AARON Walker dêem ⭐
PROPOSTA
O governador permaneceu sério na minha frente, como uma figura
misteriosa, tentando manter a pose de poder no meio daquela podridão.
- E esse é o seu escritório particular, político respeitável? -
perguntei, olhando para ele. - O que foi? Isso aqui é uma tentativa de
afastamento? Acho que Brandon é grandinho o suficiente para escolher as
amizades, e para ser sincero, seu filho não diz coisas muito boas sobre você.
Acho que tudo de ruim que ele aprendeu partiu de casa. - Ele continuou
sério. Me encarando como estatua imprestável. Voltei a rir. - Eu estou
começando a ficar irri...
- Tenho uma proposta para você - falou, sua voz reverberando pelo
espaço vazio.
- Eu digo que é uma ordem. - Outro homem se aproximou. Vestido
de terno. Envolto por uma energia podre. Segurei o ardor do fogo em
palavras na garganta. Eu queria vomitá-las uma a uma quando o vi.
Era um inimigo. O inimigo.Leonardo Salvatore.
O abutre italiano de merda. O líder da corja da qual John, meu irmão,
se juntou para planar mais alto. Um mafioso imundo que não conseguia
sequer esconder as tatuagens do corpo. Os desenhos iam da cabeça às pontas
dos dedos. Quem soubesse o significado de cada traço, saberia o valor que
pagaria por olhar para elas por mais de dois segundos.
Eu pagaria para o ver tentar impor aquelas regras a mim.
- Avvoltoio! - Cuspi no chão. - Vou mandar vocês dois para o
inferno! - Puxei as mãos. As amarras rangeram. Eu já não domava a minha
raiva, abriria caminho até eles, mesmo que perdesse os braços no processo.
Senti o soco do lado do rosto. Meu sangue respingou enquanto me
olhavam sérios.
O governador pareceu estar tão indignado com a presença do infeliz
quanto eu. Seu olhar sério na direção dele só desviou porque ele ergueu a
sobrancelha de aviso, dando a entender que faria o que quisesse.
E, naquele momento, seu desejo era o de me testar a resistência.
- Vai se auto desossar, verme - o mafioso murmurou, erguendo um
charuto grosso à boca. - E pensar que seu irmão veio até nós por livre e
espontânea vontade, enquanto você...
- Meu irmão traiu nosso sangue!
- E você acha que seu sangue ainda tem valor, Aaron Walker? - O
governador me olhou nos olhos, à distância. - A proposta é simples, você só
precisa...
- Não - falei, antes mesmo de ouvir. - A minha resposta é "não",
pilar da lei. - Comecei a rir quando vi que ficou em silêncio. -
Governador... você é o imundo por trás da sujeira das ombreiras do
Brooklyn? Esperava mais de você, por ter sido eleito com tantos votos -
zombei, e ele colou a cara na minha.
- E eu de você, por ter me parecido tão inteligente. - Aproximou-se.
- O reino no qual nasceu está quebrado, Aaron. Não tente sustentar o
respeito que não te deram. Não se submeta a dar orgulho a um homem morto,
ao...
- Não diga o nome - grunhi. Ele fechou os olhos, passando a língua
por dentro da boca. - Se não me soltar agora, mesmo que eu morra, vou
acabar com a raça de todos os presentes neste lugar.
O governador olhou para mim com uma expressão fria, seus olhos sem
vida me analisando como se eu fosse um quebra-cabeça a ser resolvido.- Você acha que sabe de tudo, Aaron. - Sua voz continuou calma e
calculada. - Mas há muito mais em jogo aqui do que se pode imaginar.
Não pude deixar de rir novamente, embora dessa vez fosse uma risada
amarga.
- Sabe onde enfiar suas cartas.
- Você tem duas opções: Se junta a nós e arruma a bagunça que a
ausência do seu irmão está acarretando, ou enfrenta as consequências de um
"não". A escolha é sua.
- Querem que eu tome o lugar dele? Seja seu peão? - Ri alto. -
Tenho cara de quem serve de associado à máfia?
- O Brooklyn traz retorno. Conseguimos monitorar toda Nova Iorque
também, é um baú que não estamos dispostos a deixar afundar junto ao navio,
se pudermos fazer algo para contê-lo a bordo - explicou, sem que eu
indagasse, me arrancando o semicerrar dos olhos. Logo foi a vez do abutre
mafioso começar a falar.
- Rivais do John estão invadindo aquela área, nós não temos...
