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BRIANNA ABERNATHY
A culpa

Alguns dias depois

O alojamento parecia vazio naquela noite e, enquanto olhava para o

meu celular, me via perdendo mais umas horas de sono.

Meu pai permanecia em silêncio enquanto as perguntas fervilhavam em

minha cabeça, eu digitava cada uma delas no celular, na aba de conversa, mas

minha urgência contrastava com o vazio de respostas.

O que Bonanno falou tinha uma verossimilhança incontestável, eu

admitia, mas não queria acreditar, mesmo sabendo quem Magnus Abernathy

era. Meu pai seria esse monstro? Não hesitaria em usar a desculpa de

procurar pela mãe, para manipular a situação a seu favor?

Mas e aquela conversa com o antigo delegado Jamar? A coisa toda

sobre ele "ser o pioneiro, o escolhido para começar a grande limpeza em

Nova Iorque", a "operação" a sua "posição quanto a ela".

Era uma atuação calculada ou o delegado Jamar estava genuinamente enganado como eu?

O dilema me queimava por dentro.

E se a operação realmente não passasse de um ato criminoso? O de se

unir a um mafioso para prender outro e usufruir disso? E se o pai de Aaron

estivesse certo?

Suspirei.

Sendo sincera, no fim, eu já não ligava se meu pai morreria ou vivia. A

única coisa que me importava no momento era minha mãe e o tempo que

perdi caso Magnus Abernathy tivesse de fato me enganado.

Me sentei na cama do quarto perplexa.

Pensar que as promessas dele eram meras artimanhas e que sua sujeira

transcendia não apenas a figura paterna, mas também a de autoridade, me

provocava náuseas, uma sensação de traição, repulsa.

Pisquei algumas vezes, sentindo uma aproximação. Meg, sempre tão

atenta, entrou no quarto com uma leveza que contrastava com a tempestade

rugindo dentro de mim.

Seus olhos buscaram os meus e, antes que pudesse evitar, as palavras

ácidas escaparam dos meus lábios.

- Eu não quero conversar. Muito menos responder às suas perguntas.

- Meg arqueou as sobrancelhas, claramente surpresa com minha explosão.

A atmosfera pesou, mas minha irritação não permitiria que eu explicasse.

- O que você tem?

- Não é da sua conta. - Minha resposta soou mais dura do que eu

pretendia.

Vesti minha armadura invisível de indiferença e saí do alojamento,

deixando para trás as perguntas não feitas de Meg e a sombra do meu pai,

agora comprometido com as trevas que jurou combater.

AO CAIR DA NOITE Onde histórias criam vida. Descubra agora