dos EUA te ofereceu um emprego como babá. Ele precisa de ajuda para cuidar de sua doce filha, que acabou de perder a mãe. Só tem um problema. Ele nunca está em casa. Você o encontrou só algumas vezes - e há meses isso n...