- Problema seu. Não vou ajudar um abutre como você. - Ele
sinalizou e um dos capangas me acertou com um soco. Meu tronco dobrou e
voltei soltando um riso de fúria. - Abutres desgraçados! - Mais um soco.
Gargalhei. - Merdinhas!
- Você é audacioso, Walker - o pai de Brandon destacou. - Vi
como comandou boa parte deles e como atenderam ao seu pedido para se
instalar nos quatro cantos de Nova Iorque, à procura de seu alvo em comum.
- Colou as mãos nos bolsos. - Eles seguem a sua voz, obedecem seu
mandado, e você os conhece, bem como tem ciência dos passos do seu irmão,
logo não precisa se familiarizar com o serviço. Vai dar conta. - Cruzou os
braços. - Diga seu preço.
Fiquei em silêncio com o maxilar travado, encarando os dois.
- Diga o seu preço - ele sibilou, sem paciência.
Ergui a cabeça e abri a boca. Seus olhos atentos fizeram a leitura labial.
- Vá se foder! - sussurrei.
- A porra do preço, moleque! - gritou. Suas veias saltaram pela testa.
Perfurou meus olhos com os dele e eu dilatei as narinas, sentindo meus
demônios sorrirem.
- A cabeça dele. - Apontei para o mafioso. - Se me der, comando o
pedaço de merda que você acha tão importante. - Ele olhou para o homem,
sério como pedra, e então para mim.- Tem certeza de que quer mais isso que a cabeça do delegado que
matou o seu irmão?
Parei. O infeliz tocou a minha ferida.
- Bem sabe que nós éramos como tutores para John, logo também
estamos sentindo esse desejo de vingança que você sente, mas nós somos
cachorros maiores - pontuou com um ar de arrogância, e captei o meu
grande problema.
- Então é de vocês que ele está se escondendo. - Segui com os olhos
pelos dois. - O delegado de merda que matou o John está fugindo das babás
do meu irmão. - Apertei os dentes. - É a dupla de patetas que está
dificultando o meu caminho até aquele porco?
- Não temos culpa de carregar tamanho poderio, garoto - o mafioso
disse.
- Cala a boca! - Outro soco e cuspi o sangue no chão.
- É pegar ou largar. Pense bem, Walker. Se nós abrirmos mão do
delegado, você o terá para fazer o que quiser. - Olhei dele ao abutre e
estreitei os olhos. Meu orgulho queria me enforcar. Eles se viraram, seus
passos ecoando pelo lugar até a saída. Precisava resolver aquilo, ou nunca
teria minha vingança.
- Está feito. - Pararam na porta e engoli meu sangue, imaginando ser
a última gota do deles, na minha boca, depois de eu ter estraçalhado ambos
com os dentes.
O governador voltou.
- Não exceda limites maiores que os que John excedia. - Começou a
listar regras imundas. - Foi numa dessas que ele teve a testa esburacada.
- Eu estava lá - afirmei e o vi agachar ao meu lado.
- Então vejo que fará bom proveito do prêmio por trabalhar conosco.
- Tire o plural da frase. - Olhei para o abutre. - Meu acordo é com
você, e estará de pé somente até que eu encontre o delegado - pontuei.
- Claro.
- E contanto que mantenham suas mãos nos bolsos quando o assunto
disser respeito a mim.
O mafioso riu. Olhei para ele, desejando o matar com os olhos. O
ambiente estava impregnado com uma tensão palpável, o ar carregado de
ameaças não ditas. O pai de Brandon tocou em meu ombro.
- Espero que se lembre de que será observado de perto. Qualquer
deslize e suas chances acabam - declarou. Um de seus capangas me segurava pela amarra para me levantar. - Não queremos deixar sua posição
tão explícita por enquanto, então tente ser cuidadoso. Você será monitorado
na universidade e no Brooklyn.
- Não sabia que levavam o trabalho de babá ao pé da letra. Fizeram
isso com o John também?
- John não tinha a cabeça tão quente, e aprendeu com o tempo a
manter o controle - esclareceu. - Você ainda é uma pedra bruta, vai
precisar de supervisão.
- Claro... e se eu, por um acaso, atear fogo em quem estiver me
monitorando...
- No primeiro sinal de que você está saindo da linha, enviarei reforço.
- O mafioso se adiantou. - Não vai querer que isso aconteça. - Encarei-o
sentindo minha mandíbula quase trincar, me direcionei ao governador.
- Mantenho aquela merda em ordem até encontrar o meu alvo. Depois
que eu o matar se esqueçam de mim.
O governador pareceu repassar minha palavras cuidadosamente antes
de acenar.
