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BRIANNA ABERNATHY   dêem ⭐
CARTA DE AMOR

Os alunos do matutino já movimentavam os corredores da universidade

quando, depois de termos levado as minhas coisas e as de Meg para um

quarto novo, me vi sentada em uma cadeira na sala fria da Reitora Freyer, a

senhora séria de cabelos grisalhos puxados para trás em um coque apertado e

que tinha uma verruga exuberante perto da sobrancelha esquerda.

Sua roupa era repleta de pregas e o cetim parecia menos brilhante que o

normal.

Fechei os olhos e os abri de novo.

A saia era preta, ela usava o que parecia ser um scarpin, também preto,

e uma meia fina.

Detalhes...

Tinha um óculos pequeno, menor do que seus olhos, eu diria, e ficava na ponta do nariz.

Fechei os olhos de novo. Respirei fundo.

Eu precisava focar em mais detalhes, desviar a atenção.

Dizia isso a mim mesma enquanto meu dedo indicador batia

freneticamente contra o joelho.

Dias atrás, eu fechava os olhos e via um morto, agora mesmo sem

fechá-los, conseguia ver os olhos dele, do Alien.

Esquecer daquela sensação de estar em um vendaval enquanto eu

olhava para ele no meio do quarto com a porta quebrada e uma tensão

palpável no ar, ainda parecia impossível, mesmo depois de algumas horas.

Acho que isso se devia ao fato de que ainda o ouvia ofegar. Tanto em

pensamentos quanto ali, ao meu lado.

Aaron estava fervendo. Eu podia sentir o quão quente sua energia

vibrava, e o compararia facilmente ao sol, se me pedissem um exemplo.

Para completar, algemaram-no na cadeira, por segurança. Mesmo que

ele não me tivesse feito sequer um arranhão, ao contrário de mim, que fiz ele

torcer o tornozelo para desviar do fogo.

E ainda assim, preso, ele conseguia sacudir as minhas estruturas.

A reitora o fitava com uma expressão severa. Ela parecia ter a firmeza

de um general, mas seus olhos tinham um toque de receio por trás da

autoridade que tentava impor. Isso era perceptível.

Ela tinha acabado de dar um discurso sobre bons modos e nos

comparado a crianças do colegial. Convenhamos, crianças sequer sonhavam

em fazer algo como o que acontecia naquele lugar. Mas o que ela estava

apontando era "nossa" imaturidade.

Fiquei em silêncio o tempo todo, escutando apenas o estalar da língua

do Aaron e suas risadas de desdém. Piorou quando ela fechou o discurso

dizendo que nos aplicaria uma penalidade no nível da nossa maturidade:

cartas.

Eu escreveria uma para ele. Ele, uma para mim. Um pedido de

AO CAIR DA NOITE Onde histórias criam vida. Descubra agora