- Certamente. Já deixou isso claro. - Concordou, mais uma vez. -
Você aprenderá rapidamente que, nesta cidade, as alianças são feitas para
serem quebradas, mas, enquanto durarem, precisa andar conforme nossas
ordens.
- Ainda não entendi qual é a do sigilo. - Me adiantei quando percebi
que ele se afastava.
- Nós temos uma rede corrupta em meio à lei, Walker. Está bem
amarrada e encobre muitas das ações ilícitas, se assim posso dizer, mas isso
não nos isenta de ter que lidar com a parte sã. - Olhou no meu olho. -
Abernathy é o aviso de que essa parte acordou, e enquanto estiverem de olhos
abertos, nós andamos pelas sombras - pontuou, e o saco cobriu a minha
cabeça de novo.- Então você é o líder dos Skulls agora? - Ryus foi o primeiro a
dizer alguma coisa, contrariando sua natureza calada. - Isso é insano.
O letreiro luminoso do Booking refletia nos capôs dos carros e se
repartia em linhas até dentro da hamburgueria. Eu, Brandon e Benedete
compartilhávamos a mesma mesa. Um pouco distante, Brianna olhava para
fora enquanto era mantida como refém pelos meus amigos, por ter sido a
última pessoa a me ver antes de me levarem.
Finalmente me recostei, levantando os olhos depois de contar toda a
história, desde a reunião ao momento em que fui jogado em um beco ali
perto, sem me esquecer de detalhes importantes como a identidade dos
sequestradores e a minha mais nova posição.
Brandon se manifestou, parecendo conformado com a descoberta sobre
o pai.
- Não estou surpreso com nenhum detalhe além da sua aceitação -
pontuou. - Vai mesmo encarar?
- Algum dia duvidou disso? - Empurrei a bebida com as pontas dos
dedos, sem tirar os olhos da ratinha que evitava me encarar.
- Bom, além de surpresa com o fato de que Aaron aceitou, estou
surpresa com seu pai, Brad. Ele esteve nisso desde o início e nós só
descobrimos agora - Benedete acrescentou, evidenciando o que Brandon fez
questão de ignorar.
- Nunca duvide das estratégias de um corrupto que estudou na Libert
University em seus dias de glória - falou e tomou um gole de bebida. -
Meu pai é a escória das câmaras.
Silêncio.
Todos pareciam estar digerindo as novas informações até que eu
interviesse em suas inércias repentinas.
- Sei que odiavam a ideia de eu me juntar ao John e o abominavam -
afirmei, percebendo que fisgava a atenção.
- Nem tanto... - A ruiva espremeu as palavras, literalmente.
- Não precisa tentar disfarçar, Benedete.
- Ele só não era o melhor amigo que você poderia ter. Eu tinha a
sensação de que te mataria com uma brincadeira.
- Então sempre esteve enganada, "mãe". - Ela enrugou a cara. -
Meu irmão poderia ser um idiota, mas não comigo. - Soltei o ar, com o
corpo ocupando apenas metade da cadeira na minha tentativa de esticar a
coluna. Volta e meia, levantava o copo gelado para pressionar contra o inchaço no rosto.
- Agora, sem John na jogada e com esse peso nas costas, acho que já
sabem o que espero de vocês. - Suspirei. - Quero uma parceria para ficar
por perto. Apoio. Algo como o que já temos, mas...
- No crime - Brandon completou, e acenei.
- Não que já não fôssemos do crime, mas agora oficialmente. -
Pausei. - Se não toparem, vou entender. - Ergui o copo aos lábios. - São
fracos demais para tal posição...
- Quero um carro novo - Benedete falou. - E permissão para dar
um sacode em uns caras da estação do BK. - Seus olhos semicerraram. -
Me proibiram de passar pela ferrovia, quando seu irmãozinho ainda
comandava lá. Me lembro do rosto de cada um.
- Permissão concedida, ruiva, só não se esqueça que teremos babás.
- Olhei para Brandon. - O grande governador não quer que ultrapassemos
o limite do limite.
- Pode destruir Nova Iorque cara, eu estarei lá, contanto que tenhamos
mais Drifts na sexta à noite - Ryus murmurou quase bêbado e descobri o
porquê de estar falando tão abertamente.
Quando nos voltamos para Brandon, sua expressão séria já dizia tudo
sem que precisasse de palavras.
Ele estava fora.
- Então é isso. - Troquei olhares com os outros, confirmando a velha
equipe até que ele erguesse os olhos na minha direção.
- Vocês não vão para frente sem mim, e acho que sabem disso.
- Filho da puta!
Era o pedaço que faltava naquele merda toda, e ele sabia disso, mas
preferiu nos fazer sentir o desfalque primeiro. Típico do Brandon. O mais
bundão de todos.
- Ouvi festinha no subsolo? - Ryus cantarolou.
- Você ouviu - afirmei. - Mais tarde, quero todo mundo lá.
Nos levantamos, meus olhos pairando sobre a ratinha que fazia o
impossível para nem mesmo olhar na minha cara. Cheguei perto e ela virou o
rosto, esperou Benedete passar para acompanhá-la, fingindo não me ver ali.
- Me ignorando? - Ergui a voz. - Que foi, ratinha? Estou de volta
para você, não está feliz? - Não me disse uma palavra sequer, apenas
esperou Benedete abrir a porta do carro e entrou.
- Ela odeia você, cara - a ruiva sussurrou para mim, e a acompanhei enquanto seguia até o carro de Brandon.
- Ela me ama. Não consegue ficar longe - pontuei, sério, como se
falasse de uma verdade absoluta, e assisti a Benedete erguer as sobrancelhas.
- O que fizeram com ela?
Quando me viu querer cerrar os punhos, Brandon segurou meu ombro.
- Só perguntas, cara. Ninguém tocou no seu brinquedinho.
- E ela não estava com tanto mau humor assim, passou a ficar quando
você chegou - a ruiva completou. O franzir cínico de sua sobrancelhas me
fez cerrar o maxilar. - Vai continuar a mantendo presa?
- Não. Falei, sério. Mas meus olhos estarão dia e noite em cima dela.
Quero saber o que a fez voltar para o campus.
- Era o que eu iria sugerir - a ruiva disse. - Essa aparição repentina
é suspeita.
- Por hora, leve minha presa para o dormitório dela em segurança.
Preciso cuidar de alguns assuntos.
- O senhor importante já está tratando de negócios? - Ela riu, e segui
Brandon até seu carro.
- Ele sempre tratou de negócios, Benedete. Os nossos negócios,
quando roubávamos bancos por pura diversão - o bundão falou, me
encarando. - Deveríamos antecipar a ação do mês que vem, já que você é
oficialmente rei da tirania agora.
- Cala a boca, idiota! - Suas risadas se misturaram à buzina que
Ryus, o bebezão bêbado, fez cantar.
- Vamos, porra! Antes que eu mije nesse carro.
- Se mijar no meu carro te mato, Ryus! Desce e procura um lugar por
aí!
- A urina desse merda é uma fanta. - Aticei Brandon. - Seu carro
vai ficar azedo por uma semana, cara. - Ele bateu no teto com a face
transtornada.
- Desce, porra! - berrou.
As meninas pararam ao nosso lado com o carro. Benedete abriu o
vidro.
- Boa sorte aí, caras! Qual a personalidade que ele adotou dessa vez?
- A de um velho filho da puta que não tem a capacidade de urinar
num poste! - Brandon respondeu.
- Homens entendem homens, então se virem - falou e começou a
fechar o vidro. Toda minha atenção se concentrava na Abernathy. Inerte, com os olhos do outro lado da pista, ainda me ignorando.
Era natural ter aquilo dela, eu sabia, mas alguma coisa dentro de mim
fatigava, ganhava mais atenção que o habitual, me fazia só pensar nisso. Ela
deveria olhar para mim. Eu deveria fazer com que me desse atenção,
confessasse seus planos.
Mas não tinha tempo para isso agora. E enquanto as via sumir do meu
campo de visão, as duas crianças brigavam, como animais sem a mãe para
impor ordens.
- Vai partir para a agressão, Brandon? Eu bêbado, sem total
equilíbrio. Acha justo?
- Sai do meu carro, Ryus!
- Eu não vou descer daqui nem se me obrigarem!
- Então não vamos sair daqui enquanto você não esvaziar essa porra!
- No carro?
- Não!
- Me arruma uma garrafa que resolvo sem sair daqui.
- Fala isso mais uma vez e te quebro no meio.
- Isso, com certeza, iria me fazer mijar mais depressa...
- Sai, porra!
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AO CAIR DA NOITE
FanfictionLivro 1 O homem mais poderoso dos EUA te ofereceu um emprego como babá. Ele precisa de ajuda para cuidar de sua doce filha, que acabou de perder a mãe. Só tem um problema. Ele nunca está em casa. Você o encontrou só algumas vezes - e há meses isso n...